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“União Europeia tem retórica de abertura comercial, mas em relação ao agronegócio, o que impera é o protecionismo”, afirma executivo internacional

Entenda o conceito de “geopolítica dos alimentos”, que revela os desafios e as oportunidades para o agro em um cenário global complexo.

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Redação Brasil Paralelo
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O conceito de geopolítica alimentar investiga as associações no agronegócio internacional.
Fonte da imagem: Folha de Pernambuco

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Em um mundo cada vez mais polarizado, a fome ainda é um dos mais graves problemas em todo o mundo.

Segundo dados do Instituto Fome Zero, em 2023, o Brasil tinha 20 milhões de cidadãos em situação de insegurança alimentar, ou seja, sem o acesso adequado a todos os alimentos que satisfaçam as necessidades de sua dieta.

Isso aumenta a necessidade de que a produção alimentar seja cada vez mais eficiente. Só que atualmente o agronegócio não é somente uma atividade desenvolvida em contexto local.

A produção de alimentos é interligada em todo o mundo, unida por uma cadeia global.  

Ainda que a produção seja localizada, uma série de outros fatores, como insumos, maquinários e fertilizantes, e seus respectivos preços, são influenciados por questões externas. “Geopolítica dos Alimentos” mostra os desafios e as oportunidades para o agro em um cenário global complexo

Questões como pandemias, mudanças climáticas e guerras políticas afetam fortemente o ecossistema do agronegócio e colocam em risco a segurança alimentar global.

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Um dos exemplos mais claros de como as tensões internacionais abalam o setor é a guerra entre Ucrânia e Rússia.

O país de Vladimir Putin é o maior produtor mundial de fertilizantes, junto com a  Bielorrússia,nação aliada. Quando o conflito eclodiu houve um grande impacto em preços e na distribuição desses produtos.

O Brasil sentiu os efeitos negativos dos impactos da guerra em sua produção. Cerca de 90% dos fertilizantes utilizados em território nacional vêm de importação, principalmente dos países envolvidos na guerra.

Em palestra na Global Agrobusiness Festival, Eduardo Monteiro, vice-presidente da produtora de fertilizantes Mosaic no Brasil, afirmou que o país tem capacidade de aumentar significativamente sua produção, porém necessita fazer um planejamento de longo prazo.

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Imagem: Ação Coletiva "Comida de Verdade".

No mesmo evento, Parag Kannah, representante da New America Foundation, ressaltou a necessidade de que as nações invistam em expandir sua capacidade de produção local epara garantir alguma estabilidade alimentar. O indiano seguiu destacando a importância histórica e atual do continente asiático, que abriga a maior população do mundo e algumas das principais economias.

Fenômenos como a ascensão econômica de diversos países da região, com destaque para a Índia e a China, apontam para uma retomada da posição de destaque que o continente possuía antes mesmo das grandes navegações.

Segundo Kannah, a imagem que muitos têm da região é de um grande centro de produção para o mundo, ao passo que, na realidade, o mundo tem mandado grande parte de suas mercadorias para o continente:

A Ásia não produz para nós, nós produzimos para a Ásia, o que é mais claro no meio do agronegócio.”

Outro ponto abordado ao longo do evento foi o impacto que questões regulatórias e políticas protecionistas têm avançado no campo da produção agrícola.

Nesse sentido, o coordenador da Mazan em Washington, Benno Van der Laan, ressaltou que certos países e blocos econômicos, como a União Europeia, têm uma retórica de abertura comercial, porém quando se trata de setores estratégicos, como o agronegócio, o que impera é a proteção aos produtores nacionais.

Na visão do americano, essas barreiras comprometem em muitos sentidos a produção nacional de alimentos e aumentam ainda mais o risco de insegurança alimentar.

O que todos os palestrantes destacaram foi a gigantesca capacidade brasileira de produzir alimentos e insumos, devido a fatores como o clima e a extensão territorial do país. O agronegócio tem colocado o país em uma posição cada vez mais relevante em termos internacionais.

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