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Segurança pública•5 min de leitura

Comando Vermelho taxa a água e cidade do Ceará passa a comprar garrafão sob escolta policial

Em Banabuiú, comerciantes pararam de vender por medo e moradores adoeceram bebendo água de açude. Agora, denúncias parecidas surgem em Fortaleza e em outras cidades.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Moradores fazem fila para comprar garrafões de água de caminhão escoltado pela polícia no Ceará
Fonte da imagem: —

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Em Banabuiú, no sertão do Ceará, comprar um garrafão de água virou uma operação policial.

Desde o fim de outubro, moradores fazem fila na praça da matriz à espera de um caminhão escoltado pela polícia. Cada pessoa leva no máximo dois garrafões, a R$6 cada.

Tudo começou em 19 de outubro, com uma mensagem enviada aos comerciantes, o "Edital Banabuiú". Ela dizia que vender água na cidade dependia de "autorização" do Comando Vermelho.

O preço, segundo as vítimas, era R$200 para manter a loja aberta e R$750 por semana para vender garrafões. Alguns distribuidores teriam de pagar R$1,50 por unidade.

Com medo, os comerciantes pararam de vender. Parte dos moradores foi beber água do açude, sem tratamento, e passou mal.

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Ordens vindas do Rio

A polícia diz já ter identificado o mandante, que daria as ordens a partir da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Três homens suspeitos de recolher o dinheiro foram presos em 22 de outubro, e há outros mandados de prisão em aberto.

O estado reforçou o policiamento e passou a levar os garrafões em caminhões da companhia estadual de água. Na quarta-feira (4), o prefeito Marcílio Coelho anunciou que o comércio voltaria a vender, com esse apoio.

Depois que o caso veio a público, surgiram relatos parecidos em outros lugares.

Em Fortaleza, as denúncias vêm de bairros como Parque Dois Irmãos e Passaré. Em Meruoca, a 250 quilômetros da capital, moradores contam que passaram a buscar água em poços e chafarizes.

Há relatos também em Caridade, que em março de 2025 ficou quase sem internet depois que uma facção cortou os cabos dos provedores.

A polícia investiga, mas ainda não diz quantos comerciantes foram ameaçados nem quantos deixaram de vender. Enquanto essa resposta não vem, é o medo que decide onde há água.

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