Ir para o conteúdo principal
Política•5 min de leitura

Rede Globo cancela debate presidencial e cita “interferência indevida na liberdade”

Emissora alegou ainda insegurança jurídica após decisões sobre a ausência de Lula e a participação de Renan Santos. Flávio Bolsonaro também desistiu do encontro durante a noite.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Estudio Globo
Fonte da imagem: Reprodução

Receba notícias gratuitamente em seu email

Próximo envio em
19h
00m
30s

O dia terminará sem debate presidencial na TV Globo. A emissora cancelou o encontro que estava marcado para a noite desta quinta-feira, 1º, depois de receber duas decisões judiciais poucas horas antes do início.

A primeira veio do TSE.

A ministra Estela Aranha atendeu a um pedido da coligação de Lula e proibiu a Globo de manter no estúdio um púlpito vazio com o nome do presidente. Também proibiu que os candidatos presentes fizessem perguntas dirigidas a ele.

Essas duas possibilidades estavam previstas nas regras assinadas previamente pelos partidos, inclusive o PT.

A segunda decisão veio do STF.

Gilmar Mendes determinou que Renan Santos, do Missão, participasse do debate, embora seu partido tenha apenas um parlamentar no Congresso.

Pelas regras usadas pela Globo, o convite obrigatório era destinado a candidatos de partidos com pelo menos cinco congressistas.

  • Faltam poucos dias para o primeiro turno das eleições. Que tal receber notícias sobre a disputa diretamente no seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo

Flávio também desistiu antes do cancelamento

Antes do anúncio da emissora, Flávio Bolsonaro já havia comunicado que não iria mais ao debate.

O candidato afirmou que tomou a decisão por considerar que houve “censura” do TSE.

A desistência mudou novamente um cenário que já havia passado por outras alterações durante o dia.

Lula havia confirmado que não participaria. Flávio, por sua vez, tinha dito anteriormente que iria mesmo sem o presidente, mas voltou atrás horas antes do programa.

Globo diz que decisões criaram insegurança jurídica

Ao anunciar o cancelamento, a Globo afirmou que as decisões tomadas pouco antes do evento alteraram regras que já haviam sido acertadas.

A emissora classificou a situação como uma “interferência indevida” em sua liberdade para organizar o debate e disse que o novo cenário provocava insegurança jurídica.

Romeu Zema também havia conseguido o direito de participar por decisão anterior do presidente do TSE, Nunes Marques.

Assim, a última noite de debates antes do primeiro turno terminou sem confronto entre os candidatos.

Em poucas horas, decisões judiciais alteraram quem poderia participar, como a ausência de Lula seria tratada e, por fim, levaram a Globo a cancelar o programa.

[LEAD] Cobertura eleições

Leia o comunicado da Rede Globo

A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia.

Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais.

Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.

A Globo agradece aos demais candidatos e faz esses esclarecimentos em respeito aos eleitores e ao público que esperavam ter a oportunidade de ouvir propostas para o futuro do país.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

[LEAD] Cobertura eleições
[LEAD] Cobertura eleições