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Quem foi Ludwig van Beethoven? A história e o exemplo do compositor surdo

Redação Brasil Paralelo
Redação Brasil Paralelo

“Ter carregado o caixão de Beethoven.” Esta foi a resposta de Franz Schubert, renomado compositor austríaco, ao lhe perguntarem qual havia sido sua maior realização musical. Após a Nona Sinfonia de Beethoven, muitos sequer ousaram compor novas sinfonias.

Buscar conhecer quem foi Beethoven é fazer uma descoberta. Para muitos, sua vida foi mais que a biografia de um compositor. Sua história é repleta de não poucas perdas dolorosas. Mas entre as tragédias em sua vida e a surdez, triunfou o amor à música.

Beethoven compunha música erudita – significa “ex rude” -, cuja finalidade é desembrutecer o ser humano. Enriquecê-lo interiormente. Era sua intenção que as pessoas ouvissem e compreendessem algo na própria alma, percebendo sentimentos universais.  

Aprenda muito mais sobre história da música com o professor e pianista, Álvaro Siviero. Ele foi o primeiro brasileiro convidado a participar da imersão na obra de Beethoven na Casa Orfeo-Fondazione Wilhelm Kempff, em Positano. Premiado internacionalmente, também realizou um recital particular para o Papa Bento XVI. O curso de música é gratuito!

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O contexto do Classicismo e do Romantismo na música

A vida de Beethoven é também a expressão dos movimentos artísticos nos quais ele estava inserido. É preciso entendê-los para conseguir perceber a intensidade de sua biografia e composições.

Período do classicismo

Antes do classicismo havia o barroco, repleto de exageros, de ornamentos, de excessos. Para alguns artistas, essas características estavam unidas ao risco de retirar a atenção do ouvinte. Ele poderia não perceber a principal mensagem transmitida pela melodia.

O classicismo buscou uma linha melódica de simplicidade. Esta é a principal característica do movimento classicista, do qual Beethoven também fez parte. Buscava-se fazer isso de maneira agradável e positiva.

Na sequência, outro movimento contribuiu para a história da música, exaltando um elemento diferente.

O Romantismo e os sentimentos

A música possui três elementos principais: melodia, harmonia e ritmo. Os românticos, concentraram-se em provocar alterações no ritmo.

Os classicistas alteraram a melodia, mantendo o ritmo sempre o mesmo, contínuo e repetitivo. Esta característica não teve destaque no romantismo.

O maior espaço foi dado às emoções. O compositor diz ao seu ouvinte como ele se sente. Em suas músicas ele transmite paixões, raivas, ressentimentos, alegrias e, inclusive, mutações de sentimentos.

Ludwig van Beethoven destacou-se nesta vertente.

Quem foi Beethoven?

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Ludwig van Beethoven foi um pianista, regente e compositor alemão. Apesar da formação em filosofia, destacou-se como um gênio da música. Desde cedo, ele foi educado para ser um novo Mozart.

Beethoven partiu do clássico. Entretanto, sua maior contribuição foi principiar o movimento romântico na história da música.

Ao longo de sua vida, produziu mais de 200 obras entre sonatas, sinfonias, concertos e quartetos para cordas. A única ópera que produziu chama-se Fidélio.

Aos 26 anos de idade, Beethoven já apresentava problemas no sentido mais caro a um compositor: a audição. Aos 48, ele estava completamente surdo.

Suas obras comunicam ideias e sentimentos. Ele compreendeu as características românticas. De uma forma única, sua música tornou-se a representação das paixões por meio dos sons.

Beethoven, já sem ouvir o que compunha, foi pioneiro aumentando o número de músicos em uma orquestra. Sua última sinfonia também empregou algo nunca antes visto: a presença de um coro.

Álvaro Siviero é especialista em Beethoven e um dos professores que integra o Núcleo de Formação da Brasil Paralelo. Para aprender a história da música com ele, basta querer. As 5 aulas de música estão disponíveis.

Biografia de Ludwig van Beethoven

Sua vida foi conturbada. Ao ler sua história, percebe-se um homem cercado de tristezas e dificuldades. Por isso mesmo, sua biografia é um exemplo para muitas pessoas. Apesar de tudo, ele continuou seu trabalho.

As tragédias de sua infância e adolescência

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A história de Ludwig van Beethoven começa em 17 de dezembro de 1770 em Bonn, Alemanha. Neste dia ele foi batizado, mas presume-se que ele tenha nascido no dia 16 de dezembro, porque era costume batizar no dia seguinte ao do nascimento.

  • Em 16 de dezembro de 2020, data de publicação deste artigo, seus 250 anos são celebrados. No Especial de Natal da Brasil Paralelo, Beethoven foi homenageado e o pianista Álvaro Siviero representou algumas de suas principais composições.

Sua mãe, Maria Magdalena Keverich, era viúva de outro casamento e havia perdido seu primeiro filho ainda bebê. Depois, formou uma família com Johann van Beethoven.

Mais uma vez, seu primogênito morreu ainda bebê. O segundo filho foi Beethoven, que recebeu o mesmo nome de seu falecido irmão mais velho: Ludwig.

O terceiro e o quarto filhos sobreviveram, mas o quinto e o sexto não. Maria foi a sétima filha, irmã adorada de Beethoven. Morreu com um ano e meio de idade. Antes que morresse, porém, eles já haviam perdido a mãe, vítima da tuberculose.

Seu pai havia se tornado um alcoólatra descontrolado. Quando seu avô paterno faleceu, Beethoven precisou pedir que as rendas da herança não fossem dados ao seu pai, mas sim a ele, para servir de renda aos irmãos menores que estavam sob seus cuidados.

Aos 16 anos de idade, ele era órfão de mãe, havia perdido 4 irmãos, cuidava de dois e lidava com um pai refém da bebida.

Trajetória na música

Lodewijk van Beethoven, seu avô, foi pianista e regente. Ocupava um cargo prestigiado na época: maestro da capela do Príncipe-Bispo Clemente Augusto de Wittelsbach, na cidade de Colônia.

Seu pai também era músico e o fez estudar desde cedo. O primeiro instrumento que estudou foi a viola, um violino um pouquinho maior. Depois, já com 5 anos, dedicou-se também ao cravo.

A grande diferença entre o cravo e o piano é que, no piano, há martelos que batem nas cordas e, no cravo, há pinças que pinçam as cordas.

Sua educação musical foi muito difícil. Seu pai era muito exigente e aplicava lições por muitas horas, queria que Beethoven fosse um novo Mozart.  

  • Aos 7 anos, participou de um recital na Academia de Sternengass.
  • Aos 8, teve aulas com Christian Neefe, que lhe deu uma profunda formação musical.
  • Aos 11, já havia se tornado o organista-suplente da corte. Teve diversos professores, estudou Bach, aprendeu a tocar órgão e piano e aprendeu composições e teoria musical.
  • Aos 13 anos, era o solista de cravo da corte de Bonn. Teve a proteção do Príncipe Max Franz. Este era o governante dos trezentos pequenos Estados do Império Alemão.

Data desta época a publicação de sua primeira obra: Nove Variações para Piano sobre Marcha de Ernest Christoph Dressler. No ano seguinte, com 14 anos, publicou Três Sonatinas para Piano.

Em 1787, Beethoven foi recebido por Mozart, que viu nele um enorme potencial.

Após a morte de seu pai, Beethoven teve que deixar a escola para ajudar no sustento da casa. Para isso, dava aulas de piano e tocava na corte. Mais tarde, receberia a proteção de um conde que lhe encomendaria várias obras, Waldstein.

Por causa de seu benfeitor, Beethoven compôs uma belíssima sonata para piano e lhe deu o nome de Waldstein.

Mas o jovem Beethoven não ficou muito tempo em sua cidade natal. Aos 21 anos, mudou-se para o maior centro musical da época, Viena, onde procurou os contatos indicados pelo conde. Ele triunfou na cidade.

Beethoven fez do sofrimento e da amargura de sua vida uma explosão. Sua música  foi uma maneira de contestação e de eclosão para o mundo inteiro. Ele quis comunicar que as pessoas não podiam ficar paradas, que deveriam fazer algo.

Para Álvaro, Beethoven poderia pensar que sua vida não poderia ir avante.

“Eu acho que ele pensou naquela frase: ‘Eu reclamava que não tinha sapatos até que eu me encontrei com uma pessoa que não tinha os pés.”

Beethoven soube fazer algo a partir de sua realidade, difícil que fosse. Conseguiu.

Outro grande desafio que Beethoven precisou vencer foi o de sua frágil saúde.  

Como Beethoven ficou surdo?

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Aos vinte e seis anos de idade, ele começou a perceber os sintomas da surdez. Ele padeceu de uma doença degenerativa chamada otosclerose. Outros pesquisadores suspeitam, no entanto, que a surdez foi consequência de um episódio de febre tifoide.

Para um compositor e músico já reconhecido, o único sentido que não poderia falhar era a audição. Por muito tempo ele guardou para si este problema.

A história de Beethoven revela um homem que fugia das reuniões das classes artísticas e evitava contato com as pessoas, para que não percebessem o problema real pelo qual estava passando.

Em 1801, Beethoven relatou ao seu médico que estava há alguns anos perdendo a audição. Durante seus últimos 10 anos de vida, já estava completamente surdo. Aos 48 anos, já estava surdo para os sons do mundo, mas sofria ouvindo barulhos constantes, um zumbido permanente.

Entretanto, não parou de produzir. Ele havia desenvolvido a capacidade de memorizar o som das notas. Por isso, não precisava mais escutá-las. Justamente no ápice de sua surdez, ele alcançou sua produção mais brilhante.

Morte de Beethoven

Biografia-de-Beethoven

Após várias crises de depressão, foi acometido por uma pneumonia. A isto se somou a cirrose e uma infecção intestinal.

Aos 57 anos de idade, em 26 de março de 1827, Beethoven faleceu em Viena, Áustria. Estava compondo sua 10ª sinfonia.

Milhares de pessoas estiveram presentes em seu cortejo fúnebre. Ao contrário de artistas que alcançam a fama após a morte, Beethoven foi uma celebridade em vida.

Após sua morte, quando foram cuidar dos seus itens pessoais, uma carta impactante foi encontrada.

Testamento de Heiligenstadt

O Testamento de Heiligenstadt foi uma carta de Beethoven para seus irmãos menores, Kaspar e Nicolaus. Trata-se de um verdadeiro testemunho. Mais do que um irmão falando para outro, ele escreveu como um pai falando aos filhos.

A carta nunca foi entregue, mas foi encontrada após sua morte. Para a surpresa de todos, a carta carrega uma reflexão que serve para toda a humanidade.

“Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo.
Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. Iludido constantemente, na esperança de uma melhora, fui forçado a enfrentar a realidade da rebeldia desse mal, cuja cura, se não for de todo impossível, durará talvez anos! Nascido com um temperamento vivo e ardente, sensível mesmo às diversões da sociedade, vi-me obrigado a isolar-me numa vida solitária. Por vezes, quis colocar-me acima de tudo, mas fui então duramente repelido, ao renovar a triste experiência da minha surdez!
Como confessar esse defeito de um sentido que devia ser, em mim, mais perfeito que nos outros, de um sentido que, em tempos atrás, foi tão perfeito como poucos homens dedicados à mesma arte possuíam! Não me era contudo possível dizer aos homens: “Falai mais alto, gritai, pois eu estou surdo”. Perdoai-me se me vedes afastar-me de vós! Minha desgraça é duplamente penosa, pois além do mais faz com que eu seja mal julgado. Para mim, já não há encanto na reunião dos homens, nem nas palestras elevadas, nem nos desabafos íntimos. Só a mais estrita necessidade me arrasta à sociedade. Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava!
Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! Pareceu-me impossível deixar o mundo antes de haver produzido tudo o que eu sentia me haver sido confiado, e assim prolonguei esta vida infeliz. Paciência é só o que aspiro até que as parcas inclementes cortem o fio de minha triste vida. Melhorarei, talvez, e talvez não! Mas terei coragem. Na minha idade, já obrigado a filosofar, não é fácil, e mais penoso ainda se torna para o artista. Meu Deus, sobre mim deita o Teu olhar! Ó homens! Se vos cair isto um dia debaixo dos olhos, vereis que me julgaste mal! O infeliz consola-se quando encontra uma desgraça igual à sua. Tudo fiz para merecer um lugar entre os artistas e entre os homens de bem.
Peço-vos, meus irmãos assim que eu fechar os olhos, se o professor Schmidt ainda for vivo, fazer-lhe em meu nome o pedido de descrever a minha moléstia e juntai a isto que aqui escrevo para que o mundo, depois de minha morte, se reconcilie comigo. Declaro-vos ambos herdeiros de minha pequena fortuna. Reparti-a honestamente e ajudai-vos um ao outro. O que contra mim fizestes, há muito, bem sabeis, já vos perdoei. A ti, Karl, agradeço as provas que me deste ultimamente. Meu desejo é que seja a tua vida menos dura que a minha. Recomendai a vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou de minha miséria. Só a ela e à minha arte devo não ter terminado em suicídio os meus pobres dias. Adeus e conservai-me vossa amizade.
Minha gratidão a todos os meus amigos. Sentir-me-ei feliz debaixo da terra se ainda vos puder valer. Recebo com felicidade a morte. Se ela vier antes que realize tudo o que me concede minha capacidade artística, apesar do meu destino, virá cedo demais e eu a desejaria mais tarde. Entretanto, sentir-me-ei contente pois ela me libertará de um tormento sem fim. Venha quando quiser, e eu corajosamente a enfrentarei.
Adeus e não vos esqueçais inteiramente de mim na eternidade. Bem o mereço de vós, pois muitas vezes, em vida, preocupei-me convosco, procurando dar-vos a felicidade.
Sede felizes!”
Heiligenstadt, 6 de outubro de 1802. Ludwig van Beethoven

Abaixo, a carta foi declamada no Especial de Natal da Brasil Paralelo, enquanto Álvaro Siviero tocou a Sonata ao Luar, opus 27, n. 2. Vale a pena ouvir:

Principais características das obras de Beethoven

Para o compositor alemão, a música expressava ideias e não servia apenas para o lazer. Suas composições apresentam um forte teor emocional, que segue as características do Romantismo, predominante na arte europeia daquela época.

Ele foi do classicismo ao romantismo, em sua versão mais introspectiva e amadurecida. A produção artística de Beethoven é costumeiramente dividida em três períodos:

Primeira fase (1792-1800)

Suas composições foram influenciadas pelo Classicismo. As principais referências eram Mozart e Haydn.

Segunda fase (1800-1814)

Esta foi considerada sua fase mais madura. Os destaques produzidos neste período foram a Sinfonia nº 3, Eroica, e a Sinfonia nº 6, Pastoral.

Terceira fase (1814-1827)

Neste período ele já estava surdo. Apesar disso, atingiu o auge de sua técnica. Sua maior obra foi a Nona Sinfonia.

Abaixo, serão mais detalhadas a Quinta e a Nona, para que se compreenda melhor a grandiosidade de sua obra.

Quinta Sinfonia de Beethoven

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Sua sinfonia nº 5 foi composta em dó menor, op. 67. É uma das mais populares. Sua estreia aconteceu em 22 de dezembro de 1808, no Theater an der Wien, em Viena. O próprio Beethoven foi o regente.

Era noite de inverno e durante quatro horas o público ouviu composições desconhecidas, produzidas exclusivamente por Beethoven.

Ele começou a trabalhar nela em 1804, mas se dedicou verdadeiramente a ela em 1807. Quando a concluiu no ano seguinte, dedicou-a ao Conde Razumovsky e ao Príncipe Lobkowitz.

O grande público conhece especialmente seus quatro acordes iniciais. Sua popularidade cresceu enormemente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Isto aconteceu porque a composição da Quinta Sinfonia possui três tempos curtos somados a um longo (••• –). Em código morse significa V de vitória.

Estas quatro notas surgem logo no primeiro momento da sinfonia e depois se repetem em várias outras seções da orquestra. Assim, alterna-se a tensão e o descanso.

No século XX, a sinfonia, considerada moderna em seu tempo, tornou-se a mais famosa do Ocidente. Possui um pouco mais de meia hora de execução e é dividida em quatro movimentos:

  1. Allegro con brio;
  2. Andante con moto;
  3. Scherzo;
  4. Allegro.

Nona Sinfonia – A última sinfonia de Beethoven

A última obra composta por Ludwig van Beethoven foi a Sinfonia nº 9, em ré menor, op. 125. Quando ele a criou, já estava surdo e é a sua sinfonia mais impressionante.

Nela, ele mudou o conceito de sinfonia, considerada especificamente instrumental. A novidade foi a presença de cantores, solistas e coro no último movimento. Outro detalhe marcante foi que ele se aproximou do povo, provocando sentimento de união e proximidade.

Ele escolheu o poema Ode à Alegria (ou Hino à Alegria) do alemão Friedrich von Schiller para ser cantado no último movimento da sinfonia. Quatro solistas fizeram parte deste movimento final, além do coro.

Beethoven trabalhou nesta sinfonia por dois anos, intercalando com outras criações, e a dedicou a Frederico Guilherme III, rei da Prússia.

A Nona Sinfonia estreou em 7 de maio de 1824, em Viena. Apesar de não ouvir, aos 53 anos, foi ele quem regeu a orquestra. Teve a ajuda de um amigo, o primeiro violino da orquestra.

Sem ouvir os aplausos da plateia, Beethoven continuava de costas, como de costume. Karoline Unger, uma contralto solista, foi quem o virou para que ele pudesse ver que o estavam aplaudindo.

Sua duração é de pouco mais de uma hora e está dividida em quatro movimentos:

  1. Allegro ma non troppo, un poco maestoso;
  2. Molto vivace;
  3. Adagio molto cantabile, andante moderato;
  4. Finale: Presto.

A Nona Sinfonia de Beethoven conta com mais de 200 páginas e pertence ao acervo do Departamento de Música da Biblioteca Estatal de Berlim, ao lado das composições de outros grandes compositores, como Mozart e Bach.

O manuscrito original está quase integralmente conservado. Faltam 5 páginas do manuscrito. Duas páginas estão em Bonn, em sua casa. As outras três páginas estão na Biblioteca Nacional de Paris.

Depois da Nona Sinfonia, da Sinfonia Coral, de efeitos tão potentes quanto uma catarse grega, ninguém mais se sentia seguro em compor uma sinfonia.

Por exemplo, Johannes Brahms, compositor alemão, rasgou dois terços das obras que compôs. Conhecemos apenas um terço, porque quando ele terminava a composição ele comparava com Beethoven e rasgava.

Ode à Alegria

Na parte final da Nona Sinfonia de Beethoven está a Ode à Alegria, também conhecida como Hino à Alegria (Ode an die Freude). Como o nome diz, trata-se de um louvor à humanidade.

Quando a Revolução Francesa eclodiu, em 1789, dando origem ao que chamamos de Idade Contemporânea, Beethoven tinha dezenove anos de idade.

O compositor teve contato com os valores da Revolução Francesa e desejava celebrar a liberdade, a fraternidade e a igualdade entre os homens. Em 1985, a parte instrumental desta ode tornou-se o Hino Oficial da União Europeia.

Hoje em dia, é um símbolo de paz e comunhão entre os povos.

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Outra obras para começar a conhecer Beethoven

  • Três Sonatas para Piano, Opus 2 (1797);
  • Trio em Mi Bemol, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 3 (1797);
  • Serenata em Ré, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 8 (1798);
  • Três Sonatas para Piano e Violino, Opus 12 (1799);
  • Sonata em Dó Menor para Piano, Opus 13 (1799) (Sonata Patética);
  • Duas Sonatas para Piano, Opus 14;
  • Septeto em Mi Bemol, Opus 20 (1800) (Dedicado à Imperatriz Maria Teresa da Áustria);
  • Sinfonia nº 1 em Dó Maior, Opus 21 (1800);
  • Concerto nº 3, em Dó Menor, para Piano e Orquestra, Opus 37 (1800) (Dedicado ao Rei Luís Fernando da Prússia);
  • Sonata Quase uma Fantasia, Opus 27 nº 2 (Sonata ao Luar);
  • Sinfonia nº 2 em Ré Maior, Opus 36;
  • Sinfonia nº 3 em Mi Bemol Maior, Opus 55 (1805) (Heroica) (Título original: Sinfonia GrandeTitolata Bonaparte (Ao saber que Napoleão se fizera imperador dos franceses, trocou o título para Sinfonia Heroica);
  • Ópera Fidelio (1805);
  • Sonata em Fá Menor para Piano, Opus 57 (1808) (Appassionata) (Representou o rompimento dos últimos elos que o ligavam ao Classicismo e a adoção da linguagem emotiva que caracterizou a época romântica);
  • Concerto nº 5, para Piano e Orquestra, Opus 73 (1809) (Imperador);
  • Bagatela para piano (Für Elise) (1810);
  • Sinfonias nº 7 e nº 8 (1812);
  • Sonatas para Piano, Opus 106, 109, 110 e 111 (1822);
  • Missa Solene em Ré Maior, Opus 123 (1823);
  • Quartetos para Cordas, Opus 127, 130, 131, 132 e 135 (1825) (suas últimas composições).

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