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Anvisa mantém a suspensão de produtos da Ypê. Veja quais lotes ainda estão proibidos

Empresa aguarda nova análise para itens fabricados em janeiro e fevereiro.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Detergentes Ypê
Fonte da imagem: Reprodução

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Depois de polêmicas envolvendo políticos e vídeos de pessoas bebendo detergente, o caso da Ypê ganhou mais um capítulo.

Isso porque, a Anvisa liberou parte dos produtos da marca, mas manteve a suspensão de lotes antigos.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 15. A medida atinge itens produzidos pela Química Amparo, dona da Ypê, e faz parte do processo iniciado após uma inspeção sanitária na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.

Segundo a Anvisa, a suspensão ocorreu após uma inspeção na fábrica da Ypê, realizada entre os dias 27 e 30 de abril. A agência identificou falhas no cumprimento das regras de fabricação para produtos de limpeza.

Produtos posteriores estavam dentro das normas

Depois disso, a empresa apresentou laudos à Anvisa. Os testes indicaram que os produtos fabricados após certas datas estavam dentro das normas.

Por isso, a agência liberou os desinfetantes e lava-louças feitos entre 1º e 31 de março de 2026. Os produtos fabricados a partir de abril já tinham sido autorizados.

No caso dos lava-roupas líquidos Tixan Ypê, a liberação vale para os itens fabricados entre 1º de abril e 7 de maio de 2026.

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Os lotes mais antigos seguem proibidos

Continuam suspensos os seguintes produtos:

  • Desinfetantes Bak Ypê e Pinho Ypê: todos os lotes com final 1 fabricados antes de 1º de março de 2026;

  • Lava-louças Ypê: versões Com Enzimas Ativas, Tradicional, Concentrado Ypê Green, Ypê Clear, Ypê Green e Toque Suave; todos os lotes com final 1 fabricados antes de 1º de março de 2026;

  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê: versões Combate Mau Odor, Cuida das Roupas, Antibac, Coco e Baunilha, Green, Express, Power Act, Premium, Maciez, Primavera e Tradicional; todos os lotes com final 1 fabricados antes de 1º de abril de 2026.

Para esses produtos, continuam suspensos o comércio, a distribuição e o uso.

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Relembre o caso

A crise começou em maio, quando a Anvisa determinou a suspensão de mais de 100 lotes de produtos da Ypê após encontrar falhas consideradas graves no processo de fabricação da unidade de Amparo.

Na ocasião, a fiscalização apontou 76 irregularidades sanitárias e risco de contaminação microbiológica nos produtos fabricados na planta industrial.

O caso ganhou mais atenção porque a empresa já havia registrado, em novembro de 2025, um episódio de contaminação microbiológica envolvendo a bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da linha lava-roupas.

A bactéria é comum no ambiente e pode ser encontrada na água, no solo e em locais úmidos. Em pessoas saudáveis, normalmente não causa problemas graves.

O risco maior é para pessoas com baixa imunidade, como pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, idosos e pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico.

Por isso, a Anvisa classificou as medidas como preventivas.

Como o caso virou uma disputa política?

A discussão ultrapassou o debate técnico sobre vigilância sanitária e ganhou dimensão política.

Nas redes sociais, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a defender a empresa e questionar a atuação da Anvisa.

O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, publicou vídeos usando produtos da marca e incentivando consumidores a comprarem itens da Ypê.

“Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira”.

Ele também disse que trabalhou na empresa e classificou a situação como “uma grande injustiça”.

Michelle Bolsonaro também chegou a publicar fotos nas quais aparece lavando a louça com o detergente.

Um ataque aos donos da empresa

O Deputado federal Nikolas Ferreira chegou a publicar um vídeo afirmando que a decisão da Anvisa configura perseguição política e questionou a motivação da fiscalização.

Um dos pontos levantados pelo deputado foi se a suspensão dos produtos teria como alvo real os donos da empresa, que doaram mais de R$1,5 milhão para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

"Será que isso pode ter sido feito para ajudar a concorrente?", questionou Nikolas em vídeo publicado nas redes sociais.

No vídeo, Nikolas lembra que o principal concorrente da Ypê é a Minuano, marca que pertence ao grupo dos irmãos Batista, os mesmos donos da JBS.

O deputado sugere que a suspensão pode ter sido pensada para beneficiar o conglomerado.

Em nota, a Ypê informou que apresentou à agência laudos de lotes com final 1 fabricados em janeiro e fevereiro de 2026 e espera nova liberação após análise.

A empresa também disse que consumidores com lava-roupas líquido fabricado até 31 de março de 2026, de lotes com final 1, devem entrar em contato com o SAC para troca ou reembolso.

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