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Política•5 min de leitura

Veja os jornais e meios de comunicações que tinham relação com Daniel Vorcaro

Banqueiro teria construído uma rede para defender o Banco Master de acusações.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Veja os jornais com relações com Vorcaro
Fonte da imagem: Reprodução

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As mensagens do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, revelaram que o banqueiro tinha relações com uma ampla rede de veículos de comunicação.

Alguns deles chegaram a receber financiamento e permitiram que ele tivesse poder sobre as redações.

Veja abaixo a lista dos veículos:

Carta Capital

O jornal tradicionalmente associado à esquerda foi um dos primeiros veículos de comunicação a receber dinheiro do Banco Master.

Em 2021, a publicação fez um contrato de patrocínio por cinco anos com o então Banco Máxima, que depois passou a se chamar Banco Master, segundo apuração do Uol. 

Antes mesmo da assinatura, em dezembro de 2020, o banco já havia adiantado R$300 mil à publicação.

As mensagens mostram que o dinheiro ajudava a manter as operações da revista. Em uma conversa, a diretora Manuela Carta informou ao banqueiro que precisaria de "mais um recurso para a próxima folha de pagamentos".

Em agosto de 2023, a Carta submeteu a Vorcaro a decisão sobre a publicação de uma reportagem enquanto negociava a possível entrada do banqueiro como sócio da empresa. 

A operação não avançou, mas, em 2024, Manuela voltou a pedir um "adiantamento de publicidade". Vorcaro respondeu que poderia ajudar "fora do banco".

O jornal chegou a divulgar uma nota de Manuela Carta afirmando que a relação seguiu as normas do mercado:

“O Banco Master fechou um contrato de publicidade com a editora em 2021 e anunciou na revista até 2023. Tratava-se de um contrato regular de veiculação de anúncio, conforme as regras do mercado publicitário.”

Diário do Centro do Mundo (DCM)

Outro portal de esquerda a ser financiado pelo banqueiro foi o Diário do Centro do Mundo, mais conhecido como DCM.

Segundo os diálogos revelados pelo UOL, o portal recebia pagamentos mensais para evitar a publicação de conteúdos negativos sobre o banqueiro e o Banco Master.

As negociações eram conduzidas por Felipe Mourão, responsável pela reputação digital de Vorcaro. 

A relação começou em outubro de 2024, após a publicação de uma notícia negativa, o banqueiro determinou a criação de uma "parceria" com pagamento mensal. 

A condição, segundo as mensagens, era que "não saísse uma frase" sobre ele ou o Banco Master.

Mourão informou que o acordo previa a retirada de conteúdos e a possibilidade de publicar, todos os meses, uma matéria sobre pessoas indicadas pelo grupo de Vorcaro. 

Em 21 de outubro de 2024, ele confirmou ao banqueiro: "DCM está pago e fechado". As conversas também mostram que Vorcaro interferia diretamente no conteúdo publicado. 

Em maio de 2025, após um artigo crítico ao Banco Master, ele ordenou: "Tira isso imediato". Segundo Mourão, o texto foi removido no mesmo dia.

Metrópoles

As mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro autorizou cerca de R$52 milhões em pagamentos ao portal Metrópoles entre 2024 e 2025. 

Nas conversas com sua superintendente de Comunicação e Marketing, Ana Lúcia Matos, o banqueiro tratava os contratos com o veículo como prioridade absoluta. 

"Coisa mais importante da nossa vida é esse Metrópoles", escreveu ao rejeitar a sugestão de reduzir um contrato de R$ 20 milhões.

Os diálogos mostram uma sequência de acordos. Em 2024, duas ações de educação financeira somaram cerca de R$900 mil. 

Um relatório do Coaf, revelado pelo Estadão, apontou que o Banco Master transferiu diretamente R$27,2 milhões ao Metrópoles entre 2024 e 2025. 

Segundo o órgão, parte desses recursos foi imediatamente direcionada para empresas da família do empresário Luiz Estevão, proprietário do porta..

Além disso, mensagens entre o banqueiro e a CEO do portal, Lilian Tahan, mostram que Vorcaro podia ler antes da publicação de matérias e pedir alterações.

Ela chegou a enviar 14 textos para Vorcaro, sendo que 11 foram alterados a pedidos diretos dele.

IstoÉ

As mensagens também apontam influência de Daniel Vorcaro sobre as revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro. 

Segundo o UOL, Flávio Carneiro, investidor das publicações e assessor de imagem do banqueiro, intermediava as demandas relacionadas às revistas.

Em 2024, Vorcaro pediu uma capa da IstoÉ Dinheiro sobre a farmacêutica Biomm, empresa na qual havia investido. Durante a conversa, afirmou: "Na IstoÉ é que controlamos mais".

Os diálogos também mostram que o banqueiro queria acompanhar previamente reportagens envolvendo lideranças políticas. 

Em uma mensagem, determinou: "Qualquer coisa de Ciro, Arthur, Hugo não pode sair nada sem me falar", em referência a Ciro Nogueira, Arthur Lira e Hugo Motta. 

De acordo com o noticiado pelo UOL, Flávio Carneiro respondeu: "Vou colocar o Lira nessa lista agora".

Brazil Journal

As mensagens reveladas pelo UOL indicam que o fundador do Brazil Journal, Geraldo Samor, consultava Daniel Vorcaro antes da publicação de reportagens sobre o Banco Master. 

O banqueiro recebia os textos, sugeria alterações e era informado quando seus pedidos eram atendidos.

Em fevereiro de 2024, por exemplo, Vorcaro pediu a retirada de uma referência ao agronegócio em uma reportagem sobre o banco. 

Samor respondeu que o texto já havia sido atualizado. Em outro episódio, o banqueiro solicitou a exclusão do nome do Banco Voiter de uma matéria sobre o Will Bank, alteração que também foi feita.

As conversas mostram ainda que Vorcaro recebeu antecipadamente uma reportagem sobre um evento do Banco Master em Londres, com a participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. 

Na ocasião, pediu a inclusão de informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Outro elemento citado pelo UOL envolve a estrutura societária do veículo. Em 2023, a empresa BJ Conteúdo, responsável pelos vídeos e eventos do Brazil Journal, vendeu 49,86% de participação para a Foone, empresa ligada a Flávio Carneiro, assessor de imagem de Vorcaro.

PlatôBR

No PlatôBR, as mensagens apontam que a influência de Daniel Vorcaro era exercida por meio de Flávio Carneiro, cuja empresa, Foone, integrava o quadro societário do portal.

Em março de 2025, após o anúncio da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, Carneiro informou ao banqueiro que passaria a enviar os textos antes da publicação. "Vou te mandando as minutas e você analisa e publicamos", escreveu.

Na mesma noite, encaminhou uma entrevista do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. 

Vorcaro reclamou do destaque dado aos precatórios no subtítulo. Depois da publicação, voltou a pedir mudanças: "Vamo alterar agora". Carneiro respondeu que faria a alteração.

As conversas também mostram pedidos para interferir na cobertura política. Em agosto de 2025, Vorcaro determinou: "Não deixa Platô falar de Ciro e Rueda", em referência aos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda.

No mesmo mês, pediu que o portal intensificasse críticas contra Ricardo Cappelli, então presidente da ABDI e pré-candidato ao governo do Distrito Federal. 

"Tem que pegar o Platô e moer esse Cappelli", escreveu. 

Carneiro respondeu: "Vamo desancar esse desgraçado", acrescentando que alinharia a estratégia com o PlatôBR e o Correio.

[LEAD] Cobertura eleições

Consultor jurídico (Conjur)

O Consultor Jurídico (ConJur) também aparece nas mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, mas em um contexto diferente dos outros veículos.

Segundo reportagem da Jovem Pan, as conversas mostram contatos entre o banqueiro e Márcio Chaer, fundador e então diretor do ConJur.

Os dois conversavam sobre a organização do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, em abril de 2024, com patrocínio do Banco Master.

As mensagens indicam que Chaer participava da organização do evento e discutia com Vorcaro a lista de convidados. 

Em uma das conversas, o banqueiro informa ao jornalista que o empresário Joesley Batista havia sido vetado após consulta ao ministro Alexandre de Moraes.

"Boa. Só Joesley foi bloqueado. Não comentou os demais. Entendo que aprovou."

O evento reuniu ministros do STF, integrantes do STJ, o procurador-geral da República Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, além de empresários e outras autoridades.

A investigação também identificou e-mails sobre os custos do encontro, incluindo uma degustação de whisky Macallan no George Club, em Londres. 

O serviço foi registrado em US$640.831,88, cerca de R$3,3 milhões na cotação da época. 

Durante uma sessão do STF, Alexandre de Moraes confirmou ter participado do encontro.

Diferentemente de outros casos revelados pelas investigações, as mensagens não indicam que Vorcaro tivesse influência sobre o conteúdo editorial ou sobre reportagens publicadas pelo ConJur. 

Folha de São Paulo

O portal Metrópoles apontou para uma tentativa de interferência na cobertura da Folha de S.Paulo. 

Segundo os diálogos, Vorcaro ofereceu um de R$1 milhão ao consultor de comunicação Guilherme Barros caso conseguisse adiar a publicação de uma reportagem sobre o Banco Master em agosto de 2024.

"Se você conseguir segurar e não sair nada, você tem um prêmio de R$ 1 milhão", escreveu o banqueiro. 

Pouco depois, Barros disse que “a Folha vai segurar a matéria. O Sérgio me respondeu agora", em referência ao diretor de redação da Folha, Sérgio Dávila.

As conversas também indicam que Dávila teria solicitado um encontro com Vorcaro após o ocorrido. 

Segundo as mensagens, a reunião ocorreu na sede do jornal, com a presença do diretor e de outros editores.

De acordo com o Metrópoles, após esse encontro, Vorcaro conseguiu influenciar trechos da reportagem. 

As mensagens indicam que textos preparados por sua equipe de comunicação, destacando resultados positivos do Banco Master, foram incorporados à publicação.

Os textos incluíam referências ao crescimento do banco, à aquisição da Kovr e aos CDBs da instituição, descritos como os "mais rentáveis do mercado". 

Parte desses trechos foi retirada da reportagem após a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.

Grupo Globo

As mensagens revelaram uma relação próxima entre Daniel Vorcaro e Frederic Kachar, então diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio. 

Em fevereiro de 2024, Vorcaro convidou Kachar para encontros privados que aconteciam "todas as terças" em São Paulo.

Nas mensagens, o executivo da Globo fazia referência a esses encontros usando as expressões "guerra da Ucrânia" e "bomba na Rússia".

O banqueiro organizou uma rede de prostituição que chegou a recrutar refugiadas ucranianas que deixaram o país em meio à guerra.

As mensagens mostram que a relação entre os dois também teve desdobramentos institucionais.

O Banco Master foi o principal patrocinador do Summit Valor Econômico Brazil-USA, realizado em maio de 2024 no Hotel Plaza, em Nova York.

O evento era promovido pelo Grupo Globo e organizado sob a gestão de Frederic Kachar. Na ocasião, Vorcaro participou da abertura para apresentar produtos da instituição financeira.

As conversas também registram pedidos sobre cobertura jornalística. Em outubro de 2024, Vorcaro solicitou que Kachar articulasse reportagens sobre Martha Graeff, sua então namorada, e sobre a empresa dela, a Happy Aging.

Cinco dias depois, Vogue, Marie Claire e Ela, de O Globo, publicaram matérias relacionadas ao lançamento da marca.

Também não há comprovação de que as reportagens tenham sido pagas ou condicionadas à contratação de publicidade.

Executivo afirmou que não poderia interferir em jornalistas

Em outras mensagens, Vorcaro reclamou da cobertura do Valor Econômico e da jornalista Malu Gaspar sobre o Banco Master.

Segundo os diálogos, Frederic Kachar respondeu defendendo a autonomia dos jornalistas e afirmou que não poderia interferir no trabalho dos colunistas.

As conversas analisadas também não mostram qualquer evidência de censura ou retirada de reportagens.

Nesta quinta-feira (15), o Grupo Globo informou o desligamento de Frederic Kachar por causa das mensagens.

Comentaristas também estavam na folha de pagamento

Além dos veículos propriamente ditos, Vorcaro também tinha relações comerciais com comentaristas políticos.

Gabriela Priori

Um dos casos mais impressionantes revelados nesta semana envolve a advogada e influenciadora Gabriela Priori.

Segundo documentos obtidos pelo Estadão, ela teria participado de uma estratégia de comunicação do Banco Master para responder às críticas dirigidas à instituição.

As conversas mostram que Ana Matos, então superintendente de Comunicação e Marketing do banco, informou a Vorcaro que Prioli havia assinado um contrato de 12 meses. 

Segundo ela, a influenciadora faria parte de um grupo de cerca de 15 influenciadores, de diferentes espectros políticos, contratado para defender o banco e rebater críticas na internet.

"A conversa com a Prioli foi excelente. Estamos finalizando o roteiro do post que irá ao ar", relatou Ana.

Vorcaro comemorou a contratação e chegou a dizer que "Prioli foi a melhor estratégia de todas disparado."

As mensagens indicam que os roteiros dos vídeos eram discutidos com a equipe do Banco Master e recebiam sugestões diretas de Vorcaro. 

Em um dos diálogos, o banqueiro pediu que Gabriela Prioli mencionasse seu nome e os ataques que dizia sofrer para responder ao que classificava como "fake news". 

Ana Matos respondeu dizendo que "Coloquei isso na Prioli. Pra dar esse gancho."

Em abril de 2025, Vorcaro também sugeriu que a influenciadora gravasse um vídeo explicando que os CDBs do Banco Master eram seguros graças à cobertura do FGC. 

Posteriormente, Prioli publicou um vídeo afirmando: "Esse investimento, o CDB, é mais seguro porque é garantido pelo FGC."

Segundo o Estadão, ao menos quatro publicações relacionadas ao Banco Master teriam sido produzidas nesse contexto. 

Os vídeos foram removidos das redes sociais da influenciadora. Gabriela Prioli negou ter sido contratada para defender o Banco Master. 

Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que nunca recebeu pagamentos da instituição e disse que não integrou qualquer rede de influenciadores financiada pelo banco.

Ela afirma que nunca participou de nenhuma reunião com pessoas do banco e que sua equipe nunca teve contato com ninguém da instituição. 

Reinaldo Azevedo

As mensagens atribuídas ao celular de Daniel Vorcaro também mostram uma relação financeira entre o Banco Master e o jornalista Reinaldo Azevedo. 

O podcast Reconversa, apresentado por Azevedo e pelo advogado Walfrido Warde, firmou um contrato de patrocínio de R$1,2 milhão, dividido em 12 parcelas de R$100 mil, a partir de março de 2024.

De acordo com o próprio jornalista, o contrato foi feito com a Super, empresa ligada ao Banco Master. 

Azevedo afirmou que sete parcelas chegaram a ser pagas, todas declaradas e com os impostos recolhidos.

Em nota para a rádio TMC, o jornalista negou qualquer interferência editorial e afirmou que nunca escreveu textos em defesa do Banco Master.

Além disso, ele afirmou que o Reconversa não atuava em favor dos interesses da instituição e que jamais conversou com Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel. 

Também destacou que, quando o contrato foi assinado, em março de 2024, ainda não havia acusações públicas contra o banco.

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