Deputado cobrou avanço da regulamentação do ensino domiciliar e citou famílias que vivem sob medo de processos e multas.

Em audiência no Congresso Nacional, o deputado Nikolas Ferreira ouviu relatos de famílias que educam os filhos em casa e cobrou a regulamentação do homeschooling.
Durante sessão da Comissão de Educação da Câmara, o deputado afirmou que pais e mães vivem sob medo constante no Brasil. Segundo ele, não por terem cometido um crime, mas por escolherem assumir diretamente a educação dos próprios filhos.
“O homeschooling é imparável”, disse Nikolas.
A frase veio em meio à repercussão de casos recentes envolvendo famílias que adotaram o ensino domiciliar.
Entre eles estão o casal condenado em Jales, no interior de São Paulo, e Déia e Tiba, obrigados pela Justiça a matricular os filhos na escola enquanto recorrem no processo.
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Nikolas defendeu que a educação dos filhos deve partir da autoridade dos pais.
“Quem melhor para conhecer o seu filho e educar o seu filho do que o pai e a mãe?”, questionou.
A frase foi dita em meio à defesa da regulamentação do homeschooling. O modelo permite que os pais assumam diretamente a formação escolar dos filhos fora da escola tradicional.
No Brasil, o tema vive uma situação indefinida. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o ensino domiciliar não é proibido pela Constituição, mas depende de regulamentação aprovada pelo Congresso.
Na prática, isso deixou famílias em uma indefinição jurídica. O modelo não é reconhecido por uma lei federal clara, e pais que adotam a educação domiciliar podem ser acionados judicialmente.
A fala de Nikolas acontece em meio à repercussão de casos envolvendo famílias que adotaram o homeschooling.
Em Jales, no interior de São Paulo, um casal foi condenado em primeira instância por abandono intelectual. As filhas, de 11 e 15 anos, estudavam em casa, liam dezenas de livros por ano e tinham aulas de inglês, latim, piano e teoria musical.
A decisão citou, entre outros pontos, a ausência de convivência escolar e de contato com temas como diversidade cultural, sexualidade, gênero, religiões diferentes e cultura afro-brasileira.
Também mencionou o fato de as jovens não consumirem estilos como funk e sertanejo.
Outro caso recente envolve os influenciadores Déia e Tiba, casal conhecido pela defesa da educação domiciliar. Eles afirmaram ter sido obrigados por decisão judicial a matricular os filhos na escola, sob risco de multa diária.
O processo corre em segredo de Justiça por envolver menores. O casal diz que vai recorrer e afirma que não houve condenação definitiva.
Durante a audiência, Nikolas disse que pretende procurar a senadora Professora Dorinha Seabra, relatora do projeto que trata da regulamentação do homeschooling no Senado.
Segundo ele, a primeira etapa é reunir assinaturas para um requerimento de urgência. Depois, a pauta dependeria de decisão política para ser colocada em votação.
O deputado também cobrou a senadora Teresa Leitão, do PT, e pediu que o projeto seja pautado.
“Eu não estou pedindo para você aprovar. Estou pedindo para você pautar, para dar o direito de as pessoas votarem”, afirmou.
Nikolas disse não ter dúvida de que, se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, colocar o tema em votação, o homeschooling será aprovado por maioria.
“O homeschooling é imparável”, afirmou.
Ao final, o deputado afirmou que não pretende fazer novas audiências públicas apenas para discutir o tema.
Segundo ele, as famílias já expuseram suas histórias muitas vezes e agora esperam uma resposta concreta do Congresso.
“Eu quero ação. Eu quero que isso seja aprovado para que eu tenha paz”, disse, ao resumir o sentimento que atribuiu às famílias presentes.
Existem muitas camadas para entender o que leva pais a optar pelo ensino domiciliar e por que essa modalidade enfrenta resistência de críticos e especialistas.
Para aprofundar esse debate, a Brasil Paralelo recebeu Tales Melo e Karen Mortean no podcast Conversa Paralela.
O episódio discute os motivos que levam famílias ao homeschooling, além dos impasses jurídicos que envolvem um tema que ainda divide opiniões. Assista abaixo:
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