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Segurança pública•5 min de leitura

Tráfico bate recorde enquanto registros de usuários despencam após decisão do STF

Número não quer dizer, necessariamente, que as pessoas pararam de usar drogas e passaram a traficar.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Tráfico de Drogas
Fonte da imagem: Instituto Brasileiro de Segurança Pública

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Em 2024, o Supremo Tribunal Federal descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal, fixando o limite de 40 gramas ou seis plantas-fêmeas para diferenciar usuário de traficante. 

Um ano depois, os dados de segurança pública mostram uma mudança rápida e significativa nas ruas do país. Duas curvas em direções opostas

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram trajetórias opostas.

De um lado, os registros policiais de posse e uso de drogas caíram 18,3% no último ano, somando 107.986 ocorrências em 2025.

De outro, as ocorrências de tráfico cresceram 18,5%, chegando a 207.058 casos, o maior número da série histórica iniciada em 2013.

A proporção entre os dois crimes ajuda a entender o tamanho dessa mudança. Em 2023, para cada pessoa registrada por posse ou uso, havia praticamente um registro de tráfico.

Em 2025, essa proporção dobrou: agora são quase dois registros de tráfico para cada usuário flagrado.

Isso não quer dizer, necessariamente, que as pessoas pararam de usar drogas e passaram a traficar.

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O que pode explicar a inversão

Uma hipótese levantada é a de que parte dessa mudança reflete alterações no comportamento das próprias polícias na hora de registrar as ocorrências.

Com a decisão do STF de tratar o porte de até 40 gramas de maconha como infração administrativa, e não criminal, essas pessoas deixaram de ser registradas como usuárias.

De acordo com o anuário, há indícios de que parte de quem antes seria enquadrado como usuário passou a ser registrado diretamente como traficante, mesmo em situações semelhantes às anteriores.

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A pressão do mercado internacional

A mudança nas abordagens policiais, porém, não explica tudo. O crescimento do tráfico também acompanha a pressão do mercado internacional de drogas, sobretudo da cocaína.

O Brasil hoje é um dos maiores mercados consumidores da América do Sul e funciona como corredor logístico para exportação a Europa e África.

Com a produção mundial de cocaína batendo recorde, facções como o PCC e o Comando Vermelho ampliaram o controle sobre rotas de tráfico e sobre o varejo de drogas dentro do país, o que também ajuda a explicar o aumento nas ocorrências.

Por trás desses números, existe um sistema inteiro de rotas, facções e disputas territoriais que vai muito além de qualquer estatística isolada.

Para entender essa engrenagem por completo, assista gratuitamente "Entre Lobos 2026", a maior produção já feita sobre segurança pública no país. Mais de 50 especialistas revelam, pela primeira vez, o retrato completo do crime no Brasil.

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