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Política•5 min de leitura

7 de outubro: três anos do atentado terrorista que levou Israel para a guerra

Entenda como o Hamas conseguiu burlar a segurança israelense e matar mais de 1.200 pessoas.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Relembre a invasão do Hamas a Israel há três anos
Fonte da imagem: Anadolu Agency

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Há três anos, terroristas do Hamas atravessavam as grades de proteção na Faixa de Gaza e adentravam em Israel. 

A incursão causou a morte de 1.200 israelenses, a maioria deles civis. O grupo também levou 251 pessoas vivas e mortas como reféns em Gaza. 

O ataque brutal desencadeou uma reação de Israel. O país entrou em uma guerra contra o grupo terrorista. 

O conflito causou a morte de aproximadamente 74 mil palestinos e feriu cerca de 170 mil.

Trata-se de uma das guerras mais polêmicas no mundo e tem transformado a geopolítica do Oriente Médio. Entenda o que mudou desde o início do conflito.

  • Conheça as raízes do conflito além das narrativas da mídia ocidental com o documentário From the River to the Sea. Clique aqui para assistir completo.

Como o Hamas atacou Israel?

A ofensiva começou nas primeiras horas daquele fatídico dia com uma intensa barragem de foguetes lançados da Faixa de Gaza contra cidades israelenses. 

Os disparos serviram como cobertura para a invasão terrestre e dificultaram a capacidade de reação das forças de defesa.

Ao mesmo tempo, drones atacaram torres de observação e equipamentos que monitoravam a cerca de segurança na fronteira. 

A destruição desses sistemas reduziu a capacidade de Israel de acompanhar em tempo real o que acontecia ao longo da linha de contenção.

Enquanto isso, explosivos abriram dezenas de brechas na barreira que separa Gaza de Israel. 

Em outros pontos, escavadeiras derrubaram trechos da cerca, criando passagens largas para veículos e motocicletas.

Pelas aberturas, centenas de homens armados cruzaram a fronteira utilizando carros, motocicletas e caminhonetes. 

Segundo as investigações, entre 800 e 1.000 combatentes participaram da primeira onda da invasão.

Terroristas também entraram por mar e ar

Ao mesmo tempo, outro grupo entrou pelo ar. Militantes usaram parapentes motorizados para sobrevoar a cerca e pousar em território israelense.

Também houve uma frente marítima. Membros do Hamas desembarcaram nas praias israelenses após ultrapassar as defesas costeiras.

Comunidades civis e bases militares foram atacadas ao mesmo tempo

Depois de atravessar a fronteira, os grupos se dividiram. Alguns seguiram para comunidades civis próximas à Faixa de Gaza, enquanto outros atacaram postos militares israelenses. 

Moradores foram assassinados e centenas de pessoas foram levadas para Gaza enquanto bases militares foram rapidamente dominadas.

Em pouco tempo, havia centenas de ocorrências acontecendo ao mesmo tempo, muito acima do cenário para o qual as forças israelenses haviam treinado.

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Por que a resposta demorou?

Embora Israel tenha identificado que havia uma situação grave nas primeiras horas da manhã, a dimensão do ataque demorou para ficar clara.

Segundo as investigações das Forças de Defesa de Israel (IDF), os comandantes acreditavam que enfrentavam infiltrações localizadas, e não uma invasão em larga escala.

Outro fator decisivo foi o colapso da Divisão de Gaza, responsável pela defesa da região. 

O comandante da unidade, general Avi Rosenfeld, continuou enviando atualizações ao alto comando, mas demorou para reconhecer que a estrutura estava sobrecarregada.

As fontes militares afirmam que os comandantes em Jerusalém continuaram confiando nas informações vindas da Divisão de Gaza.

Eles não imaginavam que o centro de comando local tivesse perdido totalmente o controle da situação.

Somente às 9h47, foi feito um pedido urgente de apoio à Força Aérea. Ainda assim, ele não informou explicitamente que sua divisão havia sido derrotada.

Isso fez com que o emprego do poder aéreo só fosse autorizado por volta das 10 horas da manhã, e a operação começou cerca de meia hora depois.

Quartel-general também enfrentou caos

Imagens analisadas pelos investigadores mostram que o quartel-general das Forças de Defesa de Israel viveu momentos de desorganização durante as primeiras horas da invasão.

Oficiais superiores ainda estavam se deslocando de casa para o centro de comando quando os ataques começaram. 

No início da crise, o oficial de maior patente presente na sala de operações era um coronel, que recebia orientações por telefone dos comandantes militares.

Enquanto isso, oficiais tentavam descobrir quais comunidades estavam sendo atacadas e por onde novos grupos do Hamas continuavam entrando.

Segundo o relatório, às 7h30, cerca de uma hora após o início da invasão, o comando israelense tinha conhecimento de aproximadamente 40% dos ataques em andamento.

Mesmo depois das 10 horas, esse percentual havia subido apenas para aproximadamente 60%.

Somente por volta das 11h30 o nível de conhecimento da situação chegou a cerca de 85%. 

Nesse momento, porém, muitos dos invasores já haviam iniciado o retorno para Gaza levando reféns.

Reforços também encontraram dificuldades

As investigações mostram que diversas unidades enviadas para socorrer as comunidades do sul enfrentaram emboscadas antes mesmo de chegarem ao destino.

Em alguns cruzamentos estratégicos, combatentes do Hamas aguardavam a chegada dos militares israelenses. 

Algumas equipes sofreram baixas, outras precisaram interromper o deslocamento para reagir aos ataques. 

Houve unidades que mudaram a rota sem que o comando central percebesse imediatamente.

Os planos israelenses não previam um cenário em que grupos armados conseguissem controlar importantes entroncamentos rodoviários dentro do território israelense.

A Brasil Paralelo investigou o ataque e as consequências dele em seu documentário From The River To The Sea.

Para essa produção, levamos nossas câmeras para Israel, onde entrevistamos sobreviventes, militares e estudiosos sobre a disputa entre Israel e Palestina.

Assista ao filme completo abaixo:

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