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“Vencer a Batalha de Aljubarrota foi um triunfo português”, afirma o professor Sidney Silveira. Confira o resumo

Redação Brasil Paralelo
“A vitória em Aljubarrota tem algo da vitória extraordinária do Rei Leônidas na Grécia Antiga, quando com 300 homens da sua guarda pessoal consegue impedir o avanço dos Persas no Estreito das Termópilas. Têm algo daquela vitória porque Dom Nuno Álvares era um grande estrategista, o qual escolheu um terreno que era muito favorável e soube transformar desvantagem numérica em vantagem tática. Numa época em que a guerra era feita por escaramuças, homem a homem”. Sidney Silveira

Em agosto de 1385, o exército português, comandado por Nuno Álvares Pereira, derrotou as tropas invasoras vindas de Castela na Batalha de Aljubarrota. 

Conheça a batalha e as táticas inovadoras que permitiram a improvável vitória de Portugal.

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Antecedentes

Para compreender a Batalha de Aljubarrota, é necessário analisar o contexto histórico de crise generalizada que o continente europeu vivia.

No fim do século XIV, a Europa vivia uma época de crise e revolução: 

  • a Guerra dos Cem Anos devastava a França e a Inglaterra; 
  • a epidemia da peste negra dizimava a população europeia por todo o continente; 
  • a instabilidade política dominava. 

Portugal não era exceção. Seu rei, Dom Fernando, faleceu sem deixar herdeiros homens, o que mergulhou Portugal numa crise sucessória.

A crise de 1383 a 1385 em Portugal

Em 1383, o rei Dom Fernando de Portugal morreu sem deixar um filho varão que herdasse a coroa. A sua única filha legítima era a infanta Dona Beatriz, casada com o rei João I de Castela. 

Alguns portugueses estavam descontentes com a regência da rainha Dona Leonor Teles, viúva de Dom Fernando.

Além da rainha, o povo não gostava do conselheiro mais próximo que ela tinha, o Conde Andeiro. 

Se Dona Leonor passasse a regência para a filha, Portugal teria um rei de Castela. Um reino que lutou por anos para conquistar sua independência diante do reino de Castela se veria governado por um rei castelhano.

Esta possibilidade fez as pessoas alvoroçaram-se em Lisboa.

Dom João de Portugal, mestre de Avis, articulou uma ação para assassinar o Conde Andeiro. João de Avis se via no direito de assumir o trono, por ter um parentesco distante com Dom Fernando.

Após o assassinato, o povo clamou para que Dom João fosse feito regedor e defensor do reino português.

Este período de interregno que se seguiu ficou conhecido como Crise de 1383-1385.

A infanta Dona Beatriz e seu marido, Dom João I de Castela, não aceitaram a perda do trono pacificamente.

No dia 6 de abril de 1385, Dom João, mestre da Ordem de Avis, é aclamado rei pelas cortes reunidas em Coimbra, mas o rei de Castela não desistiu do direito à coroa de Portugal.

Todo o processo de tomada do poder pelo Mestre de Avis ficou conhecido na história portuguesa como Revolução de Avis.

Dom João I de Castela acreditava que pelo seu casamento era o possuidor do direito legítimo ao trono.

Assim, ele decide invadir Portugal em 1384. Entre fevereiro e outubro deste ano, montou um cerco a Lisboa, por terra e mar.

Uma das batalhas que seria consequência desta crise sucessória foi a Batalha de Aljubarrota, que marcou a independência definitiva de Portugal.

  • A história portuguesa e a dinastia de Avis estão intimamente ligadas à história dos Templários. Saiba quem foram eles. 

Uma frota portuguesa vinda da cidade do Porto enfrenta, no dia 18 de julho de 1384, na entrada de Lisboa, a frota castelhana, na batalha do Tejo.

Os portugueses perdem três naus e sofrem várias perdas. No entanto, a frota portuguesa consegue romper a frota castelhana, que era muito superior, e descarregar no porto de Lisboa os alimentos que trazia. 

Estes suprimentos foram muito importantes para a população que defendia Lisboa. Toda a Europa enfrentava um período de fome e escassez.

O alimento abasteceu as tropas portuguesas que se defendiam do cerco que os castelhanos imprimiam em Lisboa.

Os castelhanos que cercavam Lisboa foram aos poucos enfrentando escassez de alimentos e diversas baixas por conta da Peste Negra que se alastrava nos acampamentos do cerco.

Tudo isso fez com que as tropas de Castela recuassem e desistissem de tomar Lisboa. A brava tropa portuguesa e os sólidos muros de Lisboa resistiram.

Em junho de 1385, João I de Castela decide invadir novamente Portugal, mas desta vez à frente de todo o seu exército, auxiliado por um forte contingente de cavalaria francesa e apoiado por muitos nobres portugueses que eram em favor de Dona Beatriz e o rei castelhano.

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O que é a tática do quadrado? Entenda essa tática de guerra

Quando as notícias de uma nova invasão chegam, Portugal reuniu seu conselho militar na cidade de Abrantes para elaborar estratégias. Muitos consideravam que o exército invasor era muito superior e sugeriram uma marcha de distração até Sevilha para atrair o exército invasor, até chegarem os reforços dos aliados ingleses.

O rei português Dom João I de Portugal escuta os conselhos de seu principal comandante militar, o condestável Dom Nuno Álvares.

Dom Nuno sugere enfrentar o inimigo longe de Lisboa, que estava fragilizada e parte com a sua hoste para a cidade de Tomar. 

O rei enviou uma mensagem pedindo-lhe para regressar a Abrantes, mas o condestável se recusa e continua a marcha para Tomar, onde esperaria o rei. 

Lá se reúnem e deslocam-se para o Porto de Mós. As tropas se dispunham da seguinte forma:

  • na vanguarda: de lanceiros e infantaria comandados por Dom Nuno;
  • na retaguarda: de cavaleiros e outros soldados de infantaria comandados pelo rei Dom João I de Portugal;
  • na Ala dos Namorados e Ala Madressilva: de arqueiros, besteiros e lanceiros dos flancos da tropa;
  • de aliados ingleses: cerca de 600 arqueiros.
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Assim se organizaram as tropas portuguesas para a Batalha de Aljubarrota.

O exército português interceptou os invasores perto de Leiria. Dada a lentidão com que os castelhanos avançavam, Nuno Álvares teve tempo para escolher o terreno favorável para a batalha. 

A escolha foi uma pequena colina de cumeada plana rodeada por riachos, perto de Aljubarrota.

O plano era uma armadilha. O exército português se posicionou em uma colina próxima à do plano de Dom Nuno e montou defesa.

A ideia era atrair a perseguição das tropas castelhanas e recuar para a colina escolhida. Lá, foram cavadas fossas e estacas foram posicionadas, o que impediria avanços em grupos ou assaltos de cavalaria.

No plano, as linhas portuguesas se esconderam atrás das barreiras, para prensar as tropas castelhanas que avançassem.

  • A grande estratégia de Dom Nuno Álvares eternizou-se nos livros de história. Outra estratégia arrojada que passou pelo mesmo processo foi a do Cavalo de Tróia. Entenda como funcionou o plano dos gregos.

Enquanto a vanguarda resistia na linha de frente, as alas e os ingleses alvejavam os castelhanos, e a retaguarda, que contava com cavaleiros, daria suporte às tropas. Essa foi a famosa estratégia do quadrado que os portugueses usaram.

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Os castelhanos, por volta das dez horas da manhã do dia 10 de agosto, apresentaram-se com algo entre 30 a 40 mil soldados diante dos portugueses. A tropa portuguesa, com seus aliados, contava com cerca de 6.500 homens.

Os portugueses pararam na colina e observavam os inimigos. Houve momentos de hesitação entre o comando do Rei Dom João I de Castela.

Num primeiro momento, optaram por não atacar. Porém, receosos de serem abordados à noite, colocaram-se em marcha contra os portugueses.

Assim começou a famosa batalha de Aljubarrota. 

O exército português via tudo correr conforme o plano de Dom Nuno. As tropas recuaram para a colina certa e se viraram ficando de costas para sua borda.

As armadilhas e fossas que foram cavadas, estavam escondidas por uma cobertura de folhagem que os portugueses esconderam.

Este tipo de tática defensiva era muito típica das legiões romanas: o grande comandante Dom Nuno fez ressurgir na Europa a estratégia.

  • O Império Romano, muito conhecido por suas fortes e disciplinadas legiões, também passou por momentos de paz e tranquilidade. Conheça a Pax Romana.

Pelas seis da tarde, os castelhanos ainda não completamente organizados decidem, precipitadamente, começar o ataque no temor de ter que combater de noite.

O ataque começou com uma carga da cavalaria francesa para romper a linha de infantaria adversária. Contudo as linhas defensivas portuguesas repeliram o ataque. 

O estreito campo de batalha dificultava as manobras da cavalaria, e ainda havia as estacas, feitas com troncos erguidos na vertical separados entre si apenas na distância necessária à passagem de um homem.

Ou seja, era impossível aos cavalos penetrar nas linhas portuguesas e as legiões de infantaria eram dissipadas pelas defesas. 

O quadrado conseguiu esmagar as tropas castelhanas, apesar da grande inferioridade numérica.

Ao avançar em direção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a apertar-se, o que desorganizou as suas fileiras, de modo a caber no espaço situado entre os riachos. 

Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses reorganizavam as suas forças, saíam da postura defensiva e partiam para cima das tropas castelhanas.

Desorganizados, sem espaço de manobra e finalmente esmagados entre os flancos portugueses, os castelhanos pouco puderam fazer senão morrer.

Ao pôr do sol, a batalha estava já perdida para Castela. João de Castela ordenou a retirada geral sem organizar a cobertura. 

Os castelhanos debandaram então desordenadamente do campo de batalha. A cavalaria portuguesa lançou-se em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade.

No momento da debandada, conta-se a história de uma heroína improvável da batalha: Brites de Almeida, a padeira dos soldados da Batalha de Aljubarrota.

Brites, vendo a fuga desordenada dos soldados castelhanos, atraiu alguns para o seu local de trabalho e os escondeu em seu forno, para depois matá-los com sua pá de trabalho. Conta-se que matou 7 soldados desta forma.

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O que representa a Batalha de Aljubarrota?

A Batalha de Aljubarrota foi decisiva para assegurar a independência de Portugal face à Castela, a potência vizinha tinha planos de novamente incorporar Portugal no seu reino.

A batalha desenrola-se na tarde de 14 de agosto de 1385, no Chão da Feira, na região de Aljubarrota.

A posição escolhida por Nuno Álvares Pereira, condestável de Dom João I de Portugal, as defesas e o tipo de armamento que se posiciona no campo de batalha, hão de decidir a vitória para o lado português, e uma derrota pesada para o adversário.

A Batalha de Aljubarrota foi uma das raras grandes batalhas campais da Idade Média entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da história de Portugal. 

A tática militar, apesar de clássica, foi uma inovação para o tipo de combate que se travava na Europa à época.

Raramente durante o período medieval se viu uma infantaria derrotar uma cavalaria, mesmo em igualdade numérica. A desproporção de forças que se encontraram no campo de batalha só reforça a brilhante estratégia de Dom Nuno Álvares.

As consequências da batalha foram várias, em Portugal e em Castela.

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Consequências da Batalha de Aljubarrota

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Depois de dois anos e vários confrontos, a vitória de Aljubarrota é tão esmagadora que assegura a Dom João I a continuidade no trono português. O resultado foi:

  • a derrota definitiva dos castelhanos; 
  • o fim da crise de 1383-1385; 
  • a consolidação da dinastia de Avis. 

A aliança luso-britânica saiu reforçada desta batalha e seria definitivamente selada um ano depois, com a assinatura do Tratado de Windsor e o casamento do Rei Dom João I com Dona Filipa de Lencastre. 

Para celebrar a vitória e agradecer o auxílio divino, Dom João I mandou erigir o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e fundar a Vila da Batalha.

A paz com Castela foi estabelecida definitivamente em 1411 com o Tratado de Ayllón, ratificado em 1423.

Passados sete anos da batalha, o condestável Dom Nuno Álvares Pereira mandou construir a Ermida de São Jorge, em Calvaria de Cima, onde precisamente está o campo militar de São Jorge e onde ele havia depositado o seu estandarte de batalha nesse dia.

A vitória de Aljubarrota é crucial para a história portuguesa. Com a Dinastia de Avis, Portugal viveu seus melhores anos.

Um grande crescimento econômico, social e tecnológico permitiu a empreitada dos descobrimentos 115 anos depois. Disto decorreu a descoberta das Índias, do Brasil.

Foi o momento de maior grandeza do reino português.

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