Mensagens recuperadas pela investigação da Polícia Federal mostram proximidade entre Vorcaro e o procurador-geral da República. As respostas de Gonet chegavam por meio de um emissário. A PGR não comenta investigações sigilosas.

"Já estou com saudade de você! Estou embarcando para Roma." Essa mensagem é de Paulo Gonet, procurador-geral da República, a Daniel Vorcaro.
O conteúdo chegou ao banqueiro por meio de um emissário, o advogado Ciro Soares, que fazia a ponte entre os dois.
O relatório da Polícia Federal que revela essa troca teve o sigilo retirado hoje pelo ministro André Mendonça. E ele mostra um padrão de proximidade que vai além de mensagens formais.
No dia 15 de março do ano passado, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet. "Liga aqui. Ele quer falar com você".
Logo depois, aconteceram quatro chamadas de voz entre eles.
O motivo era um convite de degustação de uísque em Londres, organizada por Vorcaro. Gonet aceitou. Também aceitou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Os dois participaram do evento.
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Treze dias depois, veio a mensagem sobre a saudade. Soares repassava recados escritos pelo próprio Gonet, sempre com a notificação "encaminhada" visível no WhatsApp.
Vorcaro respondeu com um coração e pediu ao emissário: "Agradece muito o carinho. Saudade dele, vamos marcar estar juntos."
O advogado confirmou que Gonet "lhe adora" e reforçou a presença dele em Londres. Veio então outra mensagem do procurador: "Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan", numa referência ao uísque de luxo Macallan que Vorcaro ofereceria aos convidados.
Soares ainda perguntou se o filho de Gonet poderia ir junto. "Óbvio né", respondeu o banqueiro. Então Gonet elogiou Vorcaro: "Você é uma máquina kkkkkkk".
As trocas aconteceram no mesmo período em que o BRB comprava 58% do capital do Banco Master, negócio fechado em 28 de março de 2025.
Meses depois, em junho deste ano, foi o próprio Gonet quem rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro, dias depois de a Polícia Federal também ter recusado um acordo com o banqueiro.
Segundo o parecer do procurador, as informações oferecidas não traziam provas novas. Procurada, a PGR informou que não comenta investigações sigilosas.
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