Mensagens recuperadas pela investigação e reveladas pelo Estadão mostram perguntas de Vorcaro ao ministro do STF nos dias que antecederam sua prisão. As respostas de Moraes não foram recuperadas e as defesas ainda não se manifestaram.

Tudo começou em 4 de novembro de 2025. Foi nesse dia, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que Daniel Vorcaro perguntou a Alexandre de Moraes se "médio a grave seria busca ou quebra de sigilo".
Dali em diante, uma sequência de mensagens sugerem que o banqueiro buscou informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero, que investigava o Banco Master.
Em 5 e 6 de novembro, Vorcaro disparou uma série de perguntas ao ministro.
"Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade? Isso é Brasília? Sabe o tema? Está seguro ou tem que entrar agora urgente?"
A tensão cresceu no sábado, 15 de novembro. Foi nesse dia que Vorcaro perguntou se teria que sair do país.
"Acha que segunda já tenho que estar fora?", sobre deixar o país.
Na mesma mensagem, emendou outras três perguntas: "Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?"
A referência sugere ser Ricardo Augusto Soares Leite, juiz da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, responsável por assinar a ordem de prisão contra o banqueiro.
No domingo, 16 de novembro, um dia antes de ser preso, Vorcaro voltou a perguntar ao ministro.
"Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?"
Naquele momento, a ordem de prisão preventiva ainda não havia sido assinada. O decreto só seria formalizado às 15h29 do dia seguinte, horas antes de a Polícia Federal flagrar o banqueiro no Aeroporto Internacional de São Paulo.
Na manhã do dia 17, às 7h19, Vorcaro disse ao ministro que estava "tentando antecipar investidores" para fechar parte da venda do Master.
Avisou também que o tema "começou a dar uma vazada" e mencionou uma jornalista fazendo perguntas sobre o caso.
Às 17h26 daquele mesmo dia, perguntou mais uma vez: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?"
Quarenta e oito horas depois de perguntar se deveria sair do país, Vorcaro foi preso tentando embarcar em um jato particular com destino a Malta e, depois, a Dubai. Segundo investigadores, o objetivo era fugir do Brasil.
De acordo com o Estadão, as mensagens têm uma limitação técnica importante. Vorcaro e Moraes trocavam conteúdos em modo de visualização única, por meio de capturas de tela do aplicativo de notas.
Isso significa que só é possível recuperar o que o banqueiro escreveu, nunca as respostas do ministro.
Procurados pelo Estadão, tanto Alexandre de Moraes quanto a defesa de Vorcaro não se manifestaram sobre o conteúdo das mensagens.
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