Vídeo mostra uma relíquia de Santa sendo venerada na Sicília durante celebração pelos 900 anos do retorno de seus restos mortais.

A cena parece estranha para quem vê fora de contexto. Um bispo segura um crânio diante de uma multidão e o beija.
Depois, o osso é colocado dentro de um busto, fechado e coroado durante uma celebração religiosa na Itália.
O vídeo circulou nas redes sociais nesta semana e chamou atenção justamente pelo choque da imagem.
Mas, em Catânia, na Sicília, aquilo não era uma cena isolada. Era parte de uma memória que atravessa quase dois mil anos.
O crânio pertence a Santa Águeda, uma jovem cristã que, segundo a tradição católica, morreu por volta do ano 251, durante a perseguição aos cristãos no Império Romano.
A cerimônia marcou os 900 anos do retorno dos restos mortais da santa à cidade.
De acordo com a tradição local, os restos mortais de Águeda foram levados para Constantinopla pelos bizantinos no século 11 e só voltaram à Sicília em 17 de agosto de 1126.
Na época, as relíquias teriam desembarcado em Aci Castello e seguido em procissão até Catânia. Nove séculos depois, a cidade voltou a encenar essa lembrança.
A história de Águeda começa no século 3. Segundo a tradição cristã, ela nasceu em 235, em uma família nobre, e decidiu ainda jovem dedicar a vida ao cristianismo.
O problema é que, naquele período, ser cristão podia custar a vida.
Em 250, o imperador Décio intensificou a perseguição aos cristãos. Águeda foi presa após se recusar a abandonar a fé. Ela foi torturada por ordem do Quinciano e teve os seios mutilados.
Depois, teria sido levada novamente à prisão. A tradição diz que, ali, recebeu a visita de São Pedro, que curou seus ferimentos.
Mesmo assim, Águeda voltou a ser pressionada a renunciar ao cristianismo. Não cedeu. Quinciano então ordenou que ela fosse morta sobre carvões em brasa.
A data tradicional de sua morte é 5 de fevereiro de 251.
Com o passar dos séculos, a santa se tornou protetora de Catânia. Sua história também foi ligada ao vulcão Etna.
Segundo a tradição local, um ano após sua morte, uma erupção ameaçou a cidade, e moradores levaram o véu da santa em direção à lava. O avanço teria parado.
É por isso que, para os moradores de Catânia, o crânio exibido no vídeo não é apenas um objeto antigo.
Ele está ligado à história da cidade, à memória de uma santa e a uma devoção que sobreviveu desde o tempo do Império Romano.
Para os católicos, existem pessoas que se tornam dignas de imitação: são os chamados santos.
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