Devido ao lançamento da série A Sétima Arte, não teremos os programas diários nessa semana. Retornaremos com a programação normal no dia 01 de novembro.

Resumo do livro 12 regras para a vida de Jordan Peterson – Um antídoto para o caos

Redação Brasil Paralelo
Redação Brasil Paralelo

O que você vai encontrar neste artigo?

Artigos novos direto no seu Email

Mantenha-se sempre informado com os conteúdos da Brasil Paralelo. Cadastre-se!

Este resumo do livro 12 regras para a vida foi escrito para ajudar os leitores de Jordan Peterson a compreenderem o livro. O método que Peterson utilizou une histórias, filosofia e psicologia. Para algumas pessoas, esta união de temas pode parecer desprovida de sentido.

Cada uma das regras foi resumida com exemplos e citações. É importante ler primeiro a obra original, e só depois utilizar o resumo como um instrumento para ajudar a memória.

Quem é Jordan Peterson?

Quem-e-Jordan-Peterson-o-autor-de-12-regras-para-a-vida-um-antidoto-para-o-caos

O Dr. Jordan B. Peterson é o autor do best-seller internacional 12 regras para a vida – um antídoto para o caos, livro resumido neste artigo. Ele ensinou mitologia a advogados, médicos e executivos, foi consultor do secretário-geral da ONU, ajudou seus pacientes clínicos a lidarem com depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade e esquizofrenia.

Juntamente com os seus alunos e colaboradores em Harvard e na Universidade de Toronto, o Dr. Peterson publicou mais de uma centena de artigos científicos, transformando a compreensão moderna da personalidade.

Seu primeiro livro, hoje um clássico, Maps of Meaning: The Architecture of Belief, revolucionou a psicologia da religião.

Em 2017, Peterson tornou-se um dos pensadores mais populares do mundo após décadas ajudando a seus clientes como psicólogo clínico e inspirando seus alunos como professor aclamado em Harvard e Toronto.

Suas palestras no YouTube abordam neurociência, psicologia, mitos, responsabilidade pessoal e o sentido da vida.

Condensando um pouco do que Jordan Peterson escreveu, este resumo de 12 regras para a vida apresenta um pouco do universo do autor.

Mas o resumo não supera a leitura do livro, porque Peterson aprofunda cada capítulo com exemplos e explicações únicas.

  • Os livros não são tão facilmente lidos. Mortimer Adler escreveu um conjunto de regras de leitura que nos ajudam a ler bem, a se lembrar do que foi lido e a realmente entender. Veja mais sobre isto no artigo que também é um resumo: Como ler livros?

Quais são as 12 regras para a vida?

As 12 regras para a vida, propostas por Jordan Peterson, são:

  1. Costas eretas, ombros para trás;
  2. Cuide de si mesmo como cuidaria de alguém sob sua responsabilidade;
  3. Seja amigo de pessoas que queiram o melhor para você;
  4. Compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje;
  5. Não deixe que seus filhos façam algo que faça você deixar de gostar deles;
  6. Deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo;
  7. Busque o que é significativo, não o que é conveniente;
  8. Diga a verdade. Ou, pelo menos, não minta;
  9. Presuma que a pessoa com quem você está conversando possa saber algo que você não sabe;
  10. Seja preciso no que diz;
  11. Não incomode as crianças quando estão andando de skate;
  12. Acaricie um gato ao encontrar um na rua.

Os títulos das regras são inusitados e divertidos. Eles não revelam tudo o que Jordan Peterson tem a oferecer, portanto, a leitura do resumo do livro 12 regras para a vida pode ajudar.

Cada uma das regras está resumida abaixo.

1 – Costas eretas, ombros para trás

Resumo-da-regra-das-lagostas-de-Jordan-Peterson-costas-eretas-ombros-para-tras

Para explicar esta regra, Jordan Peterson conta a história das lagostas que disputam território para explicar a neuroquímica da derrota e da vitória.

As lagostas foram escolhidas como exemplo precisamente por serem anteriores aos dinossauros. A escolha de Peterson evidencia um mecanismo físico que é anterior à cultura humana.

Quando uma lagosta vence uma disputa, ela adota uma postura imponente de vitória. Se perde, adota uma postura derrotada. A tendência é que as vencedoras continuem vencendo e sejam menos desafiadas. As derrotadas, por sua vez, continuam a perder e são vistas como alvos mais fáceis.

Qualquer pessoa que tenha observado crianças na escola sabe que aquela que sofre bullying, adota uma postura de inferioridade em relação àqueles que a atacam e continua a ser um alvo. Aquelas que revidam, por outro lado, tendem a deixar de ser um alvo de chacota, porque impõem medo.

Pessoas que agem como vítimas tendem a ter um temperamento compassivo e abnegado. As que são ingênuas e compassivas podem pensar que ninguém realmente quer ferir os outros. Este pensamento é um convite ao abuso, porque aqueles que pretendem causar danos preferem atacar quem pensa desta maneira.

Ele apenas usou a analogia das lagostas para explicar que as hierarquias de dominância são mais antigas do que as árvores. Já existem na natureza.

Se você se arrastar por aí com a mesma postura de uma lagosta derrotada, as pessoas vão lhe retribuir um status baixo, e a velha calculadora que compartilha com os crustáceos, repousa bem na base do seu cérebro, vai lhe atribuir um número baixo de dominância”.

Por esta razão, se há um pequeno número de pessoas muito mais bem sucedidas do que a maior parte da sociedade, disto não se deduz que a cultura tenha oprimido alguns e privilegiado outros.

É natural que os mais aptos continuem a conquistar, enquanto aqueles que desistem, continuem a perder.

Em lagostas, altos níveis de serotonina e baixos níveis de octopamina caracterizam as vitoriosas; o inverso, as derrotadas. No ser humano, do mesmo modo,  baixos níveis de serotonina significam menos felicidade, mais dor, ansiedade, doença e uma expectativa de vida mais curta.

Para Jordan Peterson, a parte ancestral do cérebro observa como as pessoas tratam um indivíduo. O indivíduo pode internalizar o tratamento que recebe e pensar em si mesmo como sendo de baixo ou alto valor.

Pessoas deprimidas tendem a pensar em si mesmas como inúteis e terão uma postura de pessoas sem ânimo, sem força, sem vontade.

Há muitas pessoas vivendo com maus hábitos que não favorecem, por exemplo, os níveis corretos de serotonina. Peterson recomenda que todos desenvolvam uma rotina, como acordar no mesmo horário, ter um café da manhã com gordura e proteína, e fazer exercícios físicos.

A postura também é uma manifestação da ordem interna das pessoas. Se a postura é ruim, ela não comunica aspectos de força interior. A postura encoraja que a pessoa desenvolva essa força.

Quando, externamente, a postura é digna, a pessoa busca naturalmente essa dignidade. A emoção é, em parte, expressão corporal, e pode ser amplificada (ou enfraquecida) por ela.

”Se você se apresentar como derrotado, as pessoas vão reagir a você como se fosse um perdedor. Se começar a se alinhar, elas olharão e tratarão de forma diferente”.
“Levantar a cabeça significa voluntariamente aceitar o fardo do Ser. Seu sistema nervoso reage de uma forma totalmente distinta quando você enfrenta as demandas da vida voluntariamente. Você reage a um desafio em vez de se preparar para uma catástrofe”.

Por que Jordan Peterson escolheu que uma das 12 regras para a vida deveria ser manter a cabeça erguida, as costas eretas e os ombros para trás?

Porque está ensinando as pessoas a transformar o caos da vida em uma ordem habitável, a assumir a responsabilidade de lutar contra os desafios em vez de fugir, a falar o que pensam e apresentar seus desejos como se fossem direitos.

Esta atitude leva os outros a verem uma nova figura, competente e capaz, que não tem medo de parecer perigosa.

2 – Cuide de si mesmo como cuidaria de alguém sob sua responsabilidade

Resumo-da-regra-2-cuide-de-si-mesmo-como-cuidaria-de-alguem-sob-sua-responsabilidade

Em inúmeros casos, as pessoas são mais cuidadosas na compra e administração de medicamentos para seus animais de estimação do que para si mesmas. Por que isso acontece?

Primeiro é preciso entender que o mundo apresenta a cada pessoa a dualidade do caos e da ordem.

O caos é o domínio da ignorância, o inexplorado. Em resumo, é tudo o que não conhecemos e não entendemos. A parte terrível, diz Peterson, é que ele envolve uma terrível liberdade.

A ordem, por sua vez, é como um território explorado, é a hierarquia, a organização, o ambiente de domínio, no qual se sabe e se entende. A ordem é definidora e por esta mesma razão pode envolver tirania se a uniformidade e a pureza se tornarem demasiado unilaterais.

Analogamente, o condado dos hobbits é a ordem, pois é pacífico, seguro e produtivo. O caos é o reino subterrâneo dos anões, tomado por um feroz dragão que esconde um tesouro.

Jordan Peterson, recuperando um pouco da psicologia simbólica, também afirma que a ordem está associada à masculinidade. Os homens ao longo da história têm sido os construtores de povoados e cidades, os engenheiros, pedreiros, marceneiros e operários de máquinas pesadas.

O caos, que é o desconhecido, está simbolicamente associado ao feminino. É do desconhecido que as coisas são feitas, por isso o caos é mãe. Por ser um campo inexplorado, é fonte de todas as possibilidades, ideias e é uma força avassaladora, assim como as mulheres costumam ser mães exigentes.

A tendência das mulheres para dizer não, mais do que qualquer outra força, foi o que moldou como evoluímos para criaturas vivas, engenhosas e com cérebros grandes”.

Para Jordan Peterson, todas as pessoas vivem com um pé fixado na ordem e na segurança; e o outro no caos, na possibilidade que se apresenta, no crescimento e na aventura.

Ordem e caos estão não apenas fora de cada um, mas dentro, uma vez que todos conseguem enxergar em si mesmos uma inclinação para o mal.

Uma vez que o mundo apresenta perigo e cada um também apresenta perigo a si próprio e aos outros pelo mal que pode fazer, Peterson pergunta aos pais que o leem:

Vocês querem fazer com que seus filhos estejam seguros ou que sejam fortes?”

Esta pergunta é motivada por uma realidade: não é possível proteger alguém de tudo. O mundo não é só ordem, é preciso enfrentar o caos da vida cotidiana. A consequência de tentar fugir do caos é inevitável.

Se fosse possível banir permanentemente tudo o que é ameaçador e perigoso (fonte de crescimento), outro perigo emergiria: o infantilismo e a inutilidade dos seres humanos.

Retomando o conteúdo de Gênesis, Peterson explica que a nudez que Adão e Eva descobriram, pode ser interpretada como a sua indignidade perante Deus. Eles perceberam sua pequenez.

As pessoas não cuidam de si próprias, é a resposta, porque tendem a pensar que não vale a pena cuidar de si mesmo, alguém tão:

indefeso, feio, envergonhado, assustado, sem valor, covarde, rancoroso, defensivo e acusador quanto um descendente de Adão”.

As pessoas são conscientes da sua finitude e mortalidade. Quando cada um descobre o que o faz sofrer, descobre também como fazer os outros sofrerem. É por isso que o homem é  o único capaz de infligir dor aos outros apenas para este fim. Voluntariamente, ele pode tornar tudo pior.

Se uma pessoa vai mal, isso traz consequências catastróficas para os outros.

“Cuidar de si mesmo da forma que cuidaria de alguém sob sua responsabilidade significa considerar o que seria realmente bom para você. Não é ‘o que você quer’. Também não é ‘o que o faria feliz’.

Toda vez que você dá um doce a uma criança, você a deixa feliz. Isso não quer dizer que deva dar apenas doces a elas. ‘Feliz’ de modo algum é sinônimo de bom”.

Jordan Peterson termina os conselhos deste entendimento com a sequência:

  • Você precisa saber onde está, para que comece a traçar o seu percurso;
  • Você precisa saber quem é, para que entenda suas armas e fortaleça a si mesmo no que diz respeito às suas limitações;
  • Você precisa saber para onde está indo, para que possa limitar a extensão do caos em sua vida;
  • Reestruture a ordem e traga a força divina da esperança para o mundo.

Por tudo o que foi explicado, a segunda das 12 regras para a vida é: cuide de si mesmo como cuidaria de alguém sob sua responsabilidade.

3 – Seja amigo de pessoas que queiram o melhor para você

Resumo-da-regra-3-seja-amigo-de-pessoas-que-queiram-o-melhor-para-voce

Peterson abre o capítulo com uma história de sua infância para enfatizar a importância dos amigos. Um deles era irritadiço, ressentido e sem esperança.

Na adolescência, seu amigo descobriu a maconha junto com outros amigos. Este conjunto específico não mudou de amizades e não mudou as circunstâncias de suas vidas.

“Quando as pessoas têm uma opinião negativa sobre seu próprio valor – ou, talvez quando se recusam a assumir a responsabilidade por suas vidas –, escolhem uma nova amizade precisamente do mesmo tipo que se provou causadora de problemas no passado”.

Segundo Freud, trata-se da compulsão à repetição, um desejo inconsciente de repetir os horrores do passado.

Outras possibilidade para a má escolha de amizades é típico na juventude: tentar resgatar alguém.

Há até mesmo aqueles que aumentam o próprio sofrimento na tentativa de provar aos outros que o mundo é injusto.

Ajudar alguém “na pior” envolve um risco. Em vez de puxar o necessitado para cima, aquele que ajuda pode ser puxado para baixo. É mais fácil a delinquência se espalhar do que a estabilidade, porque é mais fácil cair do que subir.

Muitos daqueles que querem ajudar os “caídos” também agem por narcisismo e vaidade, já que é fácil parecer virtuoso estando ao lado de um irresponsável.

Segundo Jordan Peterson, as pessoas se associam a outras que são ruins não porque é melhor, mas porque é mais fácil.

Ao encontrar alguém com problemas, deve-se saber que essa pessoa pode ter recusado o caminho para o topo por causa da dificuldade. Negar a responsabilidade pessoal por parte da vítima é negar-lhe a possibilidade de correção.

Em resumo, não adianta ficar ao lado de quem não quer melhorar, pois esta é uma condição para o progresso. Há muitos que vivem uma vida miserável apenas para poder bradar a todos que o mundo é cruel para eles. Tais amizades afundam outras.

“Se você tem um amigo cuja amizade não recomendaria à sua irmã, ao seu pai ou filho, por que teria tal amizade para si mesmo?”

A terceira, das 12 regras para a vida de Jordan Peterson, ensina a buscar amizade com pessoas que querem que as coisas melhorem. Estas pessoas não toleram cinismo e destrutividade e, portanto, elevam aqueles que estão com elas.

As que não almejam alto, são as que oferecem cigarros a ex-fumantes e álcool a ex-alcoólicos.

A imagem que ilustra o capítulo é a de Davi, de Michelangelo, imponente em sua perfeição. Sem dizer nada, ela diz a quem a observa: “você poderia ser mais do que você é”.

  • A escultura de Davi serviu de exemplo para outro assunto: As 4 causas aristotélicas. Se você gosta de filosofia, precisa entender este assunto.

4 – Compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje

compare a si mesmo com quem foi ontem

Em uma cidade pequena onde as pessoas não fazem muitas coisas diferentes, é fácil se destacar. A cidade onde Jordan Peterson cresceu era deste tipo.

Mas basta conectar-se à internet, com informações das bilhões de pessoas no mundo hoje, para descobrir que sempre haverá alguém com habilidades superiores, a ponto de fazer o indivíduo que mais se destaca em alguma coisa, em outro lugar, se sentir incopetente.

Uma das primeiras realidades que Peterson explica é que ninguém é igual em habilidades ou resultados. Nunca haverá tal igualdade, e sempre um número muito pequeno de pessoas será responsável por produzir quase tudo.

No entanto, sabendo que sempre haverá alguém melhor, não se segue que as pessoas devam tratar-se a si mesmas como seres irrelevantes.

Se algo pode ser feito, será feito da pior forma ou da melhor forma. Se alguém não tiver sucesso em alguma coisa, pode tentar outra. E se mudar o jogo não funcionar, cada um ainda tem a possibilidade de criar um novo jogo.

Pode ser que alguém por aí esteja supervalorizando o que não tem e subvalorizando o que tem.

Para Peterson, a pessoa que ouve sua voz crítica interna colocando-a para baixo corre um risco. A comparação desfavorável com alguém extraordinário em um domínio pode inibir a motivação das pessoas para qualquer coisa.

As pessoas terão mais esperança em alcançar um futuro melhor se ordenarem a forma como criticam a si mesmas em busca de aprimoramento. O trio do mal que prejudica a crítica interna é composto pela arrogância, falsidade e ressentimento.

Você seria capaz de comparar seu amanhã pessoal específico com seu ontem pessoal específico?”

O ideal é que cada um se concentre nas pequenas coisas,  querendo que algo seja melhor no final do dia  do que era pela manhã. O conselho de Peterson é ignorar a complexidade do mundo e concentrar-se nos assuntos particulares.

Não é possível olhar para tudo e se comparar com todos. Escolher um foco é olhar para algo específico e ignorar o resto.

Imagine que você esteja infeliz. Você não está conseguindo o que precisa. Ironicamente, isso pode se dar em razão do que você quer. Você está cego por causa do seu desejo. Talvez aquilo de que realmente precisa esteja bem na frente dos seus olhos, mas você não consegue ver por causa do que tem em foco no momento”.

É necessário que cada um esteja consciente de seus desejos a fim de articulá-los, priorizá-los e organizá-los hierarquicamente.

  • O que está me incomodando?
  • É algo que eu possa consertar?
  • Estaria eu de fato disposto a consertá-lo?

A quarta das 12 regras para a vida de Jordan Peterson tira o peso das costas das pessoas que se entristecem ao se comparar com quem é melhor do que elas. A solução é enfrentar a si mesmo, buscando crescimento diário e consciente, com foco.

Ser feliz ao realizar a jornada pode ser muito melhor do que chegar ao destino com sucesso”.

5 – Não deixe que seus filhos façam algo que faça você deixar de gostar deles

Resumo-da-regra-5-nao-deixe-que-seus-filhos-facam-algo-que-faca-voce-deixar-de-gostar-deles

Pais atenciosos não deixam os filhos birrentos e chatos, porque estes são fonte do desprezo de todos. Nenhum estranho, ou até familiares, quer a companhia de uma criança mal-educada.

De acordo com Peterson, o desejo dos pais de deixar seus filhos agirem em cada impulso sem correção produziu o efeito contrário. A criança foi privada de limites e de ser independente.

A imagem da criança imaculada é um ideal. Muitos pensam que é a sociedade que corrompe o ser humano, um legado da filosofia de Rousseau. A realidade, entretanto, mostra que as melhoram com o tempo e com a convivência social.

Um exemplo enfático é o bullying. É mais intenso nos pátios das escolas do que na sociedade adulta. O tempo tornou os seres humanos mais pacíficos. Já houve muito mais selvageria na história do mundo.

Por esta razão, as crianças não podem ser deixadas sozinhas, intocadas pela sociedade para florescerem com perfeição, porque elas não são apenas boas.

As crianças desandam de formas complexas se não forem treinadas, disciplinadas e encorajadas. Não fazer isso é colocá-las em risco de não prosperarem.

Jordan Peterson aponta um problema nos pais modernos: o medo de que os filhos não os apreciem por causa das correções e exigências.

No entanto, os pais são como os árbitros da sociedade. Eles não podem ser simplesmente amiguinhos dos filhos. A verdade é que os limites oferecem segurança e fomentam a criatividade.

A crença no elemento puramente destrutivo das regras e das estruturas é frequentemente combinada com a ideia de que as crianças farão boas escolhas sobre o horário de dormir e sobre o que comer se simplesmente permitirmos que suas naturezas perfeitas se manifestem”.

Se a criança não tiver limite, ela será cada vez mais ousada buscando algo que a faça parar. Sem considerar isto, muitos pais modernos temem duas palavras: disciplinar e punir.

A punição freia os comportamentos indesejados e a recompensa reforça os comportamentos desejáveis.

Para evidenciar o problema da superproteção dos filhos comumente vista hoje, Jordan Peterson recorda da história da Bela Adormecida.

  • Há diferentes dicas para ler livros que são de fantasia. Aprenda sobre isso no resumo de Como ler livros?

A pequena princesa amaldiçoada pela Malévola não foi ensinada a não tocar em agulhas de rodas de fiar. Seus pais preferiram esconder todas as rodas de fiar do reino. Isto tornou sua filha fraca e ingênua.

Este tipo de criança, quando cresce e tem o inevitável contato com a dor, o fracasso e a maldade, caem sem saber como agir, assim como a princesa caiu em um sono profundo.

O mundo social mais amplo, crítico e indiferente infligirá conflitos e punições muito maiores do que os provocados por um pai consciente. Você pode disciplinar seu filho ou delegar essa responsabilidade ao mundo cruel”.

Outro dever dos pais é garantir que os filhos satisfaçam as expectativas da sociedade civil. Ele crescerá e viverá em um mundo fora da família. Precisa ser uma pessoa agradável e competente.

Crianças que foram mal criadas têm mais dificuldade para fazer amigos e posteriormente conseguir e manter um emprego.

E quanto aos pais que rejeitam a punição física quando necessária?

Significa fomentar a ilusão de que adolescentes diabinhos surgiram magicamente a partir de crianças anjinhas”.

Um pai que não educa, está delegando o trabalho sujo de corrigir a outros, a estranhos.

Na quinta das 12 regras para a vida, Jordan Peterson resume os princípios que quer passar:

  1. Limite as regras;
  2. Use a força mínima necessária;
  3. Os pais deveriam estar sempre juntos;

Para ele, é o dever primário dos pais tornar seus filhos socialmente desejáveis.

Se as ações deles [os filhos] fazem com que você deixe de gostar deles, pense qual será o efeito delas em outras pessoas, que se importam muito menos com eles do que você”.
  • Se você é pai ou mãe e quer aprender sobre a educação domiciliar, não deixe de ler o artigo que explica os benefícios do homeschooling.

6 – Deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo

Pais atenciosos não deixam os filhos birrentos e chatos, porque estes são fonte do desprezo de todos. Nenhum estranho, ou até familiares, quer a companhia de uma criança mal-educada.   O que é homeschooling e como funciona? 8 benefícios. De acordo com Peterson, o desejo dos pais de deixar seus filhos agirem em cada impulso sem correção produziu o efeito contrário. A criança foi privada de limites e de ser independente.  A imagem da criança imaculada é um ideal. Muitos pensam que é a sociedade que corrompe o ser humano, um legado da filosofia de Rousseau. A realidade, entretanto, mostra que as melhoram com o tempo e com a convivência social.   Um exemplo enfático é o bullying. É mais intenso nos pátios das escolas do que na sociedade adulta. O tempo tornou os seres humanos mais pacíficos. Já houve muito mais selvageria na história do mundo.  Por esta razão, as crianças não podem ser deixadas sozinhas, intocadas pela sociedade para florescerem com perfeição, porque elas não são apenas boas.  As crianças desandam de formas complexas se não forem treinadas, disciplinadas e encorajadas. Não fazer isso é colocá-las em risco de não prosperarem.  Jordan Peterson aponta um problema nos pais modernos: o medo de que os filhos não os apreciem por causa das correções e exigências.   No entanto, os pais são como os árbitros da sociedade. Eles não podem ser simplesmente amiguinhos dos filhos. A verdade é que os limites oferecem segurança e fomentam a criatividade.  “A crença no elemento puramente destrutivo das regras e das estruturas é frequentemente combinada com a ideia de que as crianças farão boas escolhas sobre o horário de dormir e sobre o que comer se simplesmente permitirmos que suas naturezas perfeitas se manifestem”.  Se a criança não tiver limite, ela será cada vez mais ousada buscando algo que a faça parar. Sem considerar isto, muitos pais modernos temem duas palavras: disciplinar e punir.  A punição freia os comportamentos indesejados e a recompensa reforça os comportamentos desejáveis.  Para evidenciar o problema da superproteção dos filhos comumente vista hoje, Jordan Peterson recorda da história da Bela Adormecida.  Há diferentes dicas para ler livros que são de fantasia. Aprenda sobre isso no resumo de Como ler livros?  A pequena princesa amaldiçoada pela Malévola não foi ensinada a não tocar em agulhas de rodas de fiar. Seus pais preferiram esconder todas as rodas de fiar do reino. Isto tornou sua filha fraca e ingênua.  Este tipo de criança, quando cresce e tem o inevitável contato com a dor, o fracasso e a maldade, caem sem saber como agir, assim como a princesa caiu em um sono profundo.  “O mundo social mais amplo, crítico e indiferente infligirá conflitos e punições muito maiores do que os provocados por um pai consciente. Você pode disciplinar seu filho ou delegar essa responsabilidade ao mundo cruel”.  Outro dever dos pais é garantir que os filhos satisfaçam as expectativas da sociedade civil. Ele crescerá e viverá em um mundo fora da família. Precisa ser uma pessoa agradável e competente.  Crianças que foram mal criadas têm mais dificuldade para fazer amigos e posteriormente conseguir e manter um emprego.  E quanto aos pais que rejeitam a punição física quando necessária?  “Significa fomentar a ilusão de que adolescentes diabinhos surgiram magicamente a partir de crianças anjinhas”.  Um pai que não educa, está delegando o trabalho sujo de corrigir a outros, a estranhos.  Na quinta das 12 regras para a vida, Jordan Peterson resume os princípios que quer passar:  Limite as regras; Use a força mínima necessária; Os pais deveriam estar sempre juntos; Para ele, é o dever primário dos pais tornar seus filhos socialmente desejáveis.  “Se as ações deles [os filhos] fazem com que você deixe de gostar deles, pense qual será o efeito delas em outras pessoas, que se importam muito menos com eles do que você”.  Se você é pai ou mãe e quer aprender sobre a educação domiciliar, não deixe de ler o artigo que explica os benefícios do homeschooling.  6 – Deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo

No início do capítulo, Jordan Peterson cita vários exemplos de homicidas e suicidas. Citou pessoas que questionam o valor da existência humana e a odeiam. Colocam-se como juízes da realidade e decidem matar em escolas e cinemas.

O que há em comum nas pessoas que cometem assassinatos em massa e depois se matam?

Normalmente foram pessoas feridas no passado. Começaram odiando quem as fez mal. O ódio cresceu e se estendeu à humanidade. Mas isso não motivaria tantas mortes. Para algumas dessas pessoas, o próprio Deus, criador da ordem, havia se tornado o foco.

Culpar a Deus é culpar a realidade. E se a realidade é a culpada, não há responsabilidade pela mudança a nível individual.

Mas este não é o único caminho.

As pessoas que experimentam o mal podem certamente desejar perpetuá-lo, dando o troco adiante. Mas também é possível aprender o bem ao experimentar o mal”.

Não sendo capaz de mudar um passado ruim, ou a estrutura do mundo real, é possível mudar a estrutura da própria vida.

Alexandre Soljenítsin é um exemplo. Ele foi aprisionado em um campo de trabalho soviético. Foi preso, surrado e lançado na prisão pelo próprio povo. Depois foi acometido de câncer. Sua vida foi mais miserável por causa de Stalin e Hitler.

Em vez de culpar a Deus e aos outros, ele agiu como o autor de sua vida. O resultado foi expresso no livro Arquipélago Gulag, que destruiu total e definitivamente a credibilidade intelectual do comunismo, como uma ideologia ou sociedade.

A decisão de um homem em mudar sua vida, em vez de amaldiçoar o destino, balançou todo o sistema patológico da tirania comunista até seu âmago”.

Tudo isso para uma conclusão simples: todos sofrem.

Mas a pergunta que Peterson faz é: Você arrumou a sua vida?

  • Comece a parar de fazer o que você sabe que é errado;
  • Faça apenas as coisas das quais você possa falar com honra;
  • Não culpe o capitalismo, a esquerda radical ou a iniquidade de seus inimigos;
  • Tenha um pouco de humildade;
  • Não reorganize o Estado até que você tenha ordenado sua própria experiência.
Se você não pode levar paz para sua casa, como ousa tentar governar uma cidade?”

A conclusão da sexta das 12 regras para a vida é que com uma vida menos corrupta, mais honesta consigo mesmo e mais forte, é possível começar a pensar em mudar o mundo.

Além desse artigo resumindo o livro, veja também os comentários do professor Guilherme Freire sobre o tema:

7 – Busque o que é significativo, não o que é conveniente

Resenha-da-regra-7-busque-o-que-e-significativo-nao-o-que-e-conveniente

Fazer apenas o que dá prazer e é conveniente significa ser guiado pelos impulsos: mentir, trair, furtar, enganar e manipular, entre outros.

Peterson explica que o prazer da conveniência pode ser passageiro, mas ainda assim é algo que se contrapõe ao terror e à dor da existência.

É preciso aprender uma máxima verificável por qualquer um. Algo melhor pode ser obtido no futuro ao se abrir mão de algo de valor no presente. Esta é a noção de sacrifício.

  • Aqueles que não conseguem realizar estes sacrifícios podem se tornar viciados mais facilmente. Entenda mais sobre isto no artigo sobre vícios e compulsões.

Os seres humanos perceberam que mudar o comportamento no presente – trabalhando, estudando, sofrendo, moldando-se – pode trazer recompensas no futuro.

Outra coisa aprendida foi que maiores sacrifícios trazem ganhos maiores. Isto é adiar o prazer de forma útil.

A Pietá de Michelangelo é a imagem do sacrifício da mãe, ofertando seu próprio filho ao mundo. A dor e o sofrimento definem o mundo. Mesmo assim há quem tente fugir disso.

“Mas sacrifício – e trabalho – serve para manter o sofrimento afastado de forma muito mais eficiente do que o prazer impulsivo em curto prazo”.

O maior exemplo de sacrifício por um bem é o de Jesus Cristo. Ele foi aquele que enfrentou o mal de forma consciente e voluntária, determinado a assumir a responsabilidade pela total depravação humana, dando sua própria vida.

Satanás, por outro lado, é a personificação da recusa ao sacrifício.

O cristianismo teve êxito no mundo ao introduzir a forte noção de sacrifício pessoal e abnegação em favor do outro.

“A sociedade produzida pelo cristianismo era muito menos cruel do que as pagãs”.

Jordan Peterson esclarece que foi após a morte de Deus que os grandes horrores do comunismo e do fascismo se espalharam. Dezenas de milhares morreram sacrificados por novos dogmas e ideologias.

  • Veja como as ideologias podem trazer o caos à sociedade assistindo à minissérie As Grandes Minorias.
“Se trabalha para o enobrecimento do Ser, para o estabelecimento do Paraíso, então é Cristo. Se trabalha para a destruição do Ser, para a geração e propagação de dor e sofrimento desnecessários, então é Satanás. Essa é a realidade arquetípica inescapável”.

É conveniente seguir os impulsos, ser egoísta e buscar o ganho a curto prazo. Por esta razão, é melhor usar o tempo para deixar as coisas melhores no futuro. Esta é a razão pela qual Jordan Peterson colocou como uma das 12 regras para a vida a busca do que é significativo e não do que é conveniente.

8 – Diga a verdade. Ou, pelo menos, não minta

Resumo-da-regra-8-de-Jordan-Peterson-diga-a-verdade-ou-pelo-menos-nao-minta

Quando Jordan Peterson percebeu que uma inverdade produz consequências indesejadas, mesmo que dita com boa intenção, começou a dizer a verdade –  ou pelo menos não mentir.

Muitas pessoas tentam manipular o mundo para obter o que querem. É uma mentira. Manipular a realidade pela percepção, pelo pensamento é permitir que exista apenas um resultado minuciosamente desejado e predefinido.

A mentira cresce e evolui para orgulho. O indivíduo acaba pensando que o que sabe é tudo o que precisa ser sabido.

Ideólogos fazem isso. O governo é o culpado, a imigração, o capitalismo, o patriarcado. Ideólogos mentem tentando explicar tudo seguindo esta ótica fechada e passam a acreditar que podem refazer o mundo quando, na verdade, a própria vida deveria ser assumida.

Sobre a autenticidade, o conselho de Jordan Peterson é:

“Se você disser não ao seu chefe, seu cônjuge ou sua mãe quando for necessário dizê-lo, então se transforma em alguém que consegue dizer não quando é preciso. Porém, se você disser sim quando é necessário dizer não, você se transforma em alguém que só consegue dizer sim mesmo quando claramente é o momento de dizer não”.

O acima exposto mostra que o caráter de uma pessoa enfraquece quando ela não diz a verdade. Mentes orgulhosas tentam esconder seu erro usando a mentira.

Alguns culpam o mundo e as pessoas, não a si mesmos, quando o que eles queriam não acontece. Recusam-se a serem verdadeiros consigo mesmos.

Algo drástico surge a partir disso. Indivíduos desonestos e inautênticos são precursores do totalitarismo. Os cidadãos soviéticos, por exemplo, negaram o sofrimento que o Estado impunha. Quem mente, sabe que mente. É que a mentira corrompe a alma.

O exemplo comunista retrata o extremo. O não reconhecimento da impossibilidade de fazer um paraíso na terra conduziu a milhares de mortes. Milhares de vidas específicas sacrificadas pelo coletivo e por uma utopia.

Basta entender que o que salva é a disposição de aprender com o que não se sabe, em vez de apegar-se a uma ideologia e tentar impô-la.

Os movimentos totalitários delegaram a si mesmos a função de criar o sistema perfeito para ser implementado no mundo. Cegaram-se, fecharam-se, não foram verdadeiros ao saber que não sabiam tudo.

“Você tem uma direção, mas pode estar errada. Você tem um plano, mas pode ter sido mal formulado”.

De acordo com Jordan Peterson, é responsabilidade de cada um enxergar o que está à sua frente e aprender com isso, mesmo que seja algo horrível. Não é de admirar que Nietzsche diga que o valor de um homem é determinado pela quantidade de verdade que ele é capaz de tolerar.

A parte mais importante de “não mentir” é não mentir para si mesmo. Um totalitarista não se pergunta onde ele errou.

Mentir gera vergonha. Devido à vergonha, o risco é desenvolver um pensamento distorcido e depois mais mentiras para encobrir as consequências do pensamento distorcido.

“Se sua vida não é o que poderia ser, experimente dizer a verdade”.

Jordan Peterson encerra a oitava das 12 regras para a vida dizendo que o Paraíso só pode ser um Paraíso porque nele todos dizem a verdade.

9 – Presuma que a pessoa com quem você está conversando possa saber algo que você não sabe

Presuma-que-a-pessoa-com-quem-esta-conversando-possa-saber-algo-que-voce-nao-sabe

Uma das primeiras experiências que Jordan Peterson compartilha na abertura do capítulo é que ouvir se trata de prestar atenção. Com tantos anos de atendimento aos pacientes, ele diz que é impressionante o que as pessoas dizem quando encontram alguém disposto a ouvi-las.

E quando a outra pessoa encontra alguém que a ouça, até mesmo diz o que há de errado consigo mesma. Pode dizer como pretende corrigir-se e, porque o está dizendo, isso realmente ajuda a corrigi-lo.

Ele aponta que muitos psicoterapeutas enviesados, mal deixam seus pacientes falarem e já assumem uma causa para o transtorno em questão. Desta forma, os fatos da vida das pessoas são ajustados para se enquadrarem nas teorias que estes profissionais trazem consigo.

O exemplo é o do abuso sexual. Muitos freudianos convencem seus pacientes a se lembrar que foram, na verdade, abusados.

Curiosamente, não é raro que uma pessoa crie uma memória, lembrando-se do que de fato nem mesmo aconteceu.

Mas a finalidade da memória não é apenas recordar o passado, é também impedir que a mesma coisa aconteça no futuro.

Um dos desejos que Peterson expressa é que os pacientes deixem o consultório sem carregar a ideologia do psicólogo, psiquiatra ou psicoterapeuta que os atendeu. É mais importante que cada um aprenda a pensar, porque isso é difícil.

“Para pensar, você precisa ser pelo menos duas pessoas ao mesmo tempo. E então precisa permitir que essas pessoas discordem. […] O pensamento é o processo pelo qual esses avatares internos imaginam e articulam seus mundos uns para os outros”.
  • Isto está relacionado à leitura sintópica, o método mais avançado de leitura de livros.

Pensar envolve conflito interno, envolve trocar ideias, mudar premissas e ajustar pensamentos e percepções do mundo. Isto pode ser doloroso. Esta é a razão da fala.

Para quem verbaliza o que pensa, encontrar um ouvinte é encontrar um colaborador e um oponente. Basta estar lá para ouvir. A fala de quem se expressa já se encarregará de fazê-lo colocar um pensamento contra o outro.

  • Quem ouve, reflete a voz da multidão;
  • Quem fala, escuta a si mesmo.

Peterson exemplifica isto com um caso de um paciente que começa dizendo “Eu odeio minha mulher” e termina reconhecendo que não distinguia adequadamente entre sua mãe e sua esposa, além de personificar a maneira de agir de seu pai, com quem tinha conflitos. Ele percebeu isso ao falar na frente de alguém que o ouvia e sendo sincero consigo mesmo.

“Você pode ser muito inteligente se conseguir apenas calar a boca”.

O problema é que as pessoas não têm ouvido umas às outras, elas têm se julgado. Uma estratégia apresentada é criar o hábito de resumir o que o outro disse, usando suas próprias palavras, perceber se realmente entendeu, e então falar.

“Se conseguir ser imparcial em sua análise, examinar os argumentos da outra pessoa a partir da perspectiva dela, você poderá: (1) encontrar valor nos argumentos e aprender algo no processo ou (2) afiar suas posições contra eles (se você acreditar que estão errados) e fortalecer seus argumentos ainda mais para resistir aos contra-argumentos”.

Isto ajuda a evitar as discussões em que cada lado já inicia a conversa para provar que o outro está errado, independentemente do que ouça, sem se permitir o aprendizado.

Encerrando o capítulo com a nona das 12 regras para a vida, Jordan Peterson deixa claro que a boa conversa carrega o desejo de verdade, não de estar certo. É mais sábio continuar sempre buscando o conhecimento.

10 – Seja preciso no que diz

Resumo-das-12-regras-para-a-vida-de-Jordan-Peterson-Seja-preciso-no-que-diz

Para explicar esta regra, o computador é comparado a uma folha em uma árvore que faz parte de uma floresta. Assim como a folha não existiria sem a árvore e esta sem a floresta; o computador não funcionaria sem uma complexa rede envolvendo-o, ligada a diferentes indústrias e pessoas trabalhando simultaneamente.

A maneira como o homem age no mundo é ser guiado pelo significado das coisas, pelo que elas podem fazer. Uma pessoa olha para um computador e pensa no que ele pode fazer.

Se não funcionar, é que o usuário pensará em entender o que causou o problema e começará a ligar para técnicos, provedores de Internet ou companhias de energia elétrica.

“Enxergamos ferramentas e obstáculos, não objetos ou coisas”.

Por exemplo, um carro não é apenas um objeto, é aquilo que leva as pessoas aonde elas querem ir. Se falhar, o motorista e os passageiros descobrem o quão impotentes são diante da complexidade do “carro”, do “mundo”.

Quando algo não funciona como deveria, um mundo invisível se revela. É o caos à espreita, esperando pelo fim da sensação de segurança, de ordem, de domínio.

O mesmo acontece com as pessoas. Há uma complexa história de vida e de possibilidades acompanhado cada um. Se uma esposa de repente se vê traída, ela poderá pensar sobre si mesma:

“O que saiu errado? O que eu fiz de tão imperdoável? Quem é a pessoa com quem eu estava vivendo? Que tipo de mundo é este? Que tipo de Deus criaria um lugar assim?”

De acordo com Jordan Peterson, o caos emerge pouco a pouco nos lares. A felicidade e o ressentimento mútuos se acumulam. As coisas desordenadas são escondidas. Todos tentam fingir que não há nada acontecendo, porque é difícil admitir emoções negativas.

Em muitos lares, a esposa e o marido criam uma névoa para esconder o que não querem ver. Entretanto, não confrontar o caos (os problemas) é permitir que eles cresçam e causem mais danos.

“É sábio deixar que a catástrofe cresça nas sombras enquanto você encolhe, afunda e fica com ainda mais medo?”

Segundo Peterson, as pessoas se recusam a especificar seus problemas, que é exatamente o que lhes possibilita encontrar uma solução. A dificuldade de especificar um problema, no entanto, é admitir que ele existe.

Por esta razão, ele recomenda falar com cuidado e precisão para compreender o que está acontecendo e colocar cada coisa no seu lugar.

Assim que um problema surgir, ele já deve ser admitido. Se alguém está infeliz, precisa dizer “estou infeliz”.

Isto é tão grave que uma doença pode se tornar fatal porque não se prestou atenção suficiente aos sintomas leves ou à recusa de buscar um diagnóstico por medo do que se ouviria.

“A realidade ignorada se manifesta em um abismo de confusão e sofrimento”.

É preciso se perguntar:

  • O que exatamente está errado?
  • O que exatamente eu quero?

Finalizando este raciocínio para a décima das 12 regras para a vida, Jordan aconselha seus leitores a perceberem seus erros, articulá-los e corrigi-los. De acordo com ele, cada um tem de enfrentar o caos do Ser.

11 – Não incomode as crianças quando estão andando de skate

Nao-incomode-as-criancas-quando-estao-andando-de-skate

A reflexão começa a partir da imagem de meninos arriscando-se em manobras de skate. Eles poderiam se machucar, então foram colocados obstáculos no lugar onde praticavam para que saíssem dali.

Em tese, a razão era promover a segurança dos garotos, pois eles não deveriam estar lá correndo o risco de se machucar.

De acordo com Peterson, é evidente que nenhum deles estava tentando se manter seguro. Por que fariam isso? Eles estavam buscando a maestria, a habilidade, a perfeição.

Os parques muito “seguros” são chatos. As crianças rapidamente encontram maneiras não seguras de brincar ou procuram outro local.

Inevitavelmente, coisas perigosas acontecerão na vida de todas as pessoas. A superproteção atrapalha porque causa uma despreparação para a vida.

O mundo é um lugar de impiedade, e a riqueza que as pessoas dispõem hoje é recente em comparação com as épocas passadas.

Os homens, especialmente, são a força que traz mais organização ao caos. Contraditoriamente, os jovens do sexo masculino têm sido atacados. São considerados beneficiários privilegiados do patriarcado e suas realizações são consideradas imerecidas.

É natural que os meninos se interessem por coisas e as meninas por pessoas. Não é por acaso que os homens são os construtores e os defensores da civilização.

Meninos são mais competitivos e assumem mais riscos, são mais desobedientes e gostam do que é desafiador e provocativo. Em um simples jogo, se as meninas começam a dominar, eles saem, porque querem medir suas habilidades com outros garotos.

Estas características masculinas estão sendo atacadas na sociedade moderna, de modo que os homens têm sido incentivados a serem menos homens.

Existem cursos inteiros nas universidades abertamente hostis aos homens. São áreas de estudo dominadas pelo argumento pós-moderno/neomarxista de que a cultura ocidental, em especial, é uma estrutura opressora, criada por homens brancos para dominar e excluir as mulheres”.

Segundo Jordan Peterson, não é novidade que a cultura seja opressiva, mas não apenas isso. Ele explica que qualquer hierarquia gera vencedores e perdedores. Quando se persegue um objetivo, nem todos o alcançam, e não é possível para todos alcançá-lo.

Nem todos se esforçam da mesma forma e possuem as mesmas habilidades ou motivações.

O que hoje é chamado de opressão patriarcal foi, na verdade, a criação de uma cultura na qual homens e mulheres buscaram, mesmo que imperfeitamente, uma forma de viver melhor. Viver sem tantas privações, doenças e trabalhos penosos.

Aqueles que hoje não fizeram nenhum esforço para criar algo valioso, querem apenas demolir.

Peterson se questiona desde quando a educação universitária deveria, acima de tudo, fomentar engajamentos políticos específicos.

A consequência mais terrível dos ideólogos é chegar a dizer que “mulher” é uma invenção dos homens que querem dominar, que não existe o masculino e o feminino. Querem anular as diferenças naturais de cada sexo.

Militantes argumentam sem nenhuma evidência que a sociedade ocidental é patologicamente patriarcal, que os homens são a principal fonte de opressão das mulheres e não a própria natureza, e que todas as hierarquias foram criadas para excluir pessoas.

Dessas ideias surge o pensamento de que os meninos devem ser criados em pé de igualdade com as meninas. Eles devem aprender a não ser agressivos. De acordo com Peterson, isto é inato, não aprendido.

A agressividade sustenta o impulso de ser extraordinário, incontrolável, de competir, vencer – de ser ativamente virtuoso pelo menos em uma dimensão”.

O conselho aos homens foi assim resumido:

Faça seu trabalho. Carregue seu fardo. Fique esperto e preste atenção. Não resmungue nem seja melindroso. Defenda seus amigos. Não bajule nem entregue a ninguém. Não seja escravo de regras idiotas. Nas palavras imortais de Arnold Schwarzenegger: ‘Não seja um mariquinha’”.

Os homens precisam ser durões porque outros homens exigem isso e é o que as mulheres querem ou não se sentirão seguras. Além do mais, os homens se tornam mais durões pressionando a si mesmos e uns aos outros.

E a conclusão de Jordan Peterson na décima primeira das 12 regras para a vida: O espírito que interfere quando os meninos estão tentando se tornar homens, portanto, não é benéfico nem para as mulheres nem para os homens.

As pessoas que querem enfraquecer os homens, diminuir sua masculinidade, são fracassadas, invejosas, rancorosas e destrutivas. É melhor não incomodar as crianças.

Leia mais sobre os movimentos ideológicos da atualidade:

Os três movimentos acima foram abordados na minissérie As Grandes Minorias.

12 – Acaricie um gato ao encontrar um na rua

Resumo-da-regra-12-acaricie-um-gato-ao-encontrar-um-na-rua

Mais uma noção é retomada neste capítulo: A vida é sofrimento.

Entre os tipos de sofrimento, o mais difícil de aceitar é o de ver um filho doente. Ao longo do texto, Jordan Peterson narra como foi difícil cuidar de sua filha Mikhaila, que teve problemas de saúde muito sérios durante muitos anos.

Ela tinha artrite reumatoide juvenil.

Ele usou seu próprio exemplo para explicar que as pessoas devem estar preparadas para os momentos ruins, porque a vida é frágil. As pessoas são limitadas.

Todos sabem disso. Um exemplo foi a impopularidade do Super-Homem quando ele ganhou tantos poderes que tinha se tornado invencível. As pessoas voltaram a gostar de ler seus quadrinhos quando viram um herói com fragilidades, com limitações, como a kryptonita.

A consequência é que o limite causa sofrimento.

Algumas pessoas decidem odiar a realidade por causa da dor que sentem, culpam a Deus e flertam com o suicídio.

Peterson adverte para o seguinte:

Odiar a vida, desprezá-la – mesmo por causa da dor genuína que ela aflige – serve apenas para tornar a própria vida pior, insuportavelmente pior”.

E a responsabilidade não deixa de existir. As atividades cotidianas precisam continuar a ser feitas mesmo quando uma catástrofe acontece na vida.

Mesmo assim, o Ser é maravilhoso. Estar vivo é maravilhoso.

Jordan Peterson encerra seu livro das 12 regras para a vida chamando a todos para acariciar os gatos. Isto não é literal. É apenas uma forma de dizer às pessoas para se maravilharem com o que está ao seu redor, para se maravilharem com a vida acontecendo.

Em um dia ruim, pequenas coisas boas podem acontecer. Os gatos são imprevisíveis e se um deles se permite ser acariciado, sorria e o acaricie.

Comente e compartilhe. Quem você acha que gostará de ler o resumo do livro 12 regras para a vida de Jordan Peterson?

A Brasil Paralelo é uma empresa independente. Conheça nossas produções gratuitas. Todas foram feitas para resgatar os bons valores, ideias e sentimentos no coração de todos os brasileiros.

Artigos novos direto no seu Email

Mantenha-se sempre informado com os conteúdos da Brasil Paralelo. Cadastre-se!

Outros Artigos

VER TODOS