Líderes separatistas estão no poder das nações que fazem parte do Reino e discutiram a possibilidade de independência.

Em meio a uma tensão política entre Londres e os primeiros-ministros da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte, avança a proposta de acabar com o Reino Unido.
Pela primeira vez desde o início da descentralização de poderes, no fim da década de 1990, as três nações estão sendo governadas por partidos separatistas.
Nesta segunda-feira (14), os líderes nacionalistas se reuniram em Cardiff, capital do País de Gales, para assinar um memorando.
O documento afirma que "o tempo de Westminster está chegando ao fim" e pedem que o governo britânico se prepare para uma mudança constitucional.
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O Reino Unido é formado por quatro nações: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.
O Parlamento nacional funciona no Palácio de Westminster, em Londres, e só ele tem o poder para alterar questões constitucionais.
Para os líderes reunidos em Cardiff, esse modelo não atende às necessidades de seus países.
Eles defendem que cada nação tenha o direito de decidir seu próprio futuro de maneira autônoma.
No documento assinado pelos partidos, eles afirmam que nenhum governo britânico tem o direito de "bloquear a democracia" nem impedir que suas populações decidam sobre mudanças constitucionais.
"O momento está do lado dos nossos movimentos; acreditamos que uma mudança constitucional está a caminho… Nenhum governo de Westminster tem o direito de bloquear a democracia ou minar o princípio de que nossos povos decidirão o próprio futuro… Pedimos ao governo britânico que se prepare, planeje e facilite a mudança constitucional em cada uma das jurisdições."
O encontro contou com o líder do Partido Nacional Escocês (SNP) e primeiro-ministro do país, John Swinney.
Ele estava acompanhado de Rhun ap Iorwerth, primeiro-ministro do país de Gales e principal nome do partido separatista Plaid Cymru.
Além deles, estiveram presentes Michelle O'Neill, a primeira-ministra da Irlanda do Norte, e Mary Lou McDonald, presidente de seu partido, o Sinn Féin.
A sigla é uma forte defensora da reunificação da Irlanda e chegou a ser considerada o braço político do grupo armado Exército Repúblicano Irlandês (IRA) por décadas.
Os quatro defenderam maior cooperação entre seus partidos e discutiram temas como economia, energia, relações internacionais e autodeterminação.
Embora compartilhem o objetivo de ampliar a autonomia de seus países, eles divergem sobre o ritmo e a forma dessa mudança.
Entre os três líderes, John Swinney foi quem apresentou a posição mais direta. Segundo ele, a reunião representa um "momento crucial" para o futuro do Reino Unido.
Em sua visão, a população escocesa deve ter o direito de voltar a decidir sobre a independência.
A Escócia realizou um referendo em 2014, quando 55% dos eleitores votaram pela permanência no Reino Unido, enquanto 45% defenderam a separação.
Pesquisas mais recentes mostram que o apoio à independência segue alto e 47% dos escoceses votariam pela saída caso um novo referendo fosse realizado hoje.
Na semana passada, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, chegou a dar sinais de que uma nova consulta poderia ser considerada caso houvesse apoio popular.
No entanto, ele voltou atrás da declaração pouco depois e esclareceu que outro referendo continua "fora de questão".
Na Irlanda do Norte, Michelle O'Neill e Mary Lou McDonald defenderam a realização de um referendo sobre a reunificação com a República da Irlanda.
McDonald afirmou esperar que essa votação aconteça até 2030. O tema é previsto pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, assinado em 1998.
O documento estabelece que um referendo pode ser considerado quando houver sinais claros de mudança na opinião pública.
Atualmente, pesquisas indicam que 36% dos eleitores norte-irlandeses apoiam essa mudança.
Na semana passada, Trump chegou a dizer que gostaria de ver uma reunificação da Irlanda durante uma viagem a Dublin:
"Bem, não quero causar problemas, mas vou dizer: eu adoraria vê-la unificada… Isso vai acontecer eventualmente... Acho que seria uma coisa fantástica", afirmou o presidente americano que está em crise com o Reino Unido.
Rhun ap Iorwerth afirmou que o futuro do país deve ser decidido pelos próprios galeses, mas evitou estabelecer um cronograma para um referendo.
"Sabe, eu prefiro deixar a questão do cronograma nas mãos do povo do País de Gales. O cronograma será definido pelo povo do País de Gales quando eles estiverem convencidos. Meu trabalho é convencer", afirmou.
Seu partido já descartou convocar uma consulta popular durante o primeiro mandato no poder.
Em vez disso, pretende ampliar a autonomia e criar uma comissão nacional para preparar possíveis planos futuros de independência.
O governo galês também busca receber novos poderes de Londres, incluindo competências sobre policiamento e justiça juvenil.
O governo de Andy Burnham respondeu afirmando que continua comprometido com a união entre as quatro nações do Reino Unido.
Segundo um porta-voz, a prioridade do governo é trabalhar em parceria com as quatro nações para melhorar as vidas da população local:
“A abordagem do primeiro-ministro… é baseada em parceria e colaboração. O governo do Reino Unido está concentrado em enfrentar as questões que mais importam para as famílias, incluindo aliviar a pressão sobre as finanças domésticas e proporcionar maior segurança econômica, em vez de se envolver em debates constitucionais ou novos referendos."
O primeiro-ministro deverá se reunir com os três líderes regionais ainda durante o próximo mês.