A história da construção de Brasília, a capital moderna símbolo do progresso

Redação Brasil Paralelo
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3/2/2022
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A construção de Brasília foi planejada com o intuito de criar uma nova capital para o Brasil. O projeto original é do século XIX, mas as obras só começaram mais de 100 anos depois. Apesar disso, a cidade foi feita em tempo recorde.

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Construção de Brasília

A construção de Brasília foi realizada na segunda metade da década de 1950, durante o governo de Juscelino Kubitschek. Foi a concretização de um projeto do século XIX, elaborado por José Bonifácio. A construção foi um período de agitação política e de desenvolvimento econômico para o Brasil.

História da nova capital

A construção de Brasília foi a concretização de um projeto brasileiro existente desde 1823, cujo intuito era o de levar a capital do país para o planalto central. A ideia original da transferência é de José Bonifácio de Andrada e Silva, o patrono da independência do Brasil.

Objetivos da construção de Brasília

Bonifácio sugeriu a transferência da capital do país para o interior como forma de protegê-la de eventuais ataques promovidos por forças estrangeiras. O nome da nova capital, “Brasília”, também foi uma escolha de Bonifácio.

Essa ideia não ganhou corpo e permaneceu esquecida durante todo o período monárquico.

Em 1889, com a Proclamação da República uma nova Constituição foi elaborada. Esta determinava em um de seus artigos que uma região do planalto central seria reservada para abrigar a nova capital do país.

Não havia a definição de onde e nem quando, mas havia a lei prevendo a construção de uma nova capital. Uma série de estudos e trabalhos foram feitos para viabilizar esse projeto.

O presidente Floriano Peixoto criou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, que realizou a Missão Cruls. Essa comissão era responsável por enviar um grupo para o planalto central a fim de estudar e delimitar a área que receberia a nova capital. Os trabalhos duraram até 1897.

Em 1922, o presidente Epitácio Pessoa promoveu um importante passo para a construção da nova capital: a expedição e as obras em Planaltina.

Os presidentes Eurico Gaspar Dutra e Getúlio Vargas, nas décadas de 1940 e 1950, realizaram algumas ações para viabilizar a construção de Brasílial. O projeto de transferência foi mantido na Constituição de 1946.

Conheça a biografia do presidente Getúlio Vargas. O ditador mais amado da história do Brasil.

Governo JK

A construção de Brasília foi realizada na segunda metade da década de 1950, durante o governo de Juscelino Kubitschek. Foi um período de agitação política e de desenvolvimento econômico para o Brasil.

A eleição de Kubitschek se deu em meio a uma disputa apertada, ele obteve 36% dos votos. JK foi o candidato do Partido Social Democrático (PSD), o maior do Brasil da época.

Seu currículo contava com cargos como prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas Gerais.

Na disputa eleitoral, o discurso de JK se pautava na promessa de desenvolver o Brasil. Seu desejo era implementar um projeto de desenvolvimento e industrialização. Em seu slogan de campanha, ele propôs fazer o Brasil avançar “50 anos em 5” no tempo. 

O presidente criou o Plano de Metas que estipulava 31 objetivos para serem cumpridos dentro de 5 áreas estratégicas:

  1. energia elétrica;
  2. transporte;
  3. indústria de base;
  4. alimentação;
  5. educação.

Devido à concentração nos planos econômicos e de desenvolvimento do país, o governo JK ficou conhecido como desenvolvimentista.

O Plano foi, em certa medida, um sucesso, trazendo resultados significativos nas áreas da indústria, da energia elétrica e do transporte.

A industrialização e o progresso econômico ocorreu. Mas com ele veio:

  • o congelamento de salários;
  • o agravamento da inflação;
  • a primeira vez que foi mencionada a possibilidade de dar calote no FMI (Fundo Monetário Internacional).

Grande parte do sucesso e do desenvolvimento deveu-se à construção de Brasília. A nova capital movimentou a economia e mobilizou uma vasta quantidade de recursos para viabilizar a transferência da sede do poder.

Quantos anos levou a Construção de Brasília?

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Imagens da construção da capital brasileira.

A Construção de Brasília foi feita em apenas 3 anos, entre 1957 e 1960. A cidade foi inaugurada em 21 de abril de 1960.

O ponto de partida da Construção de Brasília se deu em um comício de Juscelino Kubitschek. Em 1955, na cidade de Jataí, Goiás, JK foi questionado sobre a construção de uma nova capital em cumprimento da Constituição.

A resposta foi a de afirmar que ele obedeceria à Constituição e que colocaria em prática o projeto.

Essa história é geralmente contada para explicar a origem dessa ideia em JK. Quando ele assumiu a presidência, o projeto de construir Brasília foi levado ao Congresso e aprovado em 19 de setembro de 1956.

A lei nº 2.874 inaugurou o processo de construção da nova capital. A cidade, como propôs José Bonifácio, foi batizada de Brasília.

“LEI Nº 2.874, DE 19 DE SETEMBRO DE 1956.
Dispõe sôbre a mudança da Capital Federal e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
Art. 1º A Capital Federal do Brasil, a que se refere o art. 4º do Ato das Disposições Transitórias da Constituição de 18 de setembro de 1946, será localizada na região do Planalto Central, para êsse fim escolhida, na área que constituirá o futuro Distrito Federal circunscrita pela seguinte linha:
Começa no ponto da Lat. 15º30’S e long. 48º12’W. Green. Dêsse ponto, segue para leste pelo paralelo de 15º30’S até encontrar o meridiano de 47º e 25’W. Green. Dêsse ponto segue o mesmo meridiano de 47º e 25’W. Green, para o sul até o Talweg do Córrego de S. Rita, afluente da margem direita do Rio Preto. Daí pelo Talweg do citado córrego S. Rita, até a confluência dêste com o Rio Preto, logo a juzante da Lagoa Feia. Da confluência do córrego S. Rita com o Rio Preto, segue pelo Talweg dêste último, na direção sul, até cruzar o paralelo de 16º03’S. Daí, pelo paralelo 16º03’ na direção Oeste, até encontrar o Talweg do Rio Descoberto. Daí para o norte, pelo Talweg do Rio Descoberto, até encontrar o meridiano de 48º12’W. Green. Daí para o Norte pelo meridiano de 48º12’W. Green, até encontrar o paralelo de 15º3’ Sul, fechando o perímetro.
Art. 33. É dado o nome de “Brasília” à nova Capital Federal.
Art. 34. Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, em 19 de setembro de 1956; 135º da Independência e 68º da República”

Para que a obra fosse realizada, o governo criou a Companhia Urbanizadora Nova Capital, empresa conhecida como Novacap. Juscelino entregou o comando dela para uma pessoa de sua confiança, o engenheiro e deputado do PSD Israel Pinheiro.

JK nomeou técnicos e especialistas de sua confiança nos postos-chave da obra e deu-lhes liberdade para construir a cidade.

Nenhum recurso foi poupado e uma jornada de trabalho exaustiva foi implantada para cumprir o curto prazo de entrega da capital.

Durante quatro anos, a paisagem inóspita do Planalto Central brasileiro foi radicalmente alterada pela abertura de largas avenidas e quadras e pela construção de palácios e edifícios.

A data de inauguração não foi escolhida ao acaso: o novo centro de decisões da República veio ao mundo oficialmente no Dia de Tiradentes. Um dos grandes símbolos do republicanismo brasileiro.

O dia da inauguração contou com: missa, festas, apresentações, baile, abertura de espaços, desfile da Caravana de Integração Nacional e fogos de artifício.

A nova cidade foi exposta ao Brasil e ao mundo com um design inovador, moderno e funcional.

Arquitetura da Construção de Brasília

A arquitetura da Construção de Brasília foi pensada principalmente por dois nomes: Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. O projeto urbanístico foi de responsabilidade de Costa, uma vez que ele venceu o concurso da Novacap para esta função, em 1957. Niemeyer foi o arquiteto da construção, por ser diretor do Departamento de Arquitetura da mesma empresa.

A Construção de Brasília foi pensada para ser o símbolo do projeto de modernização e desenvolvimento de JK. A arquitetura inovadora da cidade transmite essa ideia, e o projeto materializa o ideal do presidente de interligar o Brasil do litoral e do interior.

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O novo território usou dos conceitos mais modernos da arquitetura. O design da cidade foi elaborado para ela ser funcional e completamente planejada. Ao longo da construção foram definidos os espaços para moradia, trabalho e lazer.

Dentro do Plano Piloto, todas as quadras tem blocos e prédios semelhantes. As longas ruas e avenidas seguem um mesmo desenho e a esplanada dos ministérios também está padronizada.

A ideia do igualitarismo era algo promovido pelo Estado a partir das construções padronizadas.

O conceito chave da Construção de Brasília é o utilitarismo. A cidade é funcional, cada espaço tem sua disposição condicionada a uma utilidade específica para qual foi planejada.

  • Entenda o que é utilitarismo. Suas ideias predominam no mundo contemporâneo em diversos campos.
  • Para os professores Gustavo Borges e Olavo de Carvalho, a arquitetura de Brasília foi planejada para impor autoridade:

A escolha de Juscelino Kubitschek de construir a capital em um território desértico serviu a alguns propósitos políticos:

  • a capital não estaria tão vulnerável em caso de guerra;
  • a pressão popular sobre o governo seria menor, tendo em vista o isolamento que ficavam as instituições políticas;
  • a nova capital contribuiu para a ocupação do interior brasileiro.

Conheça os dois principais idealizadores do projeto:

Oscar Niemeyer

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Oscar Niemeyer diante da construção da Catedral de Brasília.

Nascido no Rio de Janeiro em 1907 e consagrado como um dos mais respeitados arquitetos em todo o mundo, Oscar Niemeyer foi decisivo na concepção e realização de Brasília. 

Os edifícios da capital federal ficaram marcados com os traços de Niemeyer: as construções brancas e cinzas de concreto armado e as linhas sinuosas das edificações.

Em 1934, Niemeyer já trabalhava no escritório do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, então professor e diretor da faculdade de belas-artes.

Foi nesse período que Niemeyer recebeu certa projeção nacional ao se envolver em um projeto com o arquiteto francês Le Corbusier. Este havia proposto uma reforma para o prédio do Ministério de Educação e Saúde.

Passado o concurso da Novacap, Niemeyer ficou responsável pelo projeto dos prédios: 

  • do palácio da Alvorada;
  • do Planalto;
  • do Itamaraty;
  • do Ministério da Justiça;
  • do Congresso Nacional;
  • da Catedral Metropolitana;
  • do Cine Brasília.

Todos esses edifícios já estavam de pé no dia da inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960.

Apesar disso, dois projetos de Niemeyer nunca sairiam do papel: 

  • a praça da Soberania, que incluía um memorial dos presidentes da República;
  • a praça do Povo, que projetava um espaço aberto de lazer e um centro de convenções.

Lúcio Costa

Conhecido pelo funcionalismo e utilitarismo de seus projetos, o arquiteto Lúcio Costa pode ser considerado o grande inventor de Brasília. Ele projetou as avenidas largas, as longas quadras, os setores urbanos, o traçado da cidade imitando um plano cartesiano em pleno Cerrado.

Em 1956, quando a Novacap lançou o Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil, Lúcio Costa conseguiu vencê-lo com um simples esboço feito a lápis.

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Esboço original do Plano Piloto de Lúcio Costa.

Ele entregou um rabisco em uma folha branca de um traçado de dois eixos cruzando-se em ângulo reto, como o sinal da cruz. Uma dessas linhas, o Eixo Rodoviário, tinha o traço levemente inclinado, o que dava à cruz a forma de um avião.

O funcionalismo de Lúcio Costa encontrou-se com o modernismo de Oscar Niemeyer. Juntos planejaram a Construção de Brasília para ser como um museu a céu aberto.

Para gerar este efeito, inspiraram-se em figuras como a dos artistas Burle Marx e Athos Bulcão. Construíram jardins e praças com painéis de azulejos que são marca registrada da capital. Tudo isto definiu os traços da nova cidade.

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Qual foi a primeira Construção de Brasília?

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Foto do Catetinho, primeira construção de Brasília, feita para abrigar o presidente JK e sua comitiva.

O Palácio de tábuas foi a primeira construção feita no território de Brasília. A estrutura foi improvisada para receber o presidente Juscelino Kubitschek e sua comissão. O prédio recebeu o apelido de “Catetinho”, um nome jocoso que faz referência ao Palácio do Catete do Rio de Janeiro.

O projeto foi rascunhado por Oscar Niemeyer e imediatamente aprovado por Juscelino. A construção não durou mais de dez dias: se deu entre 22 e 31 de outubro daquele ano. 

A inauguração do Catetinho ocorreria dias depois, 10 de novembro, com um almoço oferecido por Juscelino aos seus convidados.

O prédio foi ampliado em 1957, com a construção de um segundo prédio residencial, igual ao primeiro. As obras mobilizaram caravanas do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, levando um jipe e um trator, além de ferramentas e materiais necessários. A equipe incluía amigos de longa data de Kubitschek, como Roberto Pena e Bernardo Sayão.

Quem construiu a cidade de Brasília?

Os principais nomes responsáveis pela construção de Brasília são: Juscelino Kubitschek. Oscar Niemayer, Lucio Costa, Israel Pinheiro e os candangos. A construção de Brasília foi feita em meio a inúmeros desafios. A cidade com aeroporto mais próxima, Anápolis, ficava a mais de 100 km, e as estradas que ligavam até Brasília eram todas de terra.

Todo o material necessário para viabilizar a obra foi levado a Brasília com dificuldade. Os custos foram bem altos, uma vez que tudo era transportado de avião.

Toda a logística do projeto de Construção de Brasília se deve ao presidente da Novacap:

Israel Pinheiro

Israel Pinheiro já tinha uma respeitável biografia como homem público ao assumir a presidência da Novacap, em setembro de 1956. Participou da Revolução de 1930 e foi nomeado secretário estadual dos Negócios da Agricultura, Indústria, Viação e Obras Públicas de Minas Gerais, em dezembro de 1933.

  • A Revolução de 1930 deu início ao longo período conhecido como Era Vargas. Conheça suas principais características.

Revelou-se um inovador: construiu escolas, expandiu o ensino superior e impulsionou a industrialização do estado.

Depois de liderar o esforço de construção da cidade, tornou-se o primeiro prefeito da capital, cargo que deixou com a posse do presidente eleito Jânio Quadros, em 31 de janeiro de 1961.

Candangos

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Foto de Candangos que participaram da construção de Brasília.

Em 1957 chegaram ao local da futura capital os primeiros trabalhadores. Mesmo sem garantia de conforto ou de bem-estar, eles se dispuseram a trabalhar para a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap).

Os primeiros trabalhadores que chegaram vieram principalmente do norte e do nordeste. Eram 256 operários e eles ficaram conhecidos como “candangos”. Vinham para Brasília atraídos pela possibilidade de novas oportunidades.

Os candangos saíam de sua terra natal com apenas uma mala e pouquíssimo dinheiro. Para chegar a Brasília, viajavam na carroceria de caminhões durante 45 dias. As estradas eram precárias, de terra batida.

Ao chegar, os serventes eram alojados em grandes galpões improvisados de madeira. Já os mestres de obra dormiam em pequenos quartos.

O cotidiano dos trabalhadores de Brasília era duro: as jornadas previam 11 horas de trabalho, mas muitas vezes o tempo se estendia. O salário era pago por horas trabalhadas.

No calor de Brasília, na precariedade das condições de trabalho e na exaustão das muitas horas, muitos trabalhadores morreram na Construção de Brasília.

Durante a construção da Universidade de Brasília, dois operários foram soterrados no canteiro de obras. No local do acidente foi construído o auditório que hoje se chama “Dois Candangos”.

Calcula-se que a cidade tenha atraído cerca de 60.000 operários vindos de todo o Brasil. Em 1957, o entorno de Brasília já contava com mais de 12.000 habitantes.

Há uma curiosidade interessante sobre o local escolhido para a construção. Um santo católico previu o local da nova capital.

A profecia de São João Bosco

Em 16 de agosto de 1815, nasceu em Turim, Itália, João Bosco. Aos 20 anos entrou para o seminário para se formar sacerdote e 6 anos depois foi ordenado. Dedicou sua vida a ministrar os sacramentos e a cuidar da educação dos jovens.

Apesar de ser italiano, ele fez uma previsão que fala diretamente do território brasileiro:

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Placa na Ermida de São Dom Bosco que relata a profecia de seu sonho.
“Entre os paralelos 15º e 20º havia um leito muito extenso, que partia de um ponto onde se formava um lago. Então, uma voz disse repetidamente: 'Quando escavarem as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a grande civilização, a terra prometida, onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível’”.

O texto está exposto na porta da Ermida Dom Bosco, o primeiro templo católico erguido em Brasília, à beira do Lago Paranoá.

Durante a Construção de Brasília, surgiu a crença de que a profecia se tratava da capital brasileira. São João Bosco foi eleito o segundo padroeiro da cidade, junto de Nossa Senhora Aparecida.

Se o sonho que São João Bosco teve realmente se referia à nova capital, não há como afirmar com certeza. De fato, ela está entre os paralelos 15º e 20º, o que não a difere das outras cidades satélites de Brasília.

Problemas que marcaram a construção de Brasília

Conforme a construção seguia, foram surgindo pequenos acampamentos ao redor do Plano Piloto para abrigar os trabalhadores que vieram para construir a nova capital.

Os demais agrupamentos mais tarde tornaram-se as cidades satélites que agora são as 33 regiões administrativas que compõem o Distrito Federal.

A Cidade Livre

A quantidade de migrantes que vieram trabalhar na construção de Brasília superou 28 mil pessoas, ultrapassando o número esperado pelo Governo. Moradias foram improvisadas durante todo período de edificação da cidade para abrigar os trabalhadores que afluíam.

Eles não paravam de chegar para a construção de Brasília. Com a população cada vez maior, aumentava-se a demanda por serviços básicos.

  • Apesar da precariedade das instalações, o comércio local se organizou a partir da lógica da economia de mercado.

A fim de atrair rapidamente comerciantes e empresários que pudessem suprir estas necessidades, o governo passou a conceder benefícios liberando-os de obter alvará e pagar tributos.

Havia também uma limitação de horário para funcionamento do comércio. Nascia a “Cidade Livre”.

A Novacap começou o loteamento e a instalação da nova cidade no final de 1956. Abriu três largas avenidas e algumas ruas transversais, que inicialmente abrigaram 500 casas na região da chamada Candangolândia.

As construções eram todas de madeira, e o plano inicial era derrubá-las assim que a nova capital fosse inaugurada.

A Cidade Livre, porém, cresceu tanto que, após a inauguração do Plano Piloto, tornou-se uma cidade-satélite: o Núcleo Bandeirante. 

Esse nome surgiu depois que o presidente Juscelino Kubitschek viu diversos operários chegando à região e os chamou de “bandeirantes modernos”.

As áreas do entorno se tornaram as regiões do Distrito Federal conhecidas como Gama, Guará e Sobradinho. As cidades de Planaltina e Brazlândia já possuíam algumas estruturas e foram anexadas.

Além dos problemas envolvendo moradia para os trabalhadores e dos exemplos de acidentes já citados, a construção de Brasília foi também marcada por episódios de violência.

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O massacre da GEB

A construtora Pacheco Fernandes tinha 1.300 operários em seu acampamento da Vila Planalto e era conhecida por fornecer a pior comida de Brasília.

Em 1959 o ritmo de trabalho era muito intenso, pois faltava apenas um ano para a inauguração da cidade e ainda havia muito a se fazer. 

No Carnaval daquele ano, os chefes da Pacheco Fernandes tomaram medidas para evitar que os operários deixassem o trabalho e os alojamentos. 

A água foi cortada para que os operários ficassem sem banho. Sem se higienizar, eles não buscavam diversão na Cidade Livre. O salário, pago aos sábados, ficou retido. 

No domingo, dia 8 de fevereiro, a cantina serviu comida estragada. Os operários indignados reclamam, os ânimos se exaltam e começa o tumulto. 

A Guarda Especial de Brasília, a GEB, foi chamada para reprimir a confusão. Ela passou a espancar os envolvidos.

A violência revoltou também os trabalhadores que não haviam participado do tumulto inicial e todos partiram para cima dos policiais.

Os homens da GEB se retiraram, prometendo retaliação. Em um golpe cruel, eles voltaram à noite ao acampamento, em número maior e com mais armamento, entraram nos alojamentos e começaram a disparar contra trabalhadores que dormiam nos beliches.

As autoridades e a mídia local buscaram acobertar o caso, mas não tiveram sucesso. O depoimento oficial mencionava apenas 48 feridos, enquanto jornais de Goiânia e Belo Horizonte da época noticiavam caminhões transportando dezenas de corpos de forma escondida.

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Placa Memorial do Massacre da GEB.

"O que consta nos depoimentos que eu recolhi é que a polícia atirou nos operários enquanto eles dormiam. Obtive depoimentos sobre dezenas de operários atingidos. Um total 120 malas nunca foram buscadas no alojamento", relata Nair Bicalho, que entrevistou mais de 30 pessoas sobre o caso, inclusive um coronel responsável pela operação policial.

"Eu não tenho a menor a dúvida sobre massacre na empresa Pacheco Fernandes. Eu interpretei assim a partir dos documentos e algumas entrevistas", acrescenta.

No filme "Conterrâneos Velhos de Guerra", do cineasta Vladimir Carvalho, o massacre é contado em detalhes por testemunhas o episódio.

Dezenas de corpos de operários mortos teriam sido recolhidos com caminhão basculante e depositados em lugar ignorado. A repercussão na imprensa foi mínima, segundo o diretor do documentário.

Quem financiou a Construção de Brasília?

Não se sabe até hoje quanto foi gasto na Construção de Brasília. Estima-se que bilhões de dólares tenham sido investidos para viabilizar a nova capital. O que se sabe é que Juscelino Kubitschek não poupou esforços ou investimentos, recorreu inclusive a empréstimos junto ao FMI.

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