Economia pós-eleição: Bolsa indica queda de 16% e aciona mecanismo de emergência
Pela primeira vez desde 2020, a B3 suspendeu as negociações. O dólar também disparou nesta segunda-feira.

A Bolsa de Valores brasileira registrou uma queda superior a 16% nesta segunda-feira (26), um dia após a reeleição de Lula (PT).
A queda foi tão forte que a B3 precisou suspender as negociações por 30 minutos logo no início das operações.
A medida foi tomada quando o Ibovespa, índice que acompanha as principais ações da Bolsa, atingiu uma queda de 10%.
Foi a primeira vez desde março de 2020, durante a pandemia, que a Bolsa precisou interromper as operações por causa de perdas tão grandes.
Bolsa volta a operar e queda ultrapassa 16%
A suspensão não impediu que as ações continuassem caindo.
Por volta das 10h40, o Ibovespa já registrava uma queda superior a 16%, chegando à faixa dos 171 mil pontos.
O dólar também disparou. Na abertura, a moeda americana chegou a R$5,60, uma alta de 12,52%.
Por volta das 11h, ainda era negociada acima de R$5,50.
Os juros futuros também subiram, indicando que investidores passaram a exigir taxas mais altas para emprestar dinheiro.
A reação ocorreu após Lula vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo agentes do mercado financeiro ouvidos pela Reuters, parte dos investidores esperava uma vitória de Flávio e mudanças na condução da economia.
Com a reeleição de Lula, aumentaram as preocupações desses investidores com os gastos públicos e o crescimento da dívida do governo.
Entenda por que a Bolsa precisou parar
A Bolsa possui um mecanismo de segurança chamado circuit breaker, utilizado quando as ações sofrem quedas muito grandes.
Quando o Ibovespa cai 10%, as negociações são interrompidas por 30 minutos.
Se a queda chegar a 15%, uma nova interrupção de uma hora está prevista nas regras da B3.
Caso as perdas alcancem 20%, a Bolsa pode suspender as operações por um período maior.
O mecanismo foi criado em 1997 e já havia sido utilizado durante crises como a de 2008 e a pandemia de 2020.
A paralisação desta segunda-feira foi a primeira em mais de seis anos.
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