Mensagens apagadas citam informações vindas do Banco Central e uma possível citação ao diretor da Polícia Federal (PF) e ao Procurador Geral da República.

Como já foi revelado antes, Daniel Vorcaro não usava apenas mensagens tradicionais para tratar de assuntos sensíveis.
De acordo com a Polícia Federal (PF), ele também utilizava o bloco de notas do celular. A suspeita é que esse método servia para dificultar o rastreamento de conversas com pessoas influentes.
A PF conseguiu recuperar novos arquivos apagados do aparelho e encontrou registros sobre o avanço das investigações contra o Banco Master.
O interlocutor dessas mensagens não foi identificado nos relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 21 de outubro de 2025, Vorcaro anotou o nome de cinco integrantes da PF que haviam participado de uma reunião sigilosa com funcionários do Banco Central (BC).
No mesmo arquivo, ele também cita dois nomes: Andrei e Paulo. Eles podem ser referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e a Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A Brasil Paralelo investigou a teia criminosa em torno de Vorcaro com o documentário Raio X Banco Master.
Nove dias depois, em 30 de outubro, o banqueiro usou novamente o bloco de notas.
Às 13h13, escreveu que mudaria sua ida a Abu Dhabi para conseguir encontrar o interlocutor “na terça-feira”. Em seguida, falou sobre a situação financeira do Master.
“As coisas aqui do ponto de vista econômico estão andando bem. Consegui colocar no banco 800mm já e devem entrar mais 400mm próxima semana”.

Vorcaro disse também ter recebido “informações informais” e “em confidência” de pessoas ligadas ao Banco Central. Segundo ele, “G e os diretores” estariam sob “pressão máxima” para tomar uma medida contra o banco.
A letra “G”, de acordo com a investigação, pode ser uma referência a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Vorcaro também escreveu que o BC estaria sendo pressionado pela PF e pelo Ministério Público, que alegariam estar prestes a fazer algo contra ele.
Foi nesse contexto que citou possíveis nomes de peso.
“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco”.
Andrei pode ser uma referência a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Paulo pode ser uma referência a Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A PF afirma que essas notas foram apagadas poucos minutos depois de serem registradas e só apareceram na extração dos dados do celular.
Vorcaro escreveu ao interlocutor
“Tudo de importante no final fica no seu colo”.
Depois, elogiou a pessoa: “Seu legado pro Brasil será eterno”.
Na mesma mensagem, disse ver “chance real de sair ainda mais forte” e afirmou que era preciso “bloquear essas sacanagens” porque havia “muita gente querendo que não dê certo”.

O bloco de notas recuperado pela PF também dialoga com outras mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
No registro, o banqueiro escreveu ao ministro Alexandre de Moraes:
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Moraes respondeu, mas o conteúdo das respostas não chegou a aparecer no material. As mensagens foram enviadas em modo de visualização única, recurso que apaga o texto depois que ele é aberto pelo destinatário.
Para a investigação, esse conjunto de registros mostra que Vorcaro usava formas diferentes de comunicação para tratar de temas sensíveis.
Nos dois episódios, aparece a ideia de tentar “bloquear” alguma medida relacionada ao avanço das negociações envolvendo o Banco Master.
A Brasil Paralelo investigou a teia criminosa em torno de Vorcaro com o documentário Raio X Banco Master.
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