Segurança e privacidade já são o principal motivo citado pelos pais para adiar o primeiro aparelho.

O Brasil chegou à marca histórica de 95% dos domicílios conectados à internet. Mas, ao mesmo tempo, um dado inédito chamou atenção.
Pela primeira vez, menos crianças de 10 a 13 anos têm celular próprio no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). O número caiu de 56,7% para 55,2% em apenas um ano.
Segundo o levantamento, o motivo mais citado pelos responsáveis para adiar o primeiro celular já não é o preço, e sim a preocupação com privacidade e segurança, presente em 32% das respostas.
Isso indica uma preocupação mais direta com a proteção das crianças no ambiente digital.
O movimento não é exclusivo do Brasil. Países como França, Espanha e Reino Unido já colocaram o tema no centro da agenda pública e passaram a restringir o acesso de menores a redes sociais.
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Adiar o uso do celular não representa uma rejeição à tecnologia, mas uma mudança na forma como ela é apresentada às crianças.
A tendência apontada é o crescimento de dispositivos com verificação de idade, controles parentais e mecanismos de supervisão mais claros, incorporados ao próprio design do produto.
O avanço da regulamentação também tem acelerado essa mudança, especialmente com o ECA Digital, que estabelece princípios de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital, incorporando conceitos de segurança e privacidade desde a concepção das plataformas.
A inteligência artificial também deve ter papel relevante nesse cenário, tanto na identificação de conteúdos inadequados e no combate ao assédio quanto na adaptação de experiências conforme a faixa etária.
Ao mesmo tempo, a IA generativa traz novos desafios, exigindo camadas rigorosas de proteção e classificação indicativa também nesse tipo de ambiente.
Em agosto de 2025, um grupo de pesquisadores decidiu perguntar diretamente às crianças o que elas queriam. A maioria tinha entre 8 e 12 anos, morava nos Estados Unidos e passava boa parte do tempo livre com um celular na mão.
Elas responderam de forma clara: preferem estar com os amigos, no mundo real, sem adultos por perto.
Não disseram que queriam menos regras na internet ou mais aplicativos divertidos. Disseram que sentem falta de liberdade, não a liberdade de clicar em tudo, mas a de sair de casa sem um adulto, jogar bola na rua, explorar o bairro ou brincar no quintal.
As respostas surpreenderam porque mostraram um desejo por algo que muitas dessas crianças nunca viveram. Uma saudade de um tempo que elas não conheceram.
O doutor Marcone esteve no Conversa Paralela para falar sobre o uso de telas por crianças e adolescentes, os riscos do vício em jogos e como encontrar equilíbrio nessa relação. Assista ao vídeo abaixo.
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