O professor Rodrigo Gurgel comenta os impactos da Semana de Arte Moderna na cultura brasileira

Redação Brasil Paralelo

O pintor Di Cavalcante, um dos artistas que expôs sua obra na polêmica Semana de Arte Moderna, assim a descreveu:

“Seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista”.

A proposta dos artistas desde o início se mostrou clara: a afronta, o escândalo e o rompimento com os padrões estéticos vigentes. Conheça a Semana de 22.

Índice de Conteúdo

  1. O que foi a Semana de Arte Moderna?
  2. Qual era o objetivo da Semana de Arte Moderna de 1922?
  3. Principais características da Semana de Arte Moderna;
  4. Qual o contexto histórico social da Semana de Arte Moderna?
  5. Quem foram os artistas da Semana de Arte Moderna?
  6. Quais foram as principais obras apresentadas?
  7. Quais foram os impactos da Semana de Arte Moderna?

O que foi a Semana de Arte Moderna?

Semana de Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna foi um evento artístico e cultural que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 a 18 de fevereiro de 1922. A proposta era apresentar uma nova estética artística para todos os campos das artes.

O evento contou com apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de obras de arte, como pinturas e esculturas, e palestras.

Os artistas envolvidos na organização da Semana de 22 propunham novas visões de estética artística, baseadas nas vanguardas artísticas europeias.

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Assim, inauguraram a corrente do Modernismo nas artes brasileiras. Todavia, este não era o único objetivo dos artistas.

Qual era o objetivo da Semana de Arte Moderna?

O evento, que chocou grande parte da platéia presente, buscou implementar novos processos na confecção das artes e dar-lhe uma feição mais brasileira. Um dos principais objetivos era o rompimento com a estética da arte acadêmica, especialmente do parnasianismo.

A informalidade e o improviso, a liberdade de produção, tudo isso tornou-se regra da arte moderna, de modo a romper o formalismo das artes até então vigentes.

Os principais objetivos da Semana de Arte Moderna foram:

  • romper com o formalismo da estética artística;
  • criticar a arte acadêmica;
  • inaugurar o movimento modernista brasileiro inspirado nas vanguardas europeias;
  • criar uma arte que fosse autenticamente brasileira;
  • popularizar a arte.

Além dos objetivos, algumas características definem bem o que foi apresentado na Semana de 22.

  • Veja, na opinião do professor Rodrigo Gurgel, as principais características da Semana de Arte Moderna. Trecho disponível na nossa série “Brasil — A Última Cruzada”: 

Principais características da Semana de Arte Moderna:

  • ausência de formalismo;
  • ruptura com o academicismo e o tradicionalismo artístico;
  • crítica ao modelo parnasiano;
  • influência das vanguardas artísticas europeias, sobretudo destas: futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo e expressionismo;
  • valorização da identidade e cultura brasileira;
  • fusão de influências externas aos elementos artísticos brasileiros;
  • experimentações estéticas;
  • utilização da linguagem coloquial e vulgar para aproximar-se da linguagem do povo;
  • temáticas nacionalistas e cotidianas.

A Semana de Arte Moderna e suas propostas inovadoras são frutos dos acontecimentos de seu tempo.

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Qual o contexto histórico social da Semana de Arte Moderna?

A Semana de Arte Moderna ocorreu no ano de 1922, ocasião do centenário da Independência do Brasil. Esta festa motivou alguns dos artistas a repensarem a identidade nacional e a buscarem criar algo mais brasileiro.

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O Brasil nesse período passava por diversas mudanças políticas, econômicas e sociais. São elas:

  • o advento da industrialização;
  • o crescimento da urbanização;
  • a imigração estrangeira;
  • o clima do fim da Primeira Guerra Mundial.

Todas essas transformações motivaram os artistas a buscarem uma nova imagem para o país, que lhe acompanhasse a modernização.

Boa parte dos artistas precursores do modernismo, que pretendiam criar essa nova figura brasileira, tiveram sua formação em universidades europeias. É através destes círculos acadêmicos que eles se inspiram nas vanguardas e buscam implementar seus princípios na arte brasileira.

Apesar de procurarem criar uma arte autenticamente brasileira, a inspiração principal de suas ideias veio da Europa, assim como no parnasianismo.

Segundo o professor Rodrigo Gurgel: 

“Aquele grupo de jovens estava lá em Paris decidindo porque o Brasil precisava de uma nova literatura brasileira. Os caras estavam lá estudando nas melhores universidades, comendo do bom e do melhor, servindo-se com talheres de prata, estabelecendo altas discussões filosóficas e literárias com a elite cultural francesa, mas achavam que eles tinham a solução para a literatura brasileira. É a mesma arrogância, é o mesmo tipo de comportamento, algo eminentemente populista, demagógico”.

Na opinião do professor, o movimento da Semana de 22 é extremamente elitista, posto que um pequeno grupo de artistas se reúnem e creem ter legitimidade para estabelecer como deve ser a arte nacional.

Assim, a burguesia paulista, que dominava o cenário político e econômico nacional, busca tomar a frente da cultura nacional.

Apesar do caráter burguês e paulista do movimento, as novas regras modernistas tomaram todo o cenário artístico nacional.

Quem foram os artistas da Semana de Arte Moderna?

Semana de 22

A Semana de Arte Moderna de 1922 contou com a participação de alguns artistas, dentre os quais:

  • Mário de Andrade (1893-1945);
  • Oswald de Andrade (1890-1954);
  • Graça Aranha (1868-1931);
  • Victor Brecheret (1894-1955);
  • Plínio Salgado (1895-1975);
  • Anita Malfatti (1889-1964);
  • Menotti Del Picchia (1892-1988);
  • Ronald de Carvalho (1893-1935);
  • Guilherme de Almeida (1890-1969);
  • Sérgio Milliet (1898-1966);
  • Heitor Villa-Lobos (1887-1959);
  • Tácito de Almeida (1889-1940);
  • Di Cavalcanti (1897- 1976);
  • Guiomar Novaes (1894-1979).

E o que foi exposto na exibição?

Quais foram as principais obras apresentadas?

Artistas e características da semana de arte moderna de 22

Realizado entre os dias 13 e 17 de fevereiro, no saguão do Teatro Municipal de São Paulo, o festival da Semana de Arte Moderna incluiu a exposição diária de cerca de 100 obras e três sessões literárias e musicais noturnas.

O evento foi inaugurado pela palestra do escritor Graça Aranha: “A emoção estética da Arte Moderna”, seguido de apresentações musicais e exposições artísticas.

No segundo dia, houve uma apresentação musical, a palestra do escritor e artista plástico Menotti del Picchia e a leitura do poema “Os Sapos” de Manuel Bandeira.

Ronaldo de Carvalho fez a leitura, pois Bandeira encontrava-se numa crise de tuberculose. Nesse poema, a crítica à poesia parnasiana era severa, o que causou indignação do público, que respondeu com muitas vaias e burburinhos.

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A agitação geral só aumentou ao longo da Semana. As obras e suas propostas contestadoras e irreverentes foram muito mal recebidas.

Por fim, no terceiro dia, o teatro já se encontrava bem mais vazio. Quem subiu ao palco para apresentação foi o maestro Villa Lobos.

Ele entrou no palco calçando num pé um sapato e noutro um chinelo. O público vaiou, pois considerou a atitude futurista e desrespeitosa. Depois, foi esclarecido que Villa-Lobos entrou desta forma porque estava com um calo no pé.

Apesar da péssima recepção do público, as obras da Semana de Arte Moderna tiveram grande impacto.

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Quais foram os impactos da Semana de Arte Moderna?

A recepção do movimento gerou duas reações: a da crítica, que condenou tudo que foi apresentado, chegando inclusive a comparar os artistas com doentes mentais e loucos, e a do público que, desconfortável e insatisfeito com o que foi apresentado, ignorou o movimento modernista.

Apesar do fracasso dos três dias de evento da Semana de Arte Moderna, ela se tornou um marco cultural para a arte brasileira.

Suas ideias tornaram-se regras na academia brasileira, principalmente por influência das revistas, movimentos e manifestos que após a Semana de 1922 surgiram.

O objetivo desses grupos era espalhar o novo modelo artístico. Os que mais se destacaram foram:

  • Revista Klaxon (1922);
  • Revista Estética (1924);
  • Movimento Pau-Brasil (1924);
  • Movimento Verde-Amarelo (1924);
  • Manifesto Regionalista (1926);
  • Revista de Antropofagia (1928);
  • Movimento Antropofágico (1928).

A Semana de 22 cumpriu o papel de divulgação da arte moderna, que, por sua vez, cultivou o terreno para a consolidação de uma revolução artística e literária que tomou forma após 1922.

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