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O apelo de Tiba Camargos antes de uma cirurgia decisiva

Tetraplégico após salvar o filho de um afogamento, o influenciador pede à Anvisa autorização para receber a polilaminina durante a operação.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Tiba e Déia Camargos
Fonte da imagem: Reprodução

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Tiba Camargos ficou tetraplégico em fevereiro de 2025. Pulou num rio para salvar um dos seis filhos, que estava se afogando. Bateu a cabeça numa pedra e, desde então, só consegue mexer a cabeça.

Agora, ele e a esposa gravaram um vídeo pedindo mobilização. O motivo: uma cirurgia que pode ser a última chance de Tiba receber um tratamento experimental brasileiro.

A substância se chama polilaminina, desenvolvida ao longo de quase 30 anos de pesquisa pela professora Tatiana Sampaio, da UFRJ.

Um estudo publicado na revista científica Spinal Cord trouxe resultados de oito pacientes com lesão medular aguda.

Seis deles melhoraram pelo menos dois graus na escala que mede a gravidade da lesão, sem nenhum efeito colateral atribuído à substância.

Um desses pacientes, Bruno Drummond, tinha lesão cervical parecida com a de Tiba. Ele voltou a andar.

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Tiba não se encaixava nos requisitos para o tratamento

A principal questão sobre o tratamento é o tempo. Em janeiro deste ano, a Anvisa autorizou a fase 1 do estudo clínico. Mas os critérios são rígidos.

A lesão precisa ser torácica, entre as vértebras T2 e T10, e o acidente não pode ter passado de 72 horas até a aplicação.

Tiba não se encaixa em nenhum dos dois pontos. A lesão dele é cervical, e aconteceu há mais de um ano.

Segundo ele, enquanto aguardava a pesquisa ser autorizada, seu corpo "atravessou a fronteira invisível" entre ser um paciente agudo e se tornar um paciente crônico.

Existe outro caminho. É o chamado uso compassivo, previsto desde 2013, que permitiria acesso à substância mesmo fora dos critérios do estudo. Mas as duas ações judiciais que a família moveu pedindo essa exceção foram negadas.

A janela que a cirurgia pode abrir uma nova janela

Recentemente, médicos encontraram dois cistos na região da lesão de Tiba. Eles precisam ser removidos cirurgicamente.

Há um detalhe importante nisso. Ao abrir a medula para retirar os cistos, o procedimento recria tecnicamente uma nova lesão aguda.

"A polilaminina poderia ser aplicada no mesmo ato cirúrgico, com responsabilidade médica e acompanhamento. Só que a autorização precisa existir antes de ele entrar no centro cirúrgico".

Depois da cirurgia, essa janela se fecha. Talvez para sempre.

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Uma causa que já chegou ao Congresso

O caso ganhou repercussão nas redes. Chamou a atenção do deputado federal Nikolas Ferreira, que protocolou um ofício pedindo à Anvisa que avalie o pedido de Tiba e reveja os critérios do estudo, incluindo pacientes com lesões cervicais.

Segundo o próprio ofício, mais de 300 ações judiciais no país buscam acesso à substância fora dos critérios oficiais. Até o fim de agosto, nenhum paciente havia sido incluído no estudo clínico.

Tiba e Déia pedem que os seguidores compartilhem o vídeo e marquem a Anvisa, o Ministério da Saúde e a Comissão de Saúde da Câmara.

"Eu pulei naquele rio sem pensar duas vezes para salvar meu filho, e só peço que o Brasil não pense duas vezes na hora de salvar os seus", diz Tiba.

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