Era uma invasão? Navios militares invadiram águas espanholas durante crise migratória
Em meio à entrada de 72 mil refugiados em Ceuta, governo do Marrocos chegou a falar em assumir o controle da região.

No final de julho, o mundo se chocou quando mais de 72 mil imigrantes ilegais invadiram a ilha espanhola de Ceuta, próxima ao Marrocos.
Nesta segunda-feira (12), o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez afirmou que a marinha marroquina entrou nas águas espanholas sem autorização.
Ao menos uma fragata marroquina e lanchas de patrulha invadiram águas espanholas diversas vezes sem autorização, revelou o jornal El País.
Esses episódios quase colocaram os dois países em rota de colisão nas águas de Ceuta.
Uma fragata espanhola precisou ser acionada para interceptar a entrada dos navios de guerra.
Segundo a publicação, as incursões só chegaram ao fim após uma intervenção da Marinha Espanhola e do Ministério da Defesa.
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Primeiro-ministro usa tom apaziguador
Sanchez trouxe o caso à tona um dia antes da visita da família real a Ceuta, que aconteceu em 13 de outubro.
Enquanto relatava os incidentes, o primeiro-ministro usou um tom apaziguador, tentando destacar a importância da relação com o Marrocos:
"Temos que reconhecer que, entre dois países vizinhos, incidentes isolados como esse acontecem… Somos vizinhos. Foram dias intensos, mas a cooperação entre as marinhas continua tranquila, apesar desse incidente".
Nas palavras de Sánchez, a relação entre os dois países é “muito importante”. Ao longo de seu governo, ele trabalhou para manter as relações com o país.
O governo do Marrocos reclama a soberania sobre a ilha de Ceuta e Melilla há décadas e os pedidos se intensificaram durante a crise.
Em agosto, a diplomacia do país chegou a propor criar mecanismos de diálogo sobre o futuro da região.
Na ocasião, o ministro da Justiça, Abdellatif Ouahbi, falou em direitos “históricos e geográficos” sobre a região.
No entanto, a diplomacia espanhola negou a possibilidade de abrir mão dos territórios e reafirmou sua soberania.
Apesar disso, não existe confirmação de que o país estivesse diretamente por trás da crise migratória, mesmo com especulações generalizadas.
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