Ir para o conteúdo principal
Mundo•5 min de leitura

Nobel da Paz acusa Israel de genocídio e israelenses falam em propaganda nazista

Navi Pillay, de 85 anos, presidiu a comissão da ONU sobre Gaza. Trump, que dizia merecer o prêmio, ficou de fora pelo segundo ano.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Navi Pillay fala diante do símbolo da ONU
Fonte da imagem: Reprodução

Receba notícias gratuitamente em seu email

Próximo envio em
22h
57m
35s

A jurista sul-africana Navi Pillay ganhou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9). Ela presidiu a comissão da ONU que, em 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza.

A escolha deixou Donald Trump de fora mais uma vez. Pelo segundo ano seguido, o presidente americano havia dito que merecia o prêmio.

O comitê norueguês justificou a decisão pelos “esforços na promoção da paz e do direito internacional” de Pillay, que tem 85 anos.

Ela nem sabia que tinha vencido. O comitê não conseguiu falar com ela antes do anúncio. Pillay recebeu a notícia em uma conferência sobre crimes de guerra em Nuremberg, na Alemanha, e reagiu com humor.

“Deve ser uma piada. Se vocês baterem mais palmas, posso acabar dividindo esse prêmio com Trump.”

  • Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo. 

De advogada no apartheid a juíza internacional

Pillay nasceu em Durban, em uma família de origem tâmil indiana. O pai era motorista de ônibus.

Ela começou a carreira durante o apartheid, o regime de segregação racial que vigorou na África do Sul até 1994, defendendo opositores como Nelson Mandela.

Depois, foi juíza do tribunal da ONU criado para julgar o genocídio de Ruanda. Também atuou no Tribunal Penal Internacional e foi alta comissária da ONU para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.

Hoje, é juíza da Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria muçulmana rohingya.

Além da medalha, ela vai receber 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.

[LIVE] LULA RAIO-X 3

Israel compara prêmio a propaganda nazista

A reação de Israel veio rápido. O Ministério das Relações Exteriores chamou a escolha de “grotesca instrumentalização” do prêmio para legitimar o ódio contra o país.

“Agora que a comissão Nobel premiou a maior mentira do século 21, Joseph Goebbels certamente está aplaudindo do inferno”, escreveu a pasta. Goebbels foi o ministro da propaganda de Hitler.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o comitê perdeu sua bússola moral. Para ele, Pillay construiu a carreira “em torno de inventar e propagar libelos de sangue” contra Israel.

O relatório da comissão apontou que autoridades israelenses, incluindo Netanyahu, incitaram atos de genocídio em Gaza.

Ao comentar o prêmio, Pillay lembrou o documento.

“A última coisa que fiz foi entregar o relatório sobre Gaza, qualificando o que está acontecendo lá como genocídio.”

O próprio comitê, porém, evitou tomar lado. O presidente do grupo, Jørgen Watne Frydnes, disse que a decisão sobre genocídio cabe à Corte Internacional de Justiça.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui.

[LIVE] LULA RAIO-X 3
[LIVE] LULA RAIO-X 3