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Política•5 min de leitura

Jovem de 23 anos é condenada à morte por publicação sobre Maomé nas redes sociais

Segundo o regime iraniano, ela deverá ser executada pelo crime de “blasfêmia” contra o Islã.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
jovem de 23 anos é condenada à morte
Fonte da imagem: Iran Human Rights

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O regime iraniano decretou a pena de morte para uma jovem de 23 anos por causa de publicações nas redes sociais. 

A estudante de contabilidade Najmeh Amini foi condenada por blasfêmia após uma postagem considerada ofensiva ao profeta Maomé. 

Segundo organizações de direitos humanos, Amini foi identificada após um monitoramento realizado pela Polícia Cibernética do Irã, conhecida como Fata. 

Até o momento, as autoridades do país não divulgaram o conteúdo exato da publicação.

Além da condenação à morte, a estudante recebeu uma sentença de 12 anos, seis meses e um dia de prisão. 

Nesse segundo processo, ela foi acusada de agir contra a segurança nacional e de fazer propaganda contra o regime iraniano.

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A defesa alegou que a publicação foi feita sob efeito de drogas

De acordo com o jornal iraniano Khorasan, que confirmou o caso, Najmeh afirmou que escreveu a publicação enquanto sofria alucinações após consumir cogumelos alucinógenos com amigos.

A defesa classificou o episódio como um "lapso verbal" e argumentou que a jovem não tinha intenção de cometer blasfêmia.

O juiz, porém, rejeitou essa explicação. Segundo relatos do processo, ele questionou por que ela não teria insultado outras pessoas ou adversários do governo.

A legislação iraniana prevê pena de morte para esse tipo de crime

O Código Penal Islâmico do Irã estabelece pena de morte para quem insultar o profeta Maomé ou figuras veneradas do islamismo xiita.

Ao mesmo tempo, a própria legislação prevê exceções em determinadas circunstâncias, como quando a declaração é feita sem intenção. Nesses casos, outras punições podem ser aplicadas.

Apesar da condenação, a sentença ainda não é definitiva. O caso será analisado pelo Supremo Tribunal do Irã, que poderá manter ou rever a decisão.

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A jovem pediu ajuda à comunidade internacional

Em uma gravação divulgada recentemente, Najmeh Amini fez um apelo para que a ONU, advogados e organizações de direitos humanos acompanhem seu caso.

"Não quero transformar-me numa heroína. Só quero uma coisa: que sejam a minha voz", afirmou.

Ela também disse ser inocente e descreveu o sofrimento vivido por sua família durante o julgamento

Caso acontece em meio ao aumento da repressão no Irã

A prisão de Najmeh ocorreu após os protestos nacionais realizados em janeiro, reprimidos pelas autoridades iranianas.

Organizações internacionais afirmam que o governo iraniano tem recorrido cada vez mais à pena de morte como forma de intimidar opositores e desestimular manifestações de dissidência.

Segundo a organização Iran Human Rights (IHRNGO), sediada em Oslo, mais de 600 execuções já foram realizadas no país apenas neste ano.

Para Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da entidade, condenar uma jovem à morte por uma publicação nas redes sociais amplia os limites da aplicação da pena capital no Irã:

"Condenar uma jovem à morte pelo que ela publicou nas redes sociais corre o risco de normalizar o uso da pena de morte contra manifestações pacíficas e ampliar ainda mais os limites da aplicação dessa pena."

Na avaliação dele, se a comunidade internacional não reagir de forma firme, casos semelhantes poderão se tornar mais frequentes.

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