José Múcio usou a hipótese para defender mais verba à Defesa. Números mostram a distância militar entre Brasil e Estados Unidos.

O ministro da Defesa, José Múcio, disse que, se os Estados Unidos decidissem invadir o Brasil, a melhor opção seria “abrir o portão”.
A declaração aconteceu nesta terça-feira (4), durante um evento da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília.
Ele falava sobre a necessidade de ampliar os investimentos nas Forças Armadas quando citou uma pergunta que, segundo ele, jornalistas fazem com frequência.
“Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que é que o senhor faz como ministro da Defesa? Abro o portão”, disse.
Em seguida, explicou o motivo:
“Porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão.”
A fala foi feita em tom de brincadeira, mas levanta uma pergunta séria: qual é o tamanho da defesa brasileira diante da maior potência militar do mundo?
Múcio afirmou que o Brasil destina cerca de 1% do PIB para a Defesa. Segundo ele, o investimento é baixo para garantir previsibilidade, modernização e compra de equipamentos.
A comparação com os Estados Unidos mostra o tamanho da diferença.
A Câmara americana aprovou em julho um orçamento recorde de defesa de US$1,15 trilhão, cerca de R$5,8 trilhões. O texto ainda precisa passar pelo Senado.
Já o orçamento do Ministério da Defesa brasileiro gira em torno de R$145,7 bilhões. O valor representa cerca de 2,5% do montante aprovado pela Câmara dos EUA.
Em efetivo, o Brasil tem aproximadamente 360 mil militares na ativa, distribuídos entre Exército, Marinha e Aeronáutica. Já os Estados Unidos têm mais de 1,3 milhão
O ministro comparou ainda o investimento em defesa a um plano de saúde.
“A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar”.
A declaração ganhou peso porque ocorre em um momento de desgaste entre Brasil e Estados Unidos.
O governo Donald Trump anunciou novas tarifas contra produtos brasileiros, de 25% e 12,5%. Também revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio a atritos diplomáticos.
Outro ponto de tensão envolve a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo Lula avalia que esse tipo de medida pode abrir brecha para ações estrangeiras em território brasileiro.
Washington chamou essa leitura de “absurda”.
É nesse ambiente que Lula tem reforçado o discurso de defesa da soberania nacional. Ao mesmo tempo, o próprio presidente reconheceu que o Brasil não tem “aviões, tanques e nem o dinheiro” de potências como Estados Unidos e China.
Na convenção nacional do PT, Lula também pediu que a esquerda pare com a “bobagem” de não se preocupar com gastos em defesa. Citou os 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, os 8 mil quilômetros de fronteira marítima, a Amazônia e 12% da água doce do mundo..
A declaração de Múcio ganhou repercussão pelo tom irônico, mas também levantou uma questão concreta: qual é a capacidade de defesa do país diante de uma potência militar como os Estados Unidos?
O Exército Brasileiro divide opiniões. Para alguns, é o guardião da pátria. Para outros, a lembrança de períodos de repressão.
Mas, por trás das paixões políticas, existe uma história muito mais complexa: a de uma instituição que ajudou a moldar os rumos do Brasil.
Na série História do Exército no Brasil, a Brasil Paralelo apresenta essa trajetória com profundidade, contexto e imagens históricas.
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