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Política•5 min de leitura

Vorcaro fala em escravas sexuais e esquema internacional de prostituição em mensagens divulgas pelo Uol

Grupo chegou a recrutar refugiadas ucranianas para orgias com autoridades.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
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Ao longo dos últimos meses, o Brasil descobriu que o caso Master não envolvia apenas corrupção, como também movimentou um dos maiores escândalos sexuais na história nacional. 

Agora, o portal Uol afirma ter descoberto mais detalhes sobre a organização das orgias com algumas das autoridades mais importantes do país.

Segundo a reportagem, o empresário financiou e atuou como sócio oculto de uma estrutura que recrutava mulheres brasileiras e estrangeiras.

As informações são baseadas em mensagens encontradas no celular de Vorcaro e analisadas pela Polícia Federal. 

De acordo com o UOL, os diálogos mostram que o banqueiro autorizava pagamentos, escolhia quais mulheres seriam contratadas e decidia quem permaneceria no grupo.

A investigação revelou que ele investiu ao menos R$4,3 milhões em uma estrutura para  os eventos.

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Banqueiro fala em escravas

Os diálogos analisados pela Polícia Federal mostram que Vorcaro e seus operadores se referiam às mulheres como “escravas” em diversos momentos.

Diogo chega a se referir a uma delas como "Escravinha doutrinada". Em uma das mensagens, ele fala em transformar uma jovem em escrava:

 "Vou já escravizar ela pra hoje e fazer trabalhar pra gente aí".

Ele também chega a negociar levar mulheres chamadas dessa forma que aparentam ser cariocas:

"Escravas. Se quiser levo 2 do Rio".

Além disso, ele se refere à presença de mulheres nessas condições em orgias, no caso afirmando que o banqueiro deveria tê-las levado:

"Passa a pikinha em geral surubinha. Tinha que ter levado umas escravas".

Em uma troca de mensagens de 2024, Leonardo Serrano, assessor internacional do banqueiro, chegou a sugerir que fossem gastos 3 mil euros para “comprar” mulheres que estavam em uma festa na França:

"Pode ser 4… Essas meninas escravas são demais", respondeu o banqueiro.

Além disso, as mulheres mais jovens eram chamadas de “creche” pelos operadores desse esquema de prostituição.

O uso dessas palavras, por si só, não comprova que as mulheres estivessem submetidas a condições análogas à escravidão. Ainda assim, o conteúdo passou a integrar o inquérito da Polícia Federal.

Como funcionava a estrutura

De acordo com as mensagens, Vorcaro contava principalmente com dois operadores, o promotor de eventos Diogo Batista e Leonardo Serrano, responsável pela logística internacional.

Diogo recebia cerca de R$120 mil por mês de Vorcaro e coordenava o recrutamento das mulheres no Brasil. 

Já Serrano organizava passagens aéreas, hotéis, transporte, reservas de casas noturnas e contratação de intermediários em diferentes países, por meio da empresa SL Consulting, sediada nos Estados Unidos.

As conversas mostram que Vorcaro era tratado como o responsável por todas as decisões finais.

"Chefe manda e a gente executa", escreveu Diogo em uma das mensagens.

As investigações apontam que nenhuma mulher era contratada, dispensada ou remunerada sem autorização do banqueiro.

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Agência de modelos serviria para "blindar" a operação

Uma das principais descobertas dos policiais envolve a tentativa de compra de parte da agência Allure Eventos.

Segundo as mensagens, Vorcaro recebeu um contrato para adquirir 50% da empresa por R$1,5 milhão.

A reportagem afirma que a agência seria utilizada para formalizar a contratação das mulheres e reduzir a exposição direta do grupo.

Nos meses seguintes, Vorcaro passou a pedir que novas modelos fossem recrutadas por meio da Allure. Em uma das conversas, determinou:

"Contratar todas Allure."

Também autorizou recursos para alugar uma casa destinada às modelos e determinou que apenas mulheres trabalhassem no local.

O proprietário da agência, Felipe Nisti Cataldo, afirmou ao UOL que Vorcaro demonstrou interesse no negócio, mas negou que a negociação tenha sido concluída.

Refugiadas da Ucrânia passaram a integrar o grupo

Um dos episódios mais sensíveis da investigação envolve uma refugiada ucraniana de 19 anos.

Segundo as mensagens, ela chegou ao Brasil em outubro de 2023 para participar de uma festa de Halloween organizada pelo grupo.

Depois do evento, permaneceu no país. Em novembro, Diogo informou a Vorcaro que "tem 3 refugiadas aqui? Ucranianas."

"Tem que sobrar alguma refugiada pra mim", respondeu o banqueiro.

Dias depois, os operadores passaram a discutir a permanência das jovens no Brasil. Uma delas não podia retornar à Ucrânia porque sua cidade continuava sendo bombardeada.

"Segurei ela porque ela ia sair pra se refugiar na Itália… Ela ainda pode entrar pra nossa agência! Gata e novinha!" sugeriu Diego.

Em janeiro de 2024, voltou a defender a criação definitiva da agência. Segundo ele, isso ajudaria a "segurar essas meninas" e permitiria que morassem em um imóvel alugado pela empresa.

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