Relatório aponta que o efetivo da polícia marroquina na fronteira estava "claramente menor que o normal" durante a travessia em massa.

Milhares de pessoas foram às ruas na Espanha nesta quarta-feira (2). O motivo é uma crise que já dura mais de um mês e não parece ter fim.
Em Madri, mais de 50 mil pessoas se reuniram. Também houve protestos em Barcelona, Bilbao e na própria Ceuta, território espanhol no norte da África que se tornou o centro de tudo.
No fim de julho, mais de 70 mil imigrantes atravessaram a fronteira do Marrocos para Ceuta em apenas dois dias. Foi uma entrada em massa sem precedentes.
A maioria já retornou. No entanto, segundo autoridades locais, ainda restam mais de 10 mil pessoas espalhadas pela cidade. Entre elas há menores desacompanhados que vivem nas ruas, nas praias ou em acampamentos improvisados.
Cartazes com frases como "SOS Ceuta" e "Ceuta reaja". Bonés escritos "Make Ceuta Great Again", numa referência direta ao slogan de Donald Trump.
Muitos pediam a renúncia do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Outros exigiam a expulsão dos imigrantes que ainda estão na cidade.
"Nós temos que apoiar Ceuta. Ceuta é espanhola, não marroquina", disse Rocio Notario, moradora de Madri.
Em Ceuta, o grito era outro: "Ceuta não está à venda, Ceuta deve ser defendida."
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A tensão cresceu ainda mais depois que a imprensa espanhola revelou um relatório da polícia nacional. O documento aponta que o efetivo policial marroquino na fronteira estava "claramente menor que o normal" durante a travessia em massa.
O relatório não chega a acusar diretamente o governo do Marrocos de estar por trás da entrada em massa. Ainda assim, alimentou ainda mais as críticas contra a resposta do próprio governo espanhol à crise.
Em Madri, parte dos manifestantes entrou em confronto com a polícia de choque durante a noite, chegando a bloquear ruas e vias.
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