“Um projeto político que tem como principal objetivo a construção de um país socialmente justo e igualitário”, disse o partido em nota.

Daniel Ortega anunciou o fim definitivo das eleições na Nicarágua. Um dos pontos que chama atenção nessa história é que Ortega é um dos aliados históricos do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores.
A proximidade remonta à criação do Foro de São Paulo, nos anos 1990, articulação da qual tanto o PT quanto o partido de Ortega, a Frente Sandinista de Libertação Nacional, fizeram parte.
Foi dentro dessa relação que, em 2021, o PT publicou uma nota oficial celebrando a reeleição de Ortega, mesmo em meio a denúncias generalizadas de fraude e à prisão de sete opositores antes do pleito.
O texto descrevia o governo nicaraguense como "um projeto político que tem como principal objetivo a construção de um país socialmente justo e igualitário".
A manifestação gerou críticas até entre setores próximos ao próprio partido. Dias depois, a nota foi retirada do site oficial, e a então presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o texto não havia sido submetido à direção nacional da legenda antes da publicação.
Naquele mesmo ano, Lula chegou a aconselhar Ortega, publicamente, a não abandonar a democracia e a preservar as liberdades de imprensa e de expressão.
Não era a primeira vez que o partido apoiava o nicaraguense nas urnas. Na eleição anterior, em 2016, o PT também havia celebrado a vitória de Ortega.
A nota foi assinada pelo então presidente nacional da legenda, Rui Falcão, e pela secretária de Relações Internacionais, Monica Valente.
"Nós, do Partido dos Trabalhadores, acompanhamos com especial atenção os acontecimentos políticos da Nossa América e ficamos extremamente satisfeitos ao saber dessa vitória", dizia o documento, publicado no site oficial do partido.
É este regime, mantido por décadas, que a Brasil Paralelo investiga no documentário original "Nicarágua: Liberdade Exilada".
Segundo denúncias, jornalistas estão sendo presos, igrejas fechadas, padres e freiras perseguidos.
Relatos e testemunhos pessoais de nicaraguenses exilados costuram a história de um povo que hoje se diz vítima do próprio governo.
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