A origem da nomenclatura "esquerda e direita"
A história dos termos esquerda e direita tem origem nos eventos decorrentes da Revolução Francesa de 1789, explica Adriano Gianturco, professor de Ciência Política do IBMEC-MG, PhD em Teoria Política e Econômica (Universitá di Genova).
A França do século XVIII estava em uma grande crise política e social. Grande parte da população passava fome e tinha péssimos serviços públicos, enquanto a nobreza e o rei tinham uma vida luxuosa, sustentada pelo dinheiro dos impostos da população.
Agitações sociais começaram a tomar o país e causar ainda mais desavenças sociais, levando o rei a convocar a Assembleia Nacional dos Estados Gerais, uma reunião dos representantes do povo (denominado terceiro estado), da nobreza (denominada segundo estado) e do clero (denominado primeiro estado).
Essas reuniões levaram os franceses a conclusão de que precisavam de uma nova constituição para administrar o seu país de forma mais justa. Foi na Assembleia Nacional Constituinte de 1791 que surgiram os termos direita e esquerda conforme são entendidos hoje.
O que é ser de direita?
Aqueles que se sentaram à direita do orador da Assembleia Nacional Constituinte, denominados girondinos, eram contras reformas radiciais, eles defendiam a manutenção do antigo regime com inovações a favor do povo, foi assim que nasceu o conceito de "ser de direita".
À esquerda sentaram-se os simpatizantes da revolução, os jacobinos, defendiam o fim do antigo regime, propondo uma sociedade completamente nova, explica Norberto Bobbio no livro Esquerda e direita: razões e significados de uma distinção política.
Os girondinos à direita não queriam uma mudança drástica, eram favoráveis ao rei e queriam conservar as coisas com prudência. Mas os jacobinos queriam uma revolução radical, mudar totalmente a forma como a sociedade se organizava, esperando melhorar tudo por meio de seus ideais realizados.
Revoluções Inglesa, o início da direita
Embora a nomenclatura "ser de direita" tenha surgido a partir dos eventos da Revolução Francesa, os princípios que regem essa linha de pensamento tem sua origem na Revolução Inglesa de 1642.
Nesse período, a Inglaterra era governada pelo rei Charles I. O Parlamento tinha uma função essencial no governo britânico, o rei não poderia aumentar impostos, escolher juízes ou aumentar seus gastos sem o consentimento dos parlamentares.
Buscando aumentar seu poder, Charles I tentou governar sem o Parlamento, mas logo a população inglesa se revoltou contra o monarca que desejava aumentar os impostos, destronando-o e iniciando uma experiência republicana no país, explica o historiador Conrad Russel no livro O Rei, o Parlamento e a Liberdade.
Assim nasceram os principais princípios da direita política.
Autores como John Locke e Oliver Cromwell, contemporâneos da Revolução Inglesa, defendiam que a autoridade estatal não pode governar contra princípios da ordem natural, tais como o livre mercado, a liberdade individual e a limitação de poder estatal.
Essa doutrina política influenciou os pais fundadores dos Estados Unidos em sua Guerra de Independência, explica o historiador Bernard Bailyn na obra The Ideological Origins of the American Revolution.
A Revolução Francesa e a esquerda se encaixam em outro espectro político, já que seus principais ideólogos eram defensores do progressismo e do iluminismo, tese oposta ao Direito Natural clássico.
O que é ser de direita atualmente?
Um nome atual que responde a essa pergunta é Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, mestre em ciências políticas pela Universidade de Stanford e deputado federal. Para ele, a direita possui diversos grupos diferentes, mas existem elementos que unem a maioria dos grupos, como:
- Defesa da ordem natural;
- Defesa de valores tradicionais;
- Defesa da propriedade privada;
- Aversão a utopias.