Nobel da Paz acusa Israel de genocídio e israelenses falam em propaganda nazista
Navi Pillay, de 85 anos, presidiu a comissão da ONU sobre Gaza. Trump, que dizia merecer o prêmio, ficou de fora pelo segundo ano.

A jurista sul-africana Navi Pillay ganhou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9). Ela presidiu a comissão da ONU que, em 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza.
A escolha deixou Donald Trump de fora mais uma vez. Pelo segundo ano seguido, o presidente americano havia dito que merecia o prêmio.
O comitê norueguês justificou a decisão pelos “esforços na promoção da paz e do direito internacional” de Pillay, que tem 85 anos.
Ela nem sabia que tinha vencido. O comitê não conseguiu falar com ela antes do anúncio. Pillay recebeu a notícia em uma conferência sobre crimes de guerra em Nuremberg, na Alemanha, e reagiu com humor.
“Deve ser uma piada. Se vocês baterem mais palmas, posso acabar dividindo esse prêmio com Trump.”
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De advogada no apartheid a juíza internacional
Pillay nasceu em Durban, em uma família de origem tâmil indiana. O pai era motorista de ônibus.
Ela começou a carreira durante o apartheid, o regime de segregação racial que vigorou na África do Sul até 1994, defendendo opositores como Nelson Mandela.
Depois, foi juíza do tribunal da ONU criado para julgar o genocídio de Ruanda. Também atuou no Tribunal Penal Internacional e foi alta comissária da ONU para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.
Hoje, é juíza da Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria muçulmana rohingya.
Além da medalha, ela vai receber 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.
Israel compara prêmio a propaganda nazista
A reação de Israel veio rápido. O Ministério das Relações Exteriores chamou a escolha de “grotesca instrumentalização” do prêmio para legitimar o ódio contra o país.
“Agora que a comissão Nobel premiou a maior mentira do século 21, Joseph Goebbels certamente está aplaudindo do inferno”, escreveu a pasta. Goebbels foi o ministro da propaganda de Hitler.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o comitê perdeu sua bússola moral. Para ele, Pillay construiu a carreira “em torno de inventar e propagar libelos de sangue” contra Israel.
O relatório da comissão apontou que autoridades israelenses, incluindo Netanyahu, incitaram atos de genocídio em Gaza.
Ao comentar o prêmio, Pillay lembrou o documento.
“A última coisa que fiz foi entregar o relatório sobre Gaza, qualificando o que está acontecendo lá como genocídio.”
O próprio comitê, porém, evitou tomar lado. O presidente do grupo, Jørgen Watne Frydnes, disse que a decisão sobre genocídio cabe à Corte Internacional de Justiça.
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