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4 horas de depoimento: Daniel Vorcaro fala à PF pela primeira vez desde a prisão

Defesa afirma que Vorcaro respondeu a todas as perguntas e não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores investigados.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Daniel Vorcaro
Fonte da imagem: Reprodução

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Daniel Vorcaro passou mais de quatro horas respondendo perguntas da Polícia Federal nesta sexta-feira (28). Foi a primeira vez que ele falou desde que a Justiça decretou sua prisão preventiva, em março.

A audiência já tinha uma história de atraso. Estava marcada para quinta-feira (27), mas caiu por problemas na internet.

Foi remarcada e aconteceu por videoconferência, direto da carceragem da Papudinha, no Distrito Federal, onde Vorcaro está detido.

O foco da oitiva foi a relação de Vorcaro com dois ex-servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana.

Segundo a investigação, os dois teriam agido como uma espécie de canal interno do banqueiro dentro do BC.

Paulo Sérgio é apontado como uma espécie de "empregado" informal de Vorcaro. Bellini, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, é suspeito de atuar como consultor.

A suspeita é que ambos tenham recebido vantagens financeiras para favorecer o Banco Master durante o período em que a instituição enfrentava uma crise de liquidez e era fiscalizada pelo próprio Banco Central, processo que terminou na liquidação do banco.

Vorcaro negou ter recebido qualquer informação privilegiada.

  • A Brasil Paralelo investigou a teia criminosa em torno de Vorcaro com o documentário Raio X Banco Master. Clique aqui e acesse.

Duas propostas de delação negadas

Esse depoimento também marca outro momento importante no processo. Foi a primeira vez que Vorcaro foi ouvido depois de ter duas propostas de colaboração premiada rejeitadas, tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República.

Antes da prisão preventiva atual, ele já havia sido detido uma vez, na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.

Na ocasião, foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Em nota, os advogados de Vorcaro classificaram a audiência como a primeira chance real de o banqueiro se explicar.

"Daniel respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento”.

Segundo o comunicado, ficou demonstrado que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores citados na investigação.

A nota também deixa uma porta aberta. Vorcaro teria manifestado disposição para dar esclarecimentos mais amplos, mas sob uma condição: que lhe seja garantida a possibilidade de colaborar com a investigação, algo que, até agora, tanto a PF quanto a PGR recusaram.

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Leia a íntegra da nota da defesa:

“A Defesa de Daniel Vocaro vem a público esclarecer que, na data de hoje, lhe foi finalmente assegurada a primeira oportunidade de se manifestar diretamente sobre alguns dos fatos investigados e de responder aos questionamentos e insinuações que vêm sendo levantados a seu respeito.

Na ocasião, Daniel respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento. Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso. Daniel externou, ainda, sua plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar”.

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