Relatórios citam 74 ligações, apartamento de R$2,45 milhões e acompanhamento da chamada “Emenda Master". O senador diz que provará inocência.

A investigação sobre a possível relação de Jaques Wagner com o Banco Master ganhou um novo episódio.
Relatórios da Polícia Federal enviados ao STF apontam uma relação de proximidade pessoal e articulação política entre o senador PT da Bahia e ex-líder do governo, e executivos ligados ao banco.
Para a PF, a relação de confiança entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Master, teria criado um canal para tratar de interesses da instituição financeira no Congresso.
Entre novembro de 2023 e maio de 2025, os dois trocaram 74 ligações, somando cinco horas e meia de conversa. Segundo a PF, havia preferência por chamadas telefônicas em vez de mensagens.
Os documentos foram tornados públicos pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.
Entenda a polêmica envolvendo o Banco Master no canal da Brasil Paralelo.
A PF descreve a relação entre Wagner e Augusto Lima como “longa e duradoura”. Os relatórios citam encontros entre famílias, viagens e troca de mensagens de afeto.
Em outubro de 2023, o senador e a esposa aceitaram convite para passar um fim de semana em um imóvel então sob controle de Augusto. O deslocamento teria sido feito em aeronave ligada ao empresário.
Para os investigadores, esse vínculo também aproximou Wagner de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A corporação afirma que Vorcaro via o senador como um “aliado político” em uma operação regulatória que dependia de articulações institucionais.
Um dos pontos da investigação é a chamada “Emenda Master”.
A proposta ampliava para R$1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito por pessoa física. Segundo a PF, Wagner manteve um padrão de “acompanhamento direto” do tema.
Mensagens analisadas também indicam que Augusto Lima enviava ao senador notícias sobre o banco, negociações com o BRB e movimentações no Senado. Wagner reagia com emojis de aprovação e oração.
A PF também cita supostas vantagens ligadas ao núcleo do Banco Master. Entre elas estão uso de aeronaves, presentes, ingressos para show e a possível compra de um apartamento de R$2,45 milhões em Salvador.
No celular de Vorcaro, investigadores encontraram mensagens em que ele pedia discrição sobre um voo possivelmente usado para transportar Wagner.
Em uma delas, teria solicitado uma aeronave “que ninguém conheça” e pedido que fosse retirada rapidamente da Bahia.
Sobre o apartamento, a PF afirma que Wagner enviou a Augusto Lima informações do empreendimento, incluindo unidade, preço e contato do responsável pela venda.
Depois disso, segundo os investigadores, Augusto teria acionado operadores financeiros para estruturar a compra por meio de fundos e empresas interpostas.
Jaques Wagner afirmou que provará sua inocência, mas evitou comentar o mérito da investigação por orientação de seu advogado.
“O inquérito, a investigação serve até para afastar a culpa. Então, eu tenho certeza que eu vou provar a minha inocência”, declarou o senador à Rádio Baiana FM.
Wagner também disse que está tranquilo e que continuará focado na campanha eleitoral enquanto a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça fazem seus trabalhos.
A Brasil Paralelo investigou a teia criminosa em torno de Vorcaro com o documentário Raio X Banco Master.
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