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Católicos coroam Crânio de quase 2 mil anos na Itália

Vídeo mostra uma relíquia de Santa sendo venerada na Sicília durante celebração pelos 900 anos do retorno de seus restos mortais.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Crânio de Santa Agata
Fonte da imagem: Reprodução

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A cena parece estranha para quem vê fora de contexto. Um bispo segura um crânio diante de uma multidão e o beija.

Depois, o osso é colocado dentro de um busto, fechado e coroado durante uma celebração religiosa na Itália.

O vídeo circulou nas redes sociais nesta semana e chamou atenção justamente pelo choque da imagem.

Mas, em Catânia, na Sicília, aquilo não era uma cena isolada. Era parte de uma memória que atravessa quase dois mil anos.

O crânio pertence a Santa Águeda, uma jovem cristã que, segundo a tradição católica, morreu por volta do ano 251, durante a perseguição aos cristãos no Império Romano.

A cerimônia marcou os 900 anos do retorno dos restos mortais da santa à cidade.

De acordo com a tradição local, os restos mortais de Águeda foram levados para Constantinopla pelos bizantinos no século 11 e só voltaram à Sicília em 17 de agosto de 1126.

Na época, as relíquias teriam desembarcado em Aci Castello e seguido em procissão até Catânia. Nove séculos depois, a cidade voltou a encenar essa lembrança.

Quem foi Santa Águeda?

A história de Águeda começa no século 3. Segundo a tradição cristã, ela nasceu em 235, em uma família nobre, e decidiu ainda jovem dedicar a vida ao cristianismo.

O problema é que, naquele período, ser cristão podia custar a vida.

Em 250, o imperador Décio intensificou a perseguição aos cristãos. Águeda foi presa após se recusar a abandonar a fé. Ela foi torturada por ordem do Quinciano e teve os seios mutilados.

Depois, teria sido levada novamente à prisão. A tradição diz que, ali, recebeu a visita de São Pedro, que curou seus ferimentos.

Mesmo assim, Águeda voltou a ser pressionada a renunciar ao cristianismo. Não cedeu. Quinciano então ordenou que ela fosse morta sobre carvões em brasa.

A data tradicional de sua morte é 5 de fevereiro de 251.

Com o passar dos séculos, a santa se tornou protetora de Catânia. Sua história também foi ligada ao vulcão Etna.

Segundo a tradição local, um ano após sua morte, uma erupção ameaçou a cidade, e moradores levaram o véu da santa em direção à lava. O avanço teria parado.

É por isso que, para os moradores de Catânia, o crânio exibido no vídeo não é apenas um objeto antigo.

Ele está ligado à história da cidade, à memória de uma santa e a uma devoção que sobreviveu desde o tempo do Império Romano.

Para os católicos, existem pessoas que se tornam dignas de imitação: são os chamados santos.

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