Na sabatina da Brasil Paralelo, o candidato foi questionado sobre trecho do Livro Amarelo que fala em “disciplinar” a imprensa.

Renan Santos admitiu que um trecho do plano de governo do seu partido sobre a imprensa foi mal escrito.
A declaração aconteceu durante a sabatina da Brasil Paralelo para as eleições de 2026, após uma pergunta do Lucas Ferrugem sobre liberdade de imprensa.
O ponto questionado aparece no Livro Amarelo, documento sobre as ideias do partido. O texto fala na criação de um “Código Unificado de Imprensa” para “disciplinar o setor” e eliminar lacunas legais.
“Criação de um Código Unificado de imprensa visando disciplinar o setor e eliminar as lacunas legais que geram insegurança jurídica”.
Renan disse que o trecho foi impreciso.
“Eu acho que não foi o melhor texto”.
Segundo ele, a proposta não seria uma tentativa de controlar linha editorial, censurar jornalistas ou definir quem pode ou não publicar.
Que tal receber notícias sobre as próximas eleições em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo.
A preocupação, disse, é outra: o uso de dinheiro público para financiar páginas e perfis locais que atuam como instrumentos políticos sem transparência.
Renan afirmou que, em cidades pequenas, páginas de fofoca e perfis regionais recebem recursos de prefeituras, agências ou gabinetes e passam a interferir no debate público.
Para ele, esse modelo cria uma zona cinzenta entre imprensa e campanha política.
“Será que interessa pra gente uma indústria da compra de páginas de fofoca para determinar eleições nos municípios sem nenhuma transparência?”.
O candidato também criticou políticos que controlam grupos de comunicação em seus estados. Como exemplo, citou o Pará e afirmou que não conseguia espaço em rádios e TVs locais por causa da influência política sobre a mídia.
Renan tentou diferenciar esse debate da regulação de imprensa defendida historicamente por setores da esquerda.
Segundo ele, a questão central é saber quem financia determinados veículos ou perfis quando há dinheiro público envolvido.
“A gente tem que saber quem está pagando”.
Na avaliação do candidato, quando uma empresa privada recebe verba pública de publicidade, essa relação precisa ser transparente.
O mesmo deveria valer, segundo ele, para páginas locais que recebem recursos de forma indireta e atuam politicamente.
Renan também afirmou que não caberia ao Estado interferir no conteúdo editorial.
Ao ser perguntado se o código serviria para regular a distribuição de dinheiro público a grupos que fazem política disfarçada de imprensa, e não para intervir em editorial, ele respondeu: “Nunca”.
A discussão terminou conectada ao caso do jornalista Luís Pablo, no Maranhão. Renan classificou o sigilo da fonte como uma garantia essencial para a existência do jornalismo e disse que o país está cruzando “muitas linhas” nesse tema.
Assista à sabatina completa com o candidato Renan Santos:
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.