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Comissão pede suspensão do presidente da Colômbia até o fim das eleições

Gustavo Petro está sendo acusado de interferir na disputa e pode ficar fora do governo até o segundo-turno.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Petro pode ser afastado do cargo
Fonte da imagem: Reprodução

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O ex-guerrilheiro e presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pode ser afastado temporariamente do cargo após uma decisão da Comissão de Investigação e Acusações da Câmara dos Representantes. 

A presidente da comissão, Glória Arizabaleta, determinou a suspensão do mandato até o dia 21 de junho, dia do segundo turno das eleições presidenciais no país.

A medida foi tomada em meio a uma investigação que apura uma suposta interferência no processo eleitoral

Segundo Arizabaleta, existem indícios de que o presidente participou de atividades políticas durante a disputa, o que é proibido pela lei colombiana.

Governo contesta a decisão

Autoridades do governo afirmam que a comissão não possui competência legal para afastar um presidente.

O ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, declarou que apenas o Senado poderia determinar essa medida após um processo formal.

Juridicamente, não existe a possibilidade de a Comissão de Acusações suspender o presidente, porque ela é uma comissão de instrução. Apenas o Senado pode fazer isso depois que o plenário da Câmara atue como órgão acusador”, afirmou em publicação nas redes sociais.

O ex-presidente do Senado Roy Barreras também criticou a decisão e afirmou que ela não deve produzir efeitos práticos

Segundo ele, a comissão atua apenas como órgão de investigação e não possui autoridade para afastar o chefe de Estado:

Como ex-presidente do Congresso em duas ocasiões, reitero ao povo colombiano que a Comissão de Acusações Legais NÃO tem autoridade para tomar uma decisão tão inconstitucional e, portanto, ela não terá efeito algum!”

Petro questiona o processo eleitoral

O primeiro turno das eleições estava acirrado entre o conservador Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, aliado de Petro.

A apuração inicial das urnas deu a vitória a la Espriella, que conseguiu 43,7% dos votos contra 40,9% para o outro candidato.

Em suas redes sociais, o presidente disse que não reconhece o resultado e esperará a confirmação oficial:

As urnas já contestadas demonstram que centenas de milhares de votos foram acrescentados sem a existência de eleitores que tenham efetivamente votado. Portanto, e em conformidade com a lei, os resultados vinculantes que o presidente considerará e aceitará serão os das comissões de apuração conduzidas pelos juízes da República”.

Ele também criticou o processo de pré-contagem e fez críticas aos irmãos Felipe, Camilo e Fernando Bautista, donos da empresa de tecnologia Thomas Greg & Sons.

A organização é uma das responsáveis pela contagem preliminar. Segundo Petro, foram acrescentados 800 mil votos na pré-contagem.

Cepeda também pediu esclarecimento diante da acusação de “votação atípica” e dos rumores de 800 mil votos a mais.

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Candidato vencedor defende o resultado

Diante dessas acusações contra o sistema eleitoral, o candidato vencedor pediu que os militares defendam o resultado:

“[Faço] Um chamado a Força Pública e ao Exército da pátria para que ativem o mecanismo constitucional no caso de que esse delinquente pretenda não reconhecer a vontade do povo colombiano”.

Ele também afirmou que o povo não tolerará qualquer tentativa de reverter sua vitória nas urnas:

Não se atrevam em insistir em não reconhecer os resultados das eleições, porque o povo vai se levantar e vai castigá-los”.

De la Espriella pediu que os EUA e outros países que acompanharam o pleito também se posicionem contra as acusações

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