As primeiras medidas de Maurício de Nassau como governador da colônia holandesa no nordeste brasileiro buscaram reestruturar economicamente a região, que havia sido prejudicada pelos gastos com as batalhas contra os portugueses.
Para melhorar a situação econômica e militar do território, o Conde de Nassau adotou as seguintes ações:
- Trouxe cientistas, paisagistas e artistas europeus com o objetivo de promover o crescimento artístico e cultural da capital;
- Transferiu a capital de Pernambuco para a cidade de Recife;
- Promoveu a construção de um palácio e de um jardim botânico;
- Ordenou a criação de um observatório astronômico;
- Ofereceu crédito e empréstimos para o restabelecimento dos engenhos;
- Permitiu a liberdade de culto dentro da colônia holandesa.
Além de oferecer créditos aos proprietários de engenhos, Maurício de Nassau também vendeu engenhos que haviam sido abandonados pelos portugueses. Ele retomou o comércio de escravos africanos, uma prática que impulsionava a produção de açúcar, ao mesmo tempo em que manteve boas relações com os indígenas.
Para garantir o abastecimento de alimentos na colônia, incentivou o plantio de mandioca, produto básico para a subsistência local. Além disso, promoveu a urbanização das áreas sob controle holandês, melhorando a infraestrutura e organização das cidades.
Maurício de Nassau também conduziu campanhas militares para expandir os domínios holandeses no nordeste brasileiro, consolidando o poder da colônia.
As campanhas militares de Maurício de Nassau no Brasil
Maurício de Nassau, conhecido por sua erudição e por ser adepto do humanismo, incentivou o crescimento urbano e científico da colônia holandesa no Brasil. Apesar de dedicar esforços aos empreendimentos econômicos e culturais, ele também realizou ofensivas militares para expandir o território.
Logo no início de sua estadia, Nassau enfrentou os luso-brasileiros e os expulsou para além do Rio São Francisco, estabelecendo o rio como limite do Brasil Neerlandês.
No entanto, após uma batalha com as tropas de Bagnoli em Sergipe, percebeu que o Rio São Francisco não oferecia a proteção natural esperada, e a presença portuguesa na Bahia continuava sendo uma preocupação estratégica.
Nassau expandiu o domínio holandês para Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, estabelecendo alianças com tribos indígenas hostis aos luso-brasileiros.
Ao retornar a Recife, soube que uma armada luso-hispânica estava a caminho, liderada pelo Conde da Torre, D. Fernando Martins de Mascarenhas, com o objetivo de restaurar o controle português no nordeste.
Decidido a neutralizar a ameaça, Nassau tentou conquistar a Bahia. Embora a campanha não tenha sido um sucesso militar, ele conseguiu capturar um significativo espólio, evitando um fracasso completo da Companhia Neerlandesa.
No entanto, esse evento marcou o início de desentendimentos entre Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais.
Declínio de Maurício de Nassau
Em 1640, com a coroação do Duque de Bragança como Rei João IV de Portugal, encerrou-se a crise sucessória entre Portugal e Espanha, restabelecendo a independência de Portugal.
Esse novo cenário acelerou os planos de Maurício de Nassau, que, diante da iminência de um tratado entre Amsterdã e Lisboa, buscou expandir os domínios holandeses de forma secreta, incluindo a conquista de territórios em Angola e São Tomé.
Segundo o historiador Evaldo Cabral de Mello, autor do livro Brasil Holandês, a queda do domínio neerlandês no Brasil começou em 1642, apesar dos esforços de Nassau para garantir benefícios para a colônia por meio da diplomacia.
Nassau percebia que a independência de Portugal representava uma ameaça para o Brasil Holandês, já que o novo contexto político facilitava a retomada do território pelos portugueses.
Durante o governo de Maurício de Nassau, a colônia holandesa no Brasil alcançou seu auge. Nassau consolidou um exército em Pernambuco e anexou outras capitanias, como Ceará, Sergipe e Maranhão. No entanto, sua tentativa de anexar a Bahia não teve sucesso.
Diz Evaldo Cabral de Mello:
"A política de conciliação que adotou e sua peça fundamental, a tolerância da religião católica, eram certamente um imperativo da dependência em que se achava a produção de açúcar em relação aos senhores de engenho, lavradores de cana e artesãos da nação portuguesa. Mas não se deve afirmar grosseiramente que a atitude de Nassau e das autoridades batavas decorresse apenas das exigências do sistema produtivo. A liberdade de consciência era doutrina oficial da República dos Países Baixos e assim foi proclamada na sua carta fundamental, a União de Utrecht.”
Após a derrota na Bahia e desentendimentos com a Companhia das Índias Ocidentais, começaram a circular rumores entre as cortes holandesas e o governo da colônia brasileira sobre a forma como o Conde de Nassau geria seus gastos.
Em 1642, Maurício de Nassau escreveu às cortes holandesas:
“Soube de muito boa fonte que, na pátria, não cessam de bradar contra minhas despesas extraordinárias e de dizer que eu esgotava os recursos da Companhia. É penoso saber que se é difamado desta maneira quando todo o mundo sabe que durante esses cinco anos me tenho alimentado de ervilhas, favas, toucinho e carne estragada, vivendo tão miseravelmente que, entre os portugueses, minha pessoa e meu título têm sido expostos ao ridículo e ao desprezo [...] É verdade que minhas despesas com alimentação, comparativamente ao que poderiam custar nos Países Baixos, podem parecer elevadas, mas não devo ser responsabilizado por tal. É preciso considerar que tudo aqui é seis vezes mais caro e que uma mesa, como a que mantenho aqui, na pátria custaria apenas 15 mil florins”.
Embora tenha tentado adiar sua saída do governo da colônia, em 1643, Maurício de Nassau, apesar dos avanços que havia realizado na colônia holandesa, recebeu uma carta de dispensa da Companhia das Índias Ocidentais.
Em 1644, ele desembarcou em Texel, na Holanda, trazendo consigo uma vasta coleção de obras de arte.
A Morte de Maurício de Nassau
Após retornar à Holanda, Maurício de Nassau estabeleceu-se em Haia e continuou a participar de campanhas militares, incluindo a Guerra dos Trinta Anos.
Seus serviços lhe garantiram o título de Marechal de Campo e o cargo de Governador da região do Sacro Império Romano-Germânico conhecida como Cleves, além das regiões de Mark e Ravensberg.
Foi também elevado ao título de Príncipe de Nassau-Siegen, na atual Alemanha, pelo rei Fernando III.
Frei Manuel Calado menciona em seus escritos que o Conde de Nassau não se casou, apesar de ter tido amantes no Brasil, que eram companheiras de seus colegas de governo ou funcionários.
Maurício de Nassau residiu em Cleves até o final de sua vida e faleceu em 20 de dezembro de 1679, sem deixar herdeiros.
Legado de Maurício de Nassau
Maurício de Nassau, ficou marcado na história como o principal governador da colônia holandesa no Brasil. Com sua formação aristocrática e humanista, influenciou o nordeste brasileiro, deixando traços que ainda são percebidos na cultura local.
Com sua experiência militar, anexou importantes capitanias ao seu território, embora não tenha conseguido tomar o território baiano, que seria estratégico para o sucesso da colônia holandesa no Brasil.
Embora sua estadia no Brasil não tenha sido longa, Maurício de Nassau desempenhou um papel importante na reestruturação da região, que havia sofrido economicamente devido a conflitos e desentendimentos entre portugueses e holandeses.
A presença holandesa no Brasil marcou o século XVII, e sua expulsão contribuiu para o desenvolvimento da identidade nacional brasileira, como abordado no segundo episódio da série Brasil: A Última Cruzada.
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