Proposta aprovada pela Câmara amplia a imunidade tributária de templos religiosos e entidades ligadas a igrejas para a compra de bens e serviços.

Uma igreja já não paga impostos sobre renda e patrimônio. Agora, a chamada PEC das Igrejas quer levar essa imunidade também para parte do consumo.
Na prática, a proposta permite que templos religiosos e entidades ligadas a igrejas deixem de pagar tributos embutidos na compra de bens e serviços necessários ao funcionamento de suas atividades.
A medida foi aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos e agora segue para o Senado. No primeiro turno, recebeu 385 votos favoráveis e 85 contrários. No segundo, foram 368 votos a favor e 96 contra.
O texto ficou conhecido como “PEC das Igrejas”, mas não trata apenas de templos. A proposta também alcança estruturas mantidas por organizações religiosas, como:
creches;
comunidades terapêuticas;
monastérios;
seminários;
conventos;
serviços de acolhimento institucional e atividades socioassistenciais sem fins lucrativos.
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Hoje, a Constituição já impede a cobrança de impostos sobre patrimônio, renda e serviços ligados à finalidade essencial de templos de qualquer culto.
A PEC estende essa proteção para compras feitas por igrejas e entidades religiosas, desde que os bens ou serviços sejam usados em suas atividades.
O exemplo usado por defensores da proposta é: se uma igreja compra um microfone para o culto ou material de construção para reformar o templo, esses itens poderiam ficar livres de tributos sobre consumo. O mesmo valeria para equipamentos destinados a uma creche mantida pela instituição.
O autor da proposta, deputado Marcelo Crivella, afirma que a imunidade já existe sobre renda e patrimônio, mas não alcança o consumo. Para ele, a PEC apenas faz com que a proteção constitucional funcione na prática.
Os defensores da proposta dizem que igrejas e entidades religiosas prestam serviços sociais que ajudam o Estado.
O relator, deputado Fernando Máximo, afirmou que o Congresso reconhece o papel “civilizatório, social e educacional” de igrejas, comunidades terapêuticas, creches, asilos e santuários.
Para ele, cobrar tributos sobre bens e serviços comprados com dinheiro doado por fiéis reduz a capacidade de atuação dessas instituições.
O líder do PT, Pedro Uczai, questionou se a regra poderia beneficiar compras de alto valor, como aviões, desde que declaradas como ligadas a atividades religiosas.
Ele também afirmou que a isenção pode aumentar a carga sobre o restante da população.
Com a reforma, o Brasil terá novos impostos sobre o consumo. Eles vão substituir tributos atuais e formar uma alíquota-padrão cobrada sobre produtos e serviços.
É nesse ponto que entra a crítica do Ministério da Fazenda. De acordo com o ministro Dario Durigan, se a PEC for aprovada, parte da arrecadação deixará de ser paga por igrejas e entidades ligadas a elas.
Para compensar essa perda, a alíquota geral poderia subir para os demais consumidores. Na avaliação da Fazenda, o índice passaria de 27,5% para 28,5%.
O governo estima impacto entre R$5,5 bilhões e R$7 bilhões por ano para União, estados e municípios. Já o relator da proposta havia falado em cerca de R$ 1 bilhão de renúncia fiscal anual.
Agora, a PEC segue para o Senado. Como altera a Constituição, precisa ser aprovada em dois turnos, com apoio de pelo menos três quintos dos senadores.
A discussão mostra que a presença religiosa no Brasil já não se limita aos templos. Igrejas e grupos ligados à fé passaram a ocupar espaço em debates sobre impostos, assistência social, eleições, cultura e poder público.
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