Antes do plenário, a tensão no STF já estava no WhatsApp
Mensagens mostram que Gilmar pressionou Nunes Marques e Luiz Fux sobre julgamentos ligados ao caso Master. Kassio bloqueou o colega.

O confronto que o Brasil viu nesta terça-feira no plenário do STF não começou diante das câmeras.
Dias antes, ministros já trocavam mensagens duras pelo WhatsApp. Em uma delas, Gilmar Mendes cobrou Kassio Nunes Marques e Luiz Fux:
“Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas.”
Kassio respondeu pedindo respeito. A conversa continuou subindo de tom até que o ministro bloqueou Gilmar no aplicativo.
Essas mensagens foram reveladas pelo Metrópoles.
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A briga começou antes da sessão
A discussão começou durante outro julgamento. André Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.
Gilmar pediu vista para interromper a análise na Segunda Turma.
Poucos minutos depois, porém, Fux e Kassio registraram seus votos pela manutenção da decisão de Mendonça. Gilmar interpretou a sequência como uma atuação combinada entre os colegas e passou a cobrar explicações.
A tensão aumentou com as notícias sobre citações aos filhos de Kassio e Fux em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
Gilmar passou a defender que os dois ministros não participassem de julgamentos relacionados ao caso. Também cobrou que Kassio abrisse suas contas e deixasse a presidência do TSE.
Kassio afirmou que não teria problema em prestar contas e, na sessão desta terça-feira, negou que seu filho tenha prestado serviços ao Banco Master.
Depois, declarou-se impedido de participar do julgamento envolvendo Alexandre de Moraes, alegando sua posição como presidente do TSE.
Fux também discutiu com Gilmar
A cobrança não ficou restrita a Kassio. Gilmar enviou mensagens a Luiz Fux dizendo esperar que a conduta no julgamento sobre a Polícia Federal “não se repetisse”.
Fux rejeitou a cobrança.
Depois que Gilmar pediu que ele cuidasse de sua atuação como presidente da Segunda Turma, veio a resposta: “Cuide de não encher meu saco!”.
Quando Moraes, Mendonça, Gilmar, Fux e outros ministros começaram a discutir no plenário, a divergência entre integrantes do STF já vinha sendo travada havia dias fora das câmeras.
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