Resumo de O Príncipe de Maquiavel

Redação Brasil Paralelo
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“A soberania se conquista através da astúcia e da traição, conserva-se através da mentira e do homicídio, perde-se pela lealdade e pela compaixão”. Neste resumo de O Príncipe de Maquiavel, antigas estratégias serão vistas como muito atuais.

Este é um clássico que merece ser revisitado e estudado.

O que você vai aprender neste artigo?

  1. Quem foi Maquiavel?
  2. Em que contexto Maquiavel escreveu O Príncipe?
  3. Capítulos do livro O Príncipe;
  4. Resumo de O Príncipe de Maquiavel;
  5. É melhor ser mais amado do que temido ou mais temido do que amado?
  6. Críticas a Maquiavel;
  7. Anticristianismo em Maquiavel.

Quem foi Maquiavel?

Nicolau Maquiavel nasceu em 1469, na cidade de Florença. Foi secretário político no regime republicano depois que os Médicis perderam o poder. Nos tribunais, ele conheceu grandes líderes de seu tempo, servindo como diplomata e orientando os governantes florentinos na criação de um exército para proteger a república.

Quando os Médicis voltaram ao poder em 1513, após derrubarem a república, Maquiavel foi exilado. Durante este período, escreveu O Príncipe, A Arte da Guerra e História de Florença, além de romances históricos e poesias.

Como nunca mais recuperou o favor dos Médicis, morreu sem nenhum tostão em 21 de junho de 1527.

Em que contexto Maquiavel escreveu O Príncipe?

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Em 1500, Florença era considerada uma cidade livre por ser uma república e não uma monarquia. Entretanto, a família Médici não tinha representação republicana e queria concentrar o poder em si mesma.

Em 1512, a cidade foi invadida, quando houve até mesmo derramamento de sangue, e Maquiavel foi preso e exilado por ser um oficial republicano. Ele escreveu O Príncipe em 1513, durante seu exílio, mas sua obra não foi publicada até 1532, cinco anos após sua morte.

Em 1513, conformou-se com o fato de que Florença seria governada por um príncipe, e assim começou a buscar um meio de se aliar ao novo governante para conseguir uma boa posição e liberdade política.

Maquiavel não se tornou um conselheiro, mas deixou seu legado. Este resumo de O Príncipe condensa suas principais ideias. Ele mudou a forma de ver a política, tratando-a como uma estratégia para a manutenção do poder.

Para entender melhor não apenas o resumo, mas a obra em si, alguns conceitos-chave precisam ser esclarecidos primeiro.

Quem é “o Príncipe”?

Quando Maquiavel se refere aos príncipes e os aconselha, está se referindo aos monarcas, governantes, inclusive reis. São todos os que faziam parte de um governo hereditário concentrando poder em si mesmos.

Seu livro foi escrito com a pretensão de se tornar um manual para um governo eficiente e duradouro.

Será que o fim justifica os meios?

Esta frase não está escrita n’O Príncipe de Maquiavel, mas se tornou uma interpretação comum da obra como um todo. Dizer que os fins justificam os meios é dizer que, se for para manter sua autoridade, o governante pode fazer o que quiser em seus domínios.

O que é virtù e fortuna?

Virtù não é virtude no sentido clássico, no qual o homem luta pela excelência e não tende nem aos vícios dos excessos nem aos vícios dos defeitos, constituindo um meio termo.

Antes de ler o resumo de O Príncipe, é necessário entender que virtù é a habilidade e a inteligência para governar. Ele deve visar a harmonia e a paz em seu reinado.

Se um governante tem virtù, tem a capacidade de controlar e superar as dificuldades impostas a seu governo, criando estratégias para permanecer estável. Em alguns momentos precisará ser piedoso e bom, em outros será severo e cruel.

A fortuna está relacionada à ideia de acaso e de sorte. Os príncipes devem estar atentos à roda da fortuna, ora favorável ao seu governo, ora um obstáculo.

Por esta razão, o príncipe precisa estar sempre atento, desenvolvendo sua virtù para obter boas oportunidades mesmo que a roda da fortuna não lhe seja favorável.

Capítulos do livro O Príncipe de Maquiavel

  1. De quantas espécies são os principados e como são adquiridos;
  2. Os principados hereditários;
  3. Os principados mistos;
  4. A razão pela qual o reino de Dario III, ocupado por Alexandre, não se rebelou contra seus sucessores após a morte deste;
  5. De que modo devem-se governar as cidades ou os principados que, antes da conquista, possuíam leis próprias;
  6. Os principados conquistados com as próprias armas e qualidades pessoais;
  7. Os principados novos conquistados com as armas e virtudes de outrem;
  8. Dos que conquistaram o principado através do crime;
  9. O principado civil;
  10. Como medir as forças de todos os principados;
  11. Os principados eclesiásticos;
  12. Os tipos de milícias e os soldados mercenários;
  13. Os exércitos auxiliares, mistos e próprios;
  14. Os deveres do príncipe com suas tropas;
  15. As qualidades pelas quais os homens, sobretudo os príncipes, são louvados ou vituperados;
  16. A generosidade e a parcimônia;
  17. A crueldade e a clemência: se é melhor ser amado do que temido, ou o contrário;
  18. Os príncipes e a palavra dada;
  19. Como evitar o desprezo e o ódio;
  20. Se as fortalezas e muitas outras coisas cotidianas usadas pelos príncipes sejam úteis ou inúteis;
  21. Como um príncipe deve agir para ser estimado;
  22. Dos secretários que acompanham o príncipe;
  23. Como evitar os aduladores;
  24. Porque os príncipes da Itália perderam seus Estados;
  25. Quanto pode a fortuna influenciar as coisas humanas e como se pode resistir a ela;
  26. Exortação para retomar a Itália e libertá-la dos bárbaros.

Conhecer os capítulos é importante para ter uma visão geral da obra, o que também facilita a leitura do resumo de O Príncipe. Mesmo a leitura do índice, da contracapa, do prefácio e do posfácio dos livros é uma técnica de leitura recomendada por Mortimer Adler.

  • Ele foi o autor de Como Ler Livros. Leia o resumo deste clássico e descubra todas as outras técnicas que ajudam na leitura.
  • O Príncipe de Maquiavel está disponível em domínio público no formato PDF. Lembre-se de que o resumo deve ser lido após a leitura da obra completa, como uma forma de estudo.

Resumo do livro O Príncipe de Maquiavel

Quem-Foi-Maquiavel

O Príncipe apresenta ao leitor os detalhes dos principados da época. Maquiavel os dividiu em hereditários, civis ou eclesiásticos. A intenção da obra é ensinar aos príncipes como chegar ao poder e não perdê-lo, não perder seus territórios.

Maquiavel enfatizou a necessidade de se ter boas armas e boas leis, além de comandar e defender os principados mais fracos que estiverem em torno do território principal. Esta medida é preventiva, pois fortalece a fronteira contra possíveis inimigos.

Os principados hereditários são mais fáceis de governar. Eles já são vistos como sendo de famílias que têm direito ao poder.

Os principados novos são os primeiros de alguma família ou são recentes porque foram conquistados por outros estados que têm seus príncipes hereditários.

Neste caso, o principado é considerado misto.

“…as alterações nascem principalmente de uma dificuldade natural a todos os principados novos, que consiste no fato de os homens gostarem de mudar de senhor, acreditando com isso melhorar”.

Os principados novos encontram mais dificuldades para se estabelecerem, pois precisarão de apoio para manter o território conquistado.

Caso um cidadão particular se torne o príncipe de sua pátria, seu governo será chamado de principado civil. Será necessário uma grande astúcia, governando em benefício do povo e não dos poderosos. Se o povo for hostil, este abandonará o príncipe.

“Aqueles que, somente pela fortuna, de cidadãos particulares se tornam príncipes fazem-no com pouco esforço, mas com muito esforço se mantêm. E não encontram dificuldade no caminho porque passam voando por ele: mas todas as dificuldades surgem quando chegam ao destino”.

Os principados eclesiásticos são adquiridos por virtude ou pela fortuna e são mantidos pela religião. Permanecem fortes e estarão sempre no poder.

Além disso, não precisam ser defendidos, pois são considerados seguros e felizes. Nestes exemplos, o poder é aumentado com mais armas e mais virtudes.

Como o príncipe deve governar para permanecer no poder?

Para ganhar forças, o príncipe precisa considerar como inimigos todos aqueles que se incomodaram ou se ofenderam por terem sido conquistados. Será necessário reconquistar regiões rebeladas.

Não oprimir o povo é a regra de ouro para se manter no poder. Os súditos precisam ver o príncipe como alguém que promove a segurança e a estabilidade. O príncipe sábio se certificará de que o povo sempre precise do Estado e o veja como o provedor de suas necessidades.

Os problemas do Estado são como a tuberculose. Fácil de tratar no início, mas difícil de detectar. Com o tempo, o diagnóstico se torna mais fácil e o tratamento mais difícil. Por esta razão, é necessário prevenir a ocorrência de problemas.

Outro passo da estratégia de Maquiavel é não mudar os costumes, as leis e os impostos das províncias conquistadas por povos de costumes iguais. No entanto, os novos governantes terão dificuldades.

Para amenizá-las, será necessário habitar a província, dominar as desordens e estabelecer colônias.

Se o príncipe dá a seus súditos uma boa condição de vida, alimento e trabalho, ele é amado. E, se os súditos forem fiéis, deverão ser amados. Os que não aceitarem o príncipe devem ser empregados como conselheiros ou considerados inimigos.

Primeiro, o povo deve ser considerado amigo, e é melhor não o oprimir. O príncipe deve estar preparado para ver os cidadãos fugirem nas adversidades. Entretanto, se um povo espera o mal e recebe o bem, ele é mais fiel do que aquele que espera apenas o bem.

A liberalidade prejudica o príncipe se for usada de uma forma conhecida por todos, levando-o a ser desprezado e odiado. O que usa seu exército para saquear fortunas alheias é benquisto pelo povo.

O miserável é considerado correto, pois gasta pouco e não rouba seus súditos, sendo um defeito que colabora na manutenção do poder.

O príncipe deve manter sua palavra?

Maquiavel diz que não deve, caso isso lhe cause prejuízo ou quando a circunstância que o levou a prometer algo não exista mais. Para amenizar a palavra quebrada, será necessário desenvolver a habilidade de transformar o intelecto das pessoas e dissuadi-las de promessas outrora feitas.

O príncipe deve ser como a raposa, que sabe como escapar das armadilhas. Também deve ser como o leão, que sabe aterrorizar seus inimigos. Quando ser raposa ou ser leão vai depender das circunstâncias.

Não há razão para manter a palavra com os homens, porque eles são maus e igualmente não mantêm sua palavra. E mesmo que o príncipe mude, ele deve sempre parecer ter uma palavra que é como uma rocha.

Como conquistar principados que já tinham suas leis?

Em resumo, Maquiavel apresenta três formas:

  • Arruiná-los como a estratégia mais segura;
  • Habitá-los pessoalmente;
  • Criar gradualmente um governo, deixando os súditos com suas próprias leis.

Estados que possuíam outro príncipe governando são mais facilmente conservados. Os que foram conquistados com armas e fortunas de outros não são mantidos por causa da corrupção do exército e da sociedade que não possui alicerce; não é fortalecida.

Assim, estes governantes terão que se submeter à vontade de quem lhes concedeu o Estado. É um caso em que o príncipe não tem poder, pois quem comanda o Estado é o dono da fortuna.

Como usar a crueldade?

O governante deve agir difundindo a fama de ser cruel, já que os príncipes, em geral, querem manter um ar de piedade. Segundo Maquiavel, um bom príncipe não deve se preocupar se seus súditos o considerem cruel, pois isso os manterá unidos e fiéis.

Para sustentar a reputação de crueldade, ele cita os exemplos dos governantes que permitiram o nascimento da desordem por um excesso de piedade.

Os que alcançam o poder por meio de crimes não são celebrados como homens de virtude. Mas Maquiavel descreveu duas possibilidades para o uso da crueldade.

  • Se o crime for de extrema necessidade, a maldade é justificável se, depois disso, apenas o bem for praticado;
  • Se o crime se perpetuar, o príncipe faltará com escrúpulos.

O mal deve ser feito de uma só vez, e a bondade aos poucos. Os homens se lembram dos benefícios recentes mais do que de todo um mal infligido anteriormente.

A Itália do século XVI estava em péssimas condições por ter confiado suas forças às milícias e aos mercenários.

O amor é preservado pelo vínculo de obrigação, que é quebrado quando os homens o acham necessário. O medo mantém os súditos unidos por causa do medo do castigo, que não desaparece.

A importância do exército do príncipe

O objetivo principal do príncipe é cuidar da arte da guerra, de sua organização e disciplina. Os que não pensam na guerra perdem seu estado, os que pensam, tornam-se príncipes ou aumentam seu poder.

A organização das tropas deve acontecer pensando constantemente na guerra, sendo mantidas organizadas e treinadas. Nem mesmo em tempos de paz um exército deve estar ocioso.

A força de um principado deve ser medida de acordo com o poder de seu exército, ou seja, pela força de suas armas. Reinados com muita fortuna e muitos homens devem ter um bom exército.

Se o príncipe não tiver bons fundamentos, ele cairá na ruína. Poder e prestígio vêm das boas armas, que são uma condição para que existam boas leis. Maquiavel não recomenda o uso de tropas mercenárias e auxiliares, pois são desunidas, ambiciosas e infiéis.

As boas tropas dependem da presença do príncipe e da atuação como seu capitão. O perigo das tropas mercenárias é a covardia, e o das auxiliares é seu valor.

As tropas auxiliares não são boas, porque são chamadas para combater outro principado mais poderoso. Em caso de derrota, o principado estará arrasado. Porém, se vencer, ficará refém das tropas que o ajudaram.

As armas dos outros não só são danosas e prejudiciais, como também são motivos de vergonha e constrangimento. O principado não será seguro e estável se não estiver fundamentado em suas próprias forças.

É melhor ser mais amado do que temido ou mais temido do que amado?

O príncipe deve aprender a não ser muito bom e piedoso, assim como deve ser prudente e fugir dos vícios que o levariam a perder seu poder.

De acordo com Maquiavel, é melhor que o príncipe seja mais temido do que amado. Segundo ele, o governante temido mantém o povo em paz, unido e leal. É preferível que um indivíduo seja prejudicado do que todo o reino, por causa da fraqueza de um príncipe piedoso.

Os homens traem facilmente suas amizades e são bons quando lhes convém. A natureza humana é ingrata, inconstante e teme o perigo.

“Os homens têm menos receio de ofender a alguém que se faça amar do que alguém que se faça temer. […] Deve, porém, fazer-se temer de modo que, se não atrair o amor, afaste o ódio”.

Mas ser temido não é o mesmo que ser odiado. O melhor caminho é o do equilíbrio, com prudência e humanidade. É inteligente não ter demasiada confiança nas pessoas. O príncipe deve saber quando ser bom e quando ser mau, punindo com leis ou com violência.

“… deve um príncipe viver com seus súditos de forma que nenhum incidente, mau ou bom, faça variar seu comportamento: porque, vindo às vicissitudes em tempos adversos, não terás tempo para o mal, e o bem que fizeres não te será creditado, porque julgarão que o fizeste forçado…”

Para afastar o ódio, é preciso ser dissimulado, demonstrando um certo conjunto de habilidades, mesmo que o príncipe não as tenha. Maquiavel explica que é necessário parecer tê-las.

A postura do príncipe deve ser sempre a de um soberano com cinco qualidades:

  1. Piedoso;
  2. Fiel;
  3. Humano;
  4. Íntegro;
  5. Religioso.

Em caso de necessidade, agirá de forma contrária a estas qualidades.

“… deves parecer clemente, fiel, humano, integro, religioso – e sê-lo, mas com a condição de estares com o ânimo disposto a, quando necessário, não o seres de modo que possas e saibas como tornar-te o contrário”.

Para ser odiado pelo povo, será suficiente os bens de seus súditos, seduzir suas mulheres e desonrá-los. Se nenhuma dessas coisas acontecer, o povo viverá feliz.

Para ser amado, ele deve manifestar atos de grandeza e coragem em ações irrevogáveis.

“Nada torna um príncipe tão estimado quanto realizar grandes empreendimentos e dar de si raros exemplos”.

O povo também precisará de distrações, como festas e espetáculos. O Estado deve contar com os melhores e ter bons ministros. É imprescindível que haja confiança mútua entre o príncipe e seus ministros para a manutenção do poder.

Os conselheiros devem ser sábios e devem falar somente se solicitados. O príncipe, por sua vez, deve escutá-los e manter a prudência.

Mas os conselheiros não podem receber muito poder, pois o povo estará confuso sobre quem é seu senhor. A França, segundo Maquiavel, teve vários barões locais que faziam com que o rei tivesse pouca autoridade.

“… aquele que não detecta no nascedouro os males de um principado não é verdadeiramente sábio”.

Em suma, o príncipe deve estar constantemente atento quanto às armas, evitar a inimizade do povo e saber se defender dos grandes. Ao seguir estas instruções, seu principado não será perdido.

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Críticas a Maquiavel

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Olavo de Carvalho, em seu livro Maquiavel ou A Confusão Demoníaca, apontou severas críticas. A principal delas consiste na demonstração de que Maquiavel incorreu em uma paralaxe cognitiva.

Segundo o professor, Maquiavel não sabia quais seriam os meios para chegar ao poder, mas discursava como se soubesse. Sua verdadeira história aponta que ele sempre apostou no lado perdedor. Maquiavel nunca conseguiu estar ao lado dos que efetivamente venceram.

Escrevendo em particular sobre O Príncipe, Maquiavel disse:

“Não digo jamais aquilo em que creio, nem creio naquilo que digo – e, se descubro algum pedacinho da verdade, trato logo de escondê-lo sob tantas mentiras que se torna impossível encontrá-lo”.

Ele não é, entretanto, nem um simples imoralista vulgar, nem um realista científico, como pensam seus admiradores modernos. Nem pode ser considerado um límpido patriota, como os intérpretes italianos o celebram.

Ao longo do século XVI, a obra-prima de Maquiavel, O Príncipe, tornou-se extraordinariamente popular. No entanto, seu autor passou a ser visto como um exemplo imoral.

Maquiavel e o adjetivo maquiavélico tornaram-se sinônimos de ações ruins, que fundamentam a tirania estatal. Para esta defesa, a justificativa era a necessidade de manter a ordem, a segurança e a prosperidade.

Em 1564, no Concílio de Trento, O Príncipe foi até mesmo incluído na lista dos livros proibidos pela Igreja Católica.

Maquiavel era apenas um realista?

No final do século XVI, Maquiavel passou a ser visto como um filósofo com qualidades intelectuais admiráveis. Os leitores procuraram ver na obra uma descrição da tirania dos Estados em vez de um incentivo à mesma.

O Príncipe de Maquiavel é um clássico que provocou diferentes reações e interpretações.

Mas deve ser entendido que Maquiavel levou em consideração apenas o comportamento eventual de governantes da época. Usou isto como um modelo ao escrever e, por esta razão, sua obra não é um retrato integral da realidade.

Seus escritos influenciaram governos posteriores. Ditadores modernos se inspiraram em Maquiavel. Três exemplos notórios foram Mussolini, Hitler e Stalin.

Todos sustentaram uma ditadura em seus países, mas exacerbaram o nacionalismo, a defesa e o fortalecimento de seus estados e também adotaram uma conduta imoral e tirania para permanecer no poder.

O Príncipe é um discurso, não uma descrição da realidade

O Príncipe consiste em um projeto sem meios políticos para sua concretização. Impossível de ser realizado, a única forma de se propagar era através da escrita.

Nas palavras do Professor Olavo de Carvalho:

“O que este [Maquiavel] lança nas águas do futuro é apenas o anzol do discurso, para trazer à tona a nova era que jaz no fundo do mar das possibilidades”.

De acordo com Eric Voegelin, Maquiavel era um realista honesto. Não disfarçava a realidade do poder e tirania dos estados usando uma nova doutrina que buscava uma nova realidade.

Olavo de Carvalho, entretanto, entendeu que Maquiavel não encobria de fato a realidade da tirania dos estados, mas queria outra realidade.

Esta seria a prosperidade e a segurança dos principados através de ações de repressão reformuladas. Portanto, discorreu sobre possíveis práticas que os governantes deveriam adotar. Por exemplo:

  • Acentuação do poder armado;
  • Simulação dos fatos perante o povo;
  • Controle e defesa dos territórios vizinhos;
  • Treinamento de exércitos.

Devido a estas instruções, Olavo de Carvalho considera Maquiavel como um pseudo-realista. Maquiavel critica duramente os governos italianos e usou seus escritos para tentar influenciar o curso dos acontecimentos políticos.

Ele não sabia quais seriam as formas de governos que estariam em vigor no futuro, mas escreveu dois livros abordando dois sistemas diferentes:

  • O Príncipe dirige-se aos principados;
  • Discurso Sobre a Primeira Década de Tito Lívio dirige-se às repúblicas.

Olavo de Carvalho entendeu que Maquiavel os usou para dar instruções e fomentar uma Terceira Roma, julgada por ele como mais adequada.

As três Romas de Maquiavel

Maquiavel dividiu a história de Roma em três períodos.

A primeira Roma diz respeito ao antigo Império Romano, que entrou em decadência porque o povo e os governantes teriam permitido o crescimento da religião cristã.

A segunda Roma, por ser religiosa, estava condenada ao fracasso. Por causa do papa e dos cristãos, ela não estava propensa à guerra. A consequência é que não conquistou ordem territorial e poder.

A terceira Roma, idealizada por Maquiavel, seria capaz de conquistar, mesmo que precisasse instrumentalizar a religião para o Estado. Visando estas conquistas, ele deu instruções para que os príncipes governassem, treinassem seus exércitos, investissem em armas e leis, e tratassem seus governados.

“Maquiavel foi também um idealista utópico, e isto não só no seu pensamento político, mas na ausência quase completa de ligação consciente entre esse pensamento e a sua experiência pessoal mais direta e visível. O aparente realismo com que ele aceita as limitações da ação humana e descreve as misérias da política encobre não só o utopismo profético da Terceira Roma mas a absoluta incapacidade que o inventor dela tem de examinar sua invenção desde o ponto de vista da sua própria posição real na existência”.

A contradição de Maquiavel

Maquiavel instruiu os cidadãos comuns e civis a se tornarem governantes. Obviamente, ele mesmo não praticou o que recomendou, porque não chegou ao poder. E caso tenha tentado, não teve êxito, o que mostra que seu ensinamento é falho.

Maquiavel levou uma vida como um funcionário público de baixo escalão que perdeu seu posto por causa da publicação e suas obras, e também foi exilado.

Outra contradição notória está em uma de suas instruções. Ela envolve o problema da paralaxe cognitiva.

Os príncipes deveriam matar aliados-chave que os tivessem ajudado a chegar ao poder para evitar traições, já que eles poderiam fazer o mesmo por outros.

Ora, o próprio Maquiavel é o autor do plano que ajuda o príncipe a governar e, de acordo com o que ele mesmo escreveu, deveria ter sido um dos primeiros a morrer se o príncipe levasse a sério seus conselhos.

Anticristianismo em Maquiavel

Maquiavel pode ser considerado um anticristão. Em O Príncipe ele ignora a inspiração divina de Moisés, atribuindo sua vitória contra o faraó e a conquista da Terra Prometida à força das armas que possuía, ignorando o armamento superior do exército egípcio.

Maquiavel também trata o cristianismo como um obstáculo para o desenvolvimento da Itália e de sua chamada Terceira Roma. Esta é mais uma razão pela qual ele não é apenas um realista, um observador, mas um patriota.

Toda ciência política que partiu de Maquiavel é essencialmente a negação do conhecimento clássico, que via o Estado como instrumento do bem comum e a figura do governante como o primeiro servidor deste princípio, comprometido com a ordem justa, à luz da lei natural.

É imoral por causa da forma como ensina os governantes a se manterem no poder por meio da repressão, assassinato, dissimulação, crueldade e malícia. No entanto, ele não deixa de ser um cientista político, pois relaciona fatos históricos com o presente e ideias de realidade futura.

“Consciente do caráter radicalmente anticristão de sua utopia, Maquiavel, nos últimos instantes, confessa seus pecados, recebe o sacramento e morre no seio da Igreja, mas sem ter desmentido publicamente uma só de suas palavras”.

De acordo com Olavo, os escritos de Maquiavel visam conduzir a uma transição política, sendo esta uma transição “para o mal consciente, refletido, planejado e transfigurado em obra de arte”.

Maquiavel adaptado ao marxismo cultural

Em sua crítica, Olavo considera que Gramsci foi quem melhor compreendeu Maquiavel. Ele viu claramente que “o Príncipe” não era um indivíduo, mas uma elite revolucionária capaz de controlar e conquistar seus adversários impotentes.

O maquiavelismo está presente em jornais e canais de TV de todo o país, não apenas glorificando os ídolos da revolução comunista, mas demonizando seus adversários.

Um exemplo notório foi o Foro de São Paulo, que foi ocultado a fim de passar despercebido. As atrocidades genocidas dos regimes comunistas deixaram de ser noticiadas sistematicamente.

No mesmo período, os marxistas deram total apoio a todas as iniciativas de “revolução cultural” politicamente correta: abortismo, gayzismo, cotas raciais, liberação de drogas, etc.

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