Programa reúne arte, música e visitas a museus para pacientes em tratamento oncológico, sem sair do hospital.

No meio do rio Tibre, em Roma, existe uma ilha em forma de barco de pedra. Ali, dentro de um hospital fundado no século 16, médicos apostam há quatro anos em uma estratégia pouco convencional para tratar pacientes com câncer: aproximar a arte da rotina médica.
O Centro de Oncologia Terapêutica da instituição criou programas em que pacientes podem contemplar obras de arte em telas instaladas nas próprias salas de radioterapia.
Eles também podem usar óculos de realidade virtual durante os tratamentos e participar de visitas guiadas especialmente pensadas para eles em museus da cidade.
Segundo o professor Vincenzo Valentini, diretor do centro, a ideia não nasceu apenas com o objetivo de entreter os pacientes.
"Verdaderamente, os resultados terapêuticos melhoram no tratamento ao qual eles se submetem".
Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo.
Hoje, o hospital estuda se o uso mais participativo da arte também pode impactar diretamente a eficácia dos tratamentos contra o câncer.
Para Valentini, a motivação gerada pelo contato com a beleza é parte fundamental da recuperação dos pacientes.
"A arte ajuda, por meio da beleza, a encontrar motivação para compreender o que ocorreu e voltar a escrever essa nova página. Por isso entendemos que a arte é uma forma de cuidado terapêutico".
Segundo o médico, os benefícios aparecem tanto na condição física quanto na forma como os pacientes passam a encarar a própria doença.
"Alguns pacientes nos diziam: 'Professor, a doença é dura, o tratamento é duro, mas limparam meus óculos e agora vejo o que realmente importa na vida'".
Por meio do programa, pacientes podem conhecer, sem sair do hospital, desde as batalhas históricas do Coliseu até pinturas do Palazzo Colonna e as espécies de plantas do tradicional Jardim dos Laranjais da capital italiana.
Quem se sentir motivado também pode participar de visitas privadas a esses locais.
A equipe do centro também estuda personalizar as experiências de acordo com o perfil de cada paciente.
"Há pessoas mais emocionais, outras mais racionais, outras mais orientadas às relações. Por isso oferecemos diferentes formas de arte: obras visuais, música, dança... porque nem tudo agrada a todos os pacientes, e pode ser necessária uma personalização", explicou Valentini.
Para a equipe do hospital, o ambiente influencia diretamente na forma como o paciente vive o tratamento.
A instituição, fundada no século 16 pela Ordem de São João de Deus, é conhecida como "Fatebenefratelli", expressão que significa "façam o bem, irmãos".
No hospital da Ilha Tiberina, a beleza virou parte do tratamento. Mas essa relação entre estética e forma de enxergar o mundo vai muito além de um hospital em Roma.
O conceito e as formas da beleza mudaram ao longo da história, mas nada foi tão drástico quanto o impacto da modernidade. Se a beleza está nos olhos de quem vê, como estamos vendo o mundo hoje?
Assista ao primeiro episódio de "O Fim da Beleza".
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.