Campanha para Romário da Seleção de 2002 contou com apoio de FHC e até multidão ameaçando Felipão.

O Brasil se chocou diante de rumores de que um dos maiores artilheiros de sua história poderia não jogar a copa do mundo.
Para milhares de brasileiros, essa frase poderia ser uma referência a Neymar, que periga não jogar a competição neste ano.
No entanto, essa não é a primeira vez em que o país se mobiliza para tentar colocar um craque na Seleção.
Em 2002, o centro da discussão era Romário. Ídolo do tetracampeonato de 1994, o atacante vivia uma boa fase no Vasco da Gama.
Os fãs do jogador procuraram fazer uma forte pressão para que ele fosse incluído na lista dos convocados.
Felipão, que era o técnico na época, era alvo de vaias e xingamentos em boa parte dos locais onde passava.
Até mesmo o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, chegou a dizer que “eu sou Romário, isso não há dúvida”.
Conforme a data limite para a convocação se aproximava, o movimento pró-Romário chegou a ficar mais agressivo.
Em um protesto pela sua inclusão na lista, mais de 50 torcedores quase agrediram Felipão na saída da sede da CBF no Rio de Janeiro.
O jogador agradeceu o carinho, mas pediu que seus fãs e torcedores não recorrerem à violência por sua causa:
"Uma manifestação de carinho sempre é bem vinda, desde que não tenha violência. Se for para ser assim, é melhor que não exista", afirmou Romário.
O presidente da CBF da época, Ricardo Teixeira, chegou a deixar claro o risco que Felipão corria se não ganhasse a copa sem levar Romário:
“Pensa, se convocar determinado jogador e for campeão, sem problemas; se não convocar e não formos campeões, eles te matam. A decisão é sua”.
Apesar de toda a pressão, o técnico ficou livre para tomar sua decisão e optou por não levar um dos jogadores mais amados do país.
Em uma entrevista, o treinador disse que optou por deixar Romário de fora do campo naquele ano por medo de que ele poderia abalar sua estratégia:
“A decisão foi observando que eu, com aquele tipo de jogador, naquela posição e jogando daquela forma, eu não teria as mesmas condições que eu tive na seleção brasileira jogando com outro nome.”
Para ele, o time estava jogando de maneira muito equilibrada e a entrada de Romário poderia abalar isso:
“Teria que jogar de uma forma diferente. Não sei se as características dos jogadores casariam perfeitamente. Então eu optei”.
Durante entrevista para a ESPM, o baixinho fez questão de destacar que Ancelotti é um técnico muito experiente e que conhece bem o futebol brasileiro:
Ainda assim, ele disse que gostaria de ver Neymar em campo para a competição e disse que acredita na possibilidade do atleta jogar se estiver recuperado:
"Acredito que se o Neymar se recuperar, não 100%, eu como brasileiro e como um cara que gosto de jogadores como o Neymar gostaria muito de ver o Neymar na seleção".
Apesar disso, Romário destacou que a situação é muito diferente do que aconteceu com ele em 2002, já que há um peso maior na questão do condicionamento físico:
"São situações diferentes, Copas diferentes, anos diferentes... eu não fui para a Copa não pela minha condição física ou técnica, no meu entendimento, no final o treinador acabou dizendo que eu tecnicamente não caberia na seleção dele, mas enfim, a situação do Neymar é mais a parte física”.
O Brasil já foi considerado o país do futebol, agora um levantamento Ipsos-Ipec afirma que apenas 16% dos brasileiros estão “muito animados” com a copa.
Apesar do país parecer estar se distanciando de sua paixão pela seleção, tem uma das histórias mais fortes do mundo com o esporte.
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