A defesa de Freixo Júnior informou que não iria se manifestar porque a apuração é sigilosa.

O empresário Antônio Carlos Freixo Junior fechou delação com a Procuradoria Geral da República (PGR) e falou sobre repasses feitos a pedido de Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Um dos pagamentos aconteceu dois meses antes da prisão do banqueiro.
Flávio Bolsonaro havia afirmado que os repasses para o filme "Dark Horse" tinham terminado em maio do ano passado. Só que um novo delator acaba de contar outra versão.
O empresário, conhecido como Mineiro, é dono da Entre Investimentos, empresa usada para repassar dinheiro entre Vorcaro e a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
É a segunda delação no caso Master. Antes dele, João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, também fechou acordo.
Segundo apuração da coluna de Malu Gaspar, foram feitos ao menos sete pagamentos da Entre Investimentos para um fundo chamado Havengate, sediado no Texas.
Um deles aconteceu em 16 de setembro de 2025. Isso é dois meses antes da prisão de Vorcaro, e quatro meses depois do prazo que Flávio Bolsonaro deu como encerrado em entrevista à GloboNews.
O Havengate era comandado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo a Eduardo Bolsonaro.
A suspeita da PF e da PGR é que parte desse dinheiro, enviado supostamente para financiar o filme, pode ter sido desviada para bancar despesas de Eduardo no exterior.
O ex-deputado nega ter recebido qualquer repasse. Em maio, Eduardo afirmou ter contratado Calixto apenas para assuntos migratórios.
Freixo Júnior contou mais do que transferências bancárias. Segundo fontes ouvidas pela coluna, ele relatou remessas em dinheiro vivo, feitas em malas, a pedido do próprio Vorcaro. Chegou até a indicar os endereços onde essas entregas aconteceram.
De acordo com O Globo, o empresário disse que não sabia que aquele dinheiro era destinado ao "Dark Horse", e não citou nenhuma autoridade com foro privilegiado em seu depoimento.
Enquanto isso, a produtora do filme, a Go Up Entertainment, encomendou uma perícia privada para tentar encerrar o assunto.
Segundo a perícia, 72% dos gastos com a produção aconteceram nos Estados Unidos, mesmo o filme tendo sido gravado no Brasil.
Os valores da fase de pré-produção, em especial, foram descritos como "estratosféricos" por profissionais do setor consultados pela reportagem.
Segundo apuração da coluna de Malu Gaspar, o Master pagou R$2,329 milhões à Entre Investimentos só em 2025, conforme mostram declarações de Imposto de Renda compartilhadas com a CPI do Crime Organizado.
O acordo de Freixo Júnior já está nas mãos de André Mendonça, relator tanto do caso Master quanto da investigação sobre o financiamento do "Dark Horse" no STF. Não há prazo definido para ele decidir se homologa ou não a delação.
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