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Política•5 min de leitura

Veja os principais momentos do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Os dois candidatos trocaram farpas e acusações no primeiro embate desta campanha.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Veja os melhores momentos do debate da Band
Fonte da imagem: Reprodução

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Após a ausência dos dois principais candidatos presidenciais nos debates do primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro finalmente se enfrentaram.

O primeiro debate do segundo turno das eleições aconteceu neste domingo (18) e foi marcado por trocas de farpas e propostas polêmicas.

Leia abaixo os principais momentos do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro:

Flávio Bolsonaro fala em medidas duras contra o crime

Flávio prometeu declarar guerra ao crime organizado e disse que vai classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O candidato disse também que vai combater o crime dentro dos presídios através de projetos de leis mais rígidas.

Além disso, o candidato também acusou o governo federal de promover a saída de criminosos da prisão:

“No governo de Flávio Bolsonaro não vai ter ninguém passando a mão na cabeça de bandido, diferentemente do atual governo que faz uma política de desencarceramento em massa”.

O candidato prometeu construir mais presídios, incluindo de segurança máxima, algo semelhante ao que aconteceu em El Salvador de Bukele.

A Brasil Paralelo investigou como um dos países mais perigosos do mundo se tornou um dos mais seguros do ocidente. Assista completo abaixo:

Lula fala sobre economia no debate da Band

O presidente Lula afirmou neste domingo (18) que a concentração de dinheiro nas mãos de poucas pessoas aumenta a pobreza e a miséria no Brasil.

A declaração aconteceu durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band.

“Muito dinheiro na mão de pouco significa pobreza e miséria. E pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza, distribuição de renda”, afirmou o candidato à reeleição.

Lula defendeu que o dinheiro precisa circular entre mais pessoas para estimular a economia, gerar empregos e aumentar o consumo.

Para justificar seu argumento, o presidente citou medidas adotadas durante seus governos, como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e a criação do Microempreendedor Individual (MEI).

Segundo ele, o governo também discute novas formas de incentivar os pequenos empreendedores para ampliar a geração de empregos e o crescimento econômico.

O presidente ainda relembrou a situação econômica do Brasil quando assumiu seu primeiro mandato, em 2003.

Lula afirmou que o país devia US$30 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e enfrentava dificuldades relacionadas às reservas internacionais.

Durante o debate, o candidato apresentou a distribuição de renda e o fortalecimento dos pequenos negócios como caminhos para estimular o crescimento econômico brasileiro.

Lula fala sobre segurança pública 

No primeiro debate presidencial do segundo turno, Lula afirmou que pretende ampliar a atuação do governo federal no combate ao crime organizado e criar um Ministério da Segurança Pública.

Questionado sobre suas propostas para a área, o presidente criticou Flávio Bolsonaro por não ter votado na PEC da Segurança Pública. Também afirmou que os estados não conseguiram enfrentar sozinhos os problemas da criminalidade.

Lula destacou a aprovação da Lei Antifacção, que, segundo ele, aumentou as penas para integrantes de organizações criminosas. Também defendeu a aprovação definitiva da PEC da Segurança Pública, que ainda depende de votação no Senado.

Para um eventual novo mandato, o presidente prometeu enfrentar diretamente as facções e ampliar a capacidade de atuação da União nos estados.

Segundo Lula, o objetivo é retomar territórios dominados por organizações criminosas e milícias, permitindo uma atuação mais direta do governo federal nessas regiões.

Flávio pergunta se Lula conhece Roberta Luchsinger

Flávio Bolsonaro levantou a ligação de Lulinha com a polêmica no escândalo do INSS.

Após o presidente perguntar “o que você tem contra as mulheres”, o candidato foi direto e questionou o presidente se ele conhecia a lobista Roberta Luchsinger.

Figura próxima ao filho de Lula, ela está sendo investigada por conta da relação com o escândalo do INSS.

“Ela fez acusações muito graves contra você ontem. Eu sei que você não deve ter dormido bem por que ela falou de muito mais coisa e você dizendo que não a conhecia. Te dou a oportunidade de corrigir sua resposta.”

O presidente continuou dizendo que o caos da Roberta é uma questão da polícia federal e que ele saberá sobre o caso após as investigações.

Lula seguiu tentando associar Flávio Bolsonaro à figura do Careca do INSS, advogado envolvido com o caso.

A resposta veio com questionamentos de como o filho de Lula não estava sendo investigado com o mesmo esforço que acontece com a lobista.

Além disso, o presidente tentou também acusar a família Bolsonaro de “trair a pátria”, mas foi respondido com indagações ainda mais fortes, como “você conhece o Luinha?”

Essa troca de farpas continuou enquanto Flávio falava sobre a relação de outros familiares de Lula com o escândalo do INSS.

Flávio confronta Lula sobre fraudes no INSS

Flávio Bolsonaro falou que o governo Lula não protegeu os aposentados envolvidos no escândalo dos descontos indevidos do INSS.

Durante o debate da Band, neste domingo (18), o senador afirmou que milhões de beneficiários tiveram dinheiro retirado de suas aposentadorias e responsabilizou politicamente o governo pelo caso.

“Nem dessas pessoas o seu governo teve pena, Lula. Você não poupou nem os aposentados, velhinhos do INSS. Isso é um nojo!”, declarou Flávio.

O candidato também citou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e levantou a suspeita de que parte do dinheiro descontado dos aposentados poderia estar beneficiando o filho do presidente.

No trecho do debate, Flávio não apresentou provas dessa ligação.

Lula reagiu à fala do adversário e cobrou explicações sobre quem teria organizado uma quadrilha.

Flávio respondeu que estava apresentando fatos que incomodavam o presidente e voltou a mencionar o impacto dos descontos sobre pessoas que dependem da aposentadoria.

“Cada 20 reais faz falta para quem vive de aposentadoria”, afirmou.

O senador também mencionou a própria avó, professora aposentada, para destacar as dificuldades enfrentadas por quem depende desses benefícios.

Ao encerrar sua fala, Flávio prometeu combater as fraudes caso seja eleito e afirmou que os brasileiros devem escolher a mudança no segundo turno.

“O Brasil vai te aposentar”, disse a Lula.

Lula pede voto de Jair Bolsonaro

Enquanto debatia com Lula na Band no primeiro confronto entre os candidatos do segundo turno, Flávio Bolsonaro perguntou o motivo do presidente ter vantagem nos presídios.

Atualmente, a legislação eleitoral determina que apenas os detentos que estão no regime provisório podem votar. 

O presidente respondeu dizendo que gostaria de receber todos os votos de todos os presidiários.

Em seguida, Lula chegou a fazer uma provocação ironizando a prisão de Jair Bolsonaro, dizendo que gostaria de receber o voto dele:

“Eu quero que votem 100%, até seu pai. Teu pai pode votar em mim, porque ele te conhece, ele sabe que eu sou melhor que você. Bolsonaro, vote em mim porque você conhece seu filho e sabe que eu sou melhor do que ele.”

Flávio respondeu dizendo que seu pai está impedido de votar por conta da “perseguição política" que teria sofrido.

O senador seguiu dizendo que Lula representa os criminosos “da pior espécie que tem nos presídios”:

“Você foi eleito por aclamação nos presídios, você representa eles. Tá tudo bem você representar eles. Você que está em casa quer votar igual àquelas pessoas que estão nos presídios?”

Flávio Bolsonaro seguiu questionando os eleitores se eles não se sentiam desconfortáveis em votar igual aos condenados.

Além disso, ele destacou que os presídios registraram comemorações com a vitória de Lula em 2022.

Flávio promete Ministério da Prosperidade

No final do primeiro bloco do debate entre os candidatos do segundo turno, Flávio Bolsonaro falou em criar um Ministério da Prosperidade.

Ele começou dizendo que as favelas poderiam se desenvolver muito se pudessem se livrar do crime organizado:

“Você já fez esse exercício de pensar se pudesse trabalhar na área onde você mora, na favela onde você mora sem o narcotráfico? Se essas pessoas não estivessem te oprimindo? Como não seria uma vida completamente diferente.”

Em seguida, destacou o potencial econômico dessas regiões e falou que o governo vai fomentar o empreendedorismo por lá:

“Gente, a favela é potência. Onde tem gente circulando e uma economia que pode estar bombando”.

Em seguida ele falou na criação de um ministério dedicado a fomentar o empreendedorismo em comunidades e regiões pobres do país.

O objetivo desse órgão seria apoiar os moradores dessas áreas para que eles possam se qualificar e se preparar para abrir uma empresa.

Além disso, o órgão também teria o objetivo de ajudar na formalização de empreendedores e a possibilitar que eles conseguissem crédito mais barato.

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Flávio fala sobre o fim da escala 6x1

Flávio Bolsonaro afirmou que votou a favor do fim da escala 6x1 por entender que os trabalhadores brasileiros precisam de mais tempo para descansar.

Durante o debate presidencial da Band, neste domingo (18), o candidato do PL disse que percorreu o país e ouviu de trabalhadores o desejo de ter mais um dia de folga por semana.

Ele argumentou que a redução da jornada precisa vir acompanhada de melhorias na segurança pública.

Segundo Flávio, muitos brasileiros enfrentam o medo de assaltos e da violência até mesmo quando utilizam o transporte público durante seus dias de descanso.

“Eu não quero que o seu dia de folga seja um dia de pesadelo, como está acontecendo”, afirmou.

Flávio também criticou o governo Lula e prometeu ampliar a segurança caso seja eleito presidente.

“Eu quero te dar segurança, eu quero te dar acolhimento, eu quero te ajudar a sair desse sufoco que esse atual governo colocou você”.

O candidato encerrou sua resposta afirmando que pretende governar “levando prosperidade para o trabalhador brasileiro”.

A fala de Flávio buscou relacionar a discussão sobre o fim da escala 6x1 às condições de vida dos trabalhadores, especialmente à segurança necessária para aproveitar o tempo livre.

“Tem Bolsonaro dentro do Lula”: Flávio fala sobre vacinas e pandemia durante o debate

Um dos pontos que Lula levantou durante o debate foi a gestão do governo Bolsonaro sobre a pandemia.

O presidente disse que na época o governo não ouviu o que estavam dizendo os médicos e especialistas.

Uma das questões que ele trouxe era a recomendação do uso de cloroquina e “faltou vacina”.

Em resposta, Flávio reconheceu que o governo de seu pai teve algumas falhas na área da saúde, principalmente durante a pandemia.

No entanto, ele seguiu falando que o governo Bolsonaro foi responsável pela compra de vacinas na época:

“O Lula tomou vacina e quem comprou vacina? Foi o presidente Bolsonaro, tem Bolsonaro dentro do Lula.”

Em seguida, continuou alegando que ao longo do governo Lula, mais de 770 mil pessoas foram assassinadas pela criminalidade.

O PT chegou ao poder ainda nos primeiros anos do século XXI, quando Lula assumiu o governo em 2003.

Desde então, o PT esteve no poder por cerca de 20 anos, com um breve intervalo durante o governo Temer e Bolsonaro.

Antes mesmo de assumir o poder, o partido já estava dividindo a política nacional desde a redemocratização em 1989.

A Brasil Paralelo investigou como o PT e o PSDB se articula para dominar a política nacional na série O Teatro das Tesouras.

A série conta a história de todas as eleições desde 1989, o último episódio traz a disputa entre Lula e Jair Bolsonaro. Assista completo abaixo:

“Você vai privatizar o SUS?” Flávio Bolsonaro responde

Durante o debate entre os candidatos para o segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro respondeu sobre seus planos para a saúde pública.

O candidato disse que vai chamar o oftalmologista Claudio Lottenberg, o presidente do hospital Albert Einstein, para chefiar o ministério da Saúde.

De acordo com o senador, isso seria uma forma de levar o atendimento de qualidade da rede privada para o sistema público.

Para isso, ele planeja criar um prontuário único eletrônico, juntando as informações da rede municipal, estadual, federal e privada através do CPF.

Além disso, ele falou em ampliar o uso de atendimentos via telemedicina e usar a tecnologia para facilitar o direcionamento aos hospitais em casos de emergência.

“Eu quero entregar dignidade para você. O SUS vai ser padrão Einstein porque você merece”, disse Flávio.

Tumulto após Lula falar em privatizações

Assim que chegou a vez de Lula responder sobre o tema, ele questionou se a expressão padrão Einstein significava privatizar o serviço público:

“Eu acho que entendi que ele falou que vai colocar o Einstein dentro do SUS. Será que ele quer privatizar o SUS? É isso que eu entendi?”

Ao longo das últimas semanas, diversos apoiadores de Lula têm acusado Flávio de querer desestruturar o sistema público.

Enquanto Lula tentava levantar esse questionamento, Flávio passou atrás balançando o indicador em sinal de negação, declarando silenciosamente que não pretendia acabar com a rede pública.

Após o gesto, Lula disse que queria direito de resposta se estivesse sendo zombado por seu oponente.

Ele chegou a dizer que “se tem um palhaço aqui não sou eu, é ele” e seguiu acusando o senador de querer acabar com o SUS.

Lula defende “saidinha” de presos

A discussão sobre a saída temporária de presos levou Lula a questionar Flávio Bolsonaro sobre sua promessa de conceder perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o debate da Band, neste domingo (18), Lula defendeu que detentos com bom comportamento possam deixar a prisão temporariamente para visitar familiares.

“Se a pessoa tiver tido um comportamento decente, se a pessoa estiver se recuperando, é injusto que a pessoa não saia para ver a sua família”, afirmou.

O presidente argumentou que a função do sistema prisional também é preparar os condenados para voltar à sociedade.

Segundo Lula, casos de presos que cometem novos crimes durante o benefício não justificam retirar o direito de todos.

Foi nesse momento que ele trouxe a situação de Jair Bolsonaro para a discussão.

O petista lembrou que Flávio já manifestou a intenção de conceder indulto ao pai caso seja eleito presidente.

Lula afirmou que o senador não poderia beneficiar apenas Bolsonaro e mencionou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, como alguém que também poderia ser alcançado por uma medida de perdão.

A afirmação, porém, não corresponde necessariamente às regras jurídicas. O indulto coletivo depende de critérios definidos em decreto, enquanto a graça é um perdão individual.

Flávio promete castração química e quer reduzir maioridade penal para 14 anos

Flávio Bolsonaro afirmou que pretende mudar a Constituição para permitir que adolescentes a partir dos 14 anos respondam como adultos por crimes hediondos.

Durante o debate da Band, neste domingo (18), o candidato também prometeu aprovar a castração química para condenados por estupro.

As duas medidas fazem parte de suas propostas para endurecer as punições contra criminosos.

“Quem é menor de idade e comete crime de adulto tem que responder como adulto”, afirmou o senador.

Atualmente, a Constituição estabelece a maioridade penal aos 18 anos. Adolescentes que cometem atos infracionais são responsabilizados pelas regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Flávio defende reduzir essa idade para 16 anos em geral e permitir a responsabilização penal a partir dos 14 anos em crimes graves, como estupro e homicídio.

Flávio promete castração química para estupradores

O senador também direcionou sua fala às mulheres e famílias de crianças vítimas de violência sexual.

“Eu vou aprovar a castração química para estuprador”, declarou.

O procedimento consiste no uso de medicamentos que reduzem a produção ou a ação de hormônios sexuais. Diferentemente da castração cirúrgica, não envolve a retirada de órgãos.

Flávio argumentou que a medida ajudaria a impedir novos abusos contra mulheres e crianças.

O candidato também criticou a bancada do PT no Congresso, acusando seus parlamentares de priorizar os direitos dos criminosos.

Segundo ele, um eventual governo seu dará maior atenção às vítimas e ao endurecimento das penas.

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