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Após muitos pedidos do povo, Dom Pedro I tomou uma decisão. Conheça o Dia do Fico

Redação Brasil Paralelo

Diretamente relacionado com a Revolução do Porto, o Dia do Fico marcou a história brasileira determinando a permanência de Dom Pedro I no Brasil. Ele era português, mas não quis voltar para o próprio país. O que o levou a preferir as terras brasileiras?

As consequências deste episódio refletem inclusive no processo de Independência. Conheça e entenda o Dia do Fico.

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O que foi o Dia do Fico?

O Dia do Fico é o momento em que Dom Pedro I decide ficar no Brasil, apesar das pressões que as Cortes Portuguesas faziam pelo seu retorno a Portugal. Correspondendo às aclamações populares, Dom Pedro I opta por se manter no Brasil e comunica sua decisão no dia 09 de janeiro de 1822.

Uma série de ocorridos desencadearam o Dia do Fico, que é um dos grandes responsáveis pela Independência do Brasil.

  • Quer aprender mais sobre o Dia do Fico e sobre a história do Brasil com os maiores especialistas no assunto? Assista agora o “Independência ou Morte”, capítulo IV da nossa série “Brasil — A Última Cruzada”:

Antecedentes do Dia do Fico

Na época da Proclamação da Independência, o Brasil já não era uma colônia, mas uma América portuguesa, um reino unido a Portugal. A fundação do Império marcou o fim da submissão à corte portuguesa.

Os brasileiros queriam ser independentes, conservando as províncias unificadas. As subdivisões do território brasileiro que precederam a divisão em estados foram chamadas de províncias. Foram criadas no período joanino e mantidas no Primeiro Reinado.

  • O Primeiro Reinado foi o período em que Dom Pedro governou o Brasil logo após ter proclamado a Independência. Conheça como se deu este processo.

As mudanças causadas pela presença da família real

As mudanças que levariam à independência estavam diretamente ligadas à vinda da família real ao Brasil. Com Dom João VI e sua corte residindo no Rio de Janeiro a partir de 1808, o estado tornou-se a capital do país.

O Rio era a sede do Reino e, portanto, passou por um processo de desenvolvimento urbano e cultural: os portos foram abertos às nações amigas e o comércio também prosperou. Como capital, era o centro unificador, o local da unidade do povo português.

Foi Dom João VI que elevou o Brasil de colônia à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Mas sua presença no Brasil começou a ser um problema, especialmente a partir de 1820.

Portugal passava por um processo que suscitava os temores de uma nova Revolução Francesa.

  • Quais foram os eventos que marcaram a Revolução Francesa? Veja todos eles nessa linha do tempo completa sobre a Revolução.

A Revolução Liberal do Porto e seu impacto sobre o Primeiro Reinado

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Em 24 de agosto de 1820, teve início a Revolução Liberal do Porto. Os portugueses realizaram uma Assembleia Constituinte em Lisboa, formando cortes. Queriam reorganizar Portugal como uma monarquia constitucional, seguindo padrões semelhantes aos da Revolução Francesa.

O medo da repetição do terror e do derramamento de sangue, vistos na França, assolava os portugueses.

Foram convocados os deputados portugueses e os deputados das províncias brasileiras. Os paulistas compareceram e levaram uma constituição completa para resolver o problema do Reino do Brasil e do Reino de Portugal.

Uma das sugestões foi que a corte transitaria entre a Europa e a América. Os brasileiros justificaram que o Brasil era muito grande e precisava da presença do rei para se manter unificado. Havia a ideia de criar uma liga de nações lusitanas.

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Reivindicações das Cortes Portuguesas

Os portugueses não aceitaram. Queriam um único poder central em Portugal. Não aceitavam nem mesmo a existência de um tribunal no Brasil, nem que houvesse unidade. O interesse deles era que as províncias fossem independentes e submetidas ao poder em Lisboa.

Basicamente, existiam duas exigências dos revolucionários:

  1. o retorno de Dom João VI a Portugal;
  2. a recolonização do Brasil.

Em Portugal, o crescimento do Brasil não era bem visto. O rei estava longe enquanto os portugueses viviam uma crise. Por isso, queriam a reversão das medidas tomadas em benefício do Brasil durante o período joanino.

Tropas portuguesas no Brasil exigiam que o rei aceitasse a Constituição que seria imposta pelas cortes e que Dom Pedro também regressasse a Portugal.

  • A história completa dos eventos da Revolução do Porto você encontra no Capítulo III “A Guilhotina da Igualdade”:

A decisão de Dom João VI

Dom João VI precisava decidir entre duas opções excludentes: ficar no Brasil ou voltar para Portugal. Ele decidiu voltar sozinho, deixando seu filho como regente, dizendo-lhe:

“Se for para perder o Brasil, que seja para ti e não para estes aventureiros”.

As elites econômicas do Brasil também viram o perigo de perder a presença do príncipe, já que, se ele partisse, o país poderia voltar a ser uma colônia.

A partir daí, um processo de Independência começou a ser elaborado, cujo líder era Dom Pedro.

Antes de partir, Dom João VI convocou eleições para eleger juntas governamentais nas principais províncias. Foi uma forma de ajudar o Reino do Brasil a manter a autonomia política diante da revolução das cortes.

Em 1º de janeiro de 1822, Dom Pedro recebeu um manifesto escrito por Bonifácio e subscrito por toda a junta paulista.

  • Patriarca da Independência, tutor de Dom Pedro II, José Bonifácio vários papéis desempenhou na história do Brasil. Conheça sua biografia.

Bonifácio alertava que o governo português queria impor um sistema de escravidão ao Brasil. Disse ainda que os paulistas estavam: 

“prontos a derramar a última gota do seu sangue e a sacrificar todas as suas posses para não perder o adorado príncipe”.

Os jornais da época chegaram a publicar essa carta para o conhecimento da população. Assim, a sociedade civil mobilizou-se para que D. Pedro permanecesse no Brasil.

O ambiente era de animosidade e guerra civil entre os fiéis ao príncipe e os fiéis às cortes. Frequentemente, portugueses e brasileiros entraram em combate, pois os brasileiros não queriam obedecer às cortes.

Havia pedidos de várias províncias e abaixo-assinados insistindo para que o príncipe regente permanecesse. Dom Pedro recebia cartas de líderes de províncias brasileiras para que os brasileiros não se tornassem servos de Portugal.

Bonifácio liderou a redação de um manifesto entre os paulistas que exigia a permanência do príncipe. As províncias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro também assinaram o manifesto.

Ao todo, foram 5.000 assinaturas clamando pela permanência de Dom Pedro. A população do Rio de Janeiro da época, capital brasileira, não passava de 60.000 habitantes. Foi o maior abaixo-assinado solicitando o fico de Dom Pedro I.

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Leopoldina, esposa de Dom Pedro, estava também contra as cortes portuguesas. Em suas cartas, demonstrava ser favorável à Independência e que queria ser a imperatriz do Brasil.

Tanto José Bonifácio quanto Leopoldina desejavam a permanência de Pedro no Brasil. Ambos acreditavam que, se o príncipe retornasse a Lisboa, o país não seria capaz de resistir ao furor revolucionário.

Uma das estratégias de Leopoldina era dizer que não poderia retornar a Portugal porque estava grávida.

As ameaças das cortes a Dom Pedro eram frequentes, e o príncipe oscilava entre as escolhas. A questão tornou-se irremediável quando as cortes dissolveram o governo brasileiro e ordenaram, mais uma vez, o retorno do regente.

Em meio a tudo isso, não era mais possível adiar uma decisão. Ele precisava decidir se iria ou não ficar.

Onde foi proclamado o Dia do Fico?

No dia 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I, do Paço Imperial no Rio de Janeiro, dirigiu-se ao público para proclamar sua permanência no país, no que ficou conhecido como “Dia do Fico”. Foi um forte símbolo que representava que o Brasil já não era mais de Portugal.

Dom Pedro I, na varanda do paço, diante da multidão que clamava pela permanência, anunciou seu fico e correspondeu às expectativas do povo. 

No momento em que Dom Pedro resolveu romper com Portugal, ele sentia-se já brasileiro. Enquanto isso, Portugal desejava retroceder os avanços da terra do regente. 

O apoio popular foi crucial para o Dia do Fico e para os eventos subsequentes.

Ainda não era o momento da separação oficial e total. Uma reconciliação era ainda vislumbrada, mas os acontecimentos não permitiram a manutenção da união.

Qual a influência do Dia do Fico na Independência?

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O Dia do Fico desencadeou eventos que tornaram irreversíveis a decisão de o Brasil separar-se de Portugal.

Poucos dias após o pronunciamento de Dom Pedro comunicando que permaneceria no Brasil, o Tenente-General Jorge de Avilez organizou suas tropas para dar um golpe e assumir o governo brasileiro. Ele acreditava que o príncipe era frágil.

O general português já havia tentado um golpe antes, mas depois de uma negociação com Dom Pedro, havia dado uma trégua ao príncipe.

Concentrando-se na Praia Grande, em Niterói, Avilez e suas tropas se fortificaram em um local estratégico. Percebendo a gravidade do ato, Dom Pedro reagiu enviando tropas do exército e de civis armados para combatê-lo.

Com mais uma vitória do príncipe, o general português e seus homens foram expulsos do Brasil.

Dom Pedro percebeu que precisava de aliados e nomeou Bonifácio para a Secretaria de Estado dos Negócios do Império e Estrangeiros, o que o tornou o primeiro brasileiro a ocupar um cargo ministerial.

Agora ministro, Bonifácio recomendou ao príncipe que fortalecesse os laços com as províncias e buscasse apoio para sua causa.

O Rio de Janeiro havia se declarado fiel ao príncipe e às suas decisões. Então, Dom Pedro partiu com sua comitiva para Minas Gerais.

Uma mulher no governo do Brasil

Antes de continuar a viagem, ele deveria nomear um substituto para ocupar a regência. Decretou assim que sua esposa, a Princesa Leopoldina, governaria em seu lugar. Pela primeira vez no Brasil, uma mulher comandou o país.

Ela governou antes mesmo de que o Brasil se tornasse verdadeiramente independente.

Dom Pedro continuava ganhando apoio da população rural e os fazendeiros saudavam o príncipe e sua comitiva por onde passavam. Ele estava viajando pelas províncias quando as mais novas reivindicações das cortes de Lisboa chegaram ao Brasil.

O Príncipe Dom Pedro havia sido rebaixado a delegado temporário. Os novos representantes do governo brasileiro seriam eleitos em Lisboa. As leis criadas no Brasil não seriam mais aceitas e quem desobedecesse estaria afrontando Portugal.

José Bonifácio concluiu que havia esgotado as possibilidades de conciliação. Ele considerou inevitável que o destino do Brasil envolvesse a ruptura com a coroa portuguesa.

Ele então enviou um mensageiro para entregar a Dom Pedro a carta que o informava da decisão pela Independência, que ele e Leopoldina haviam arquitetado no Conselho.

Tendo recebido a carta, Dom Pedro arrancou a braçadeira azul e branca que simbolizava Portugal e atirou-a no chão dizendo:

“Tirem suas braçadeiras, soldados! Viva a Independência, a liberdade e a separação do Brasil!”

O príncipe desembainhou sua espada, no que foi seguido pelos militares; os paisanos tiraram o chapéu, e Dom Pedro disse:

“Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil! Brasileiros! A nossa divisa de hoje em diante será – INDEPENDÊNCIA OU MORTE!”
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Qual a frase dita por Dom Pedro no Dia do Fico?

A famosa frase supostamente pronunciada por Dom Pedro no Dia do Fico é a seguinte:

“Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

Porém, segundo o escritor e especialista no assunto Paulo Rezzutti, Dom Pedro não teria dito esta frase diante do povo. Ela é uma construção posterior da memória do evento.

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