Quem é Lulinha, filho de Lula citado por Flávio no debate sobre fraudes no INSS?
Flávio Bolsonaro questionou o presidente sobre as investigações envolvendo seu filho. Fábio Luís é investigado por suspeitas de tráfico de influência e nega irregularidades.

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tornou-se um dos principais assuntos do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado neste domingo (18), pela Band.
Flávio Bolsonaro cobrou explicações de Lula sobre as investigações envolvendo seu filho e levantou suspeitas de que parte do dinheiro desviado de aposentados do INSS poderia ter beneficiado Fábio Luís.
Lula respondeu que seu filho colocou informações bancárias e o celular à disposição dos investigadores. Também afirmou que não pretende proteger familiares caso sejam identificadas irregularidades.
“Ele virá prestar depoimento e não irá se esconder. No meu mundo, ninguém se esconde”, declarou o presidente.
A discussão aconteceu um dia depois de Roberta Luchsinger, lobista investigada pela Polícia Federal, afirmar à CNN que Lulinha participava de reuniões com ministros do governo federal.
Mas quem é o filho do presidente que passou a ocupar o centro das acusações durante o debate eleitoral?
Lulinha já havia sido citado nas investigações sobre o INSS
Em dezembro de 2025, o nome de Lulinha voltou ao noticiário após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o escândalo do INSS rejeitar sua convocação e o deputado Evair Vieira de Melo (PP) pedir ao STF cooperação internacional e eventual extradição.
O parlamentar alegou haver “indícios relevantes” de que o filho mais velho de Lula teria recebido dinheiro do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador de fraudes em descontos ilegais sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
A defesa de Lulinha nega as acusações.
De acordo com depoimento prestado à Polícia Federal por um ex-funcionário de Antunes, Fábio Luís teria recebido cerca de R$ 300 mil mensais e transferências que somariam R$ 25 milhões.
Integrantes do partido Novo também apontaram movimentações envolvendo o dirigente petista Ricardo Bimbo, citado em relatório do Coaf por receber R$8,4 milhões de uma empresa suspeita e, no mesmo período, pagar um boleto ao contador de Lulinha.
Com base nesses elementos, a oposição tentou convocá-lo à CPMI, mas a base governista barrou o pedido.
No ofício encaminhado ao ministro Edson Fachin, Evair sustentou que a mudança de Lulinha para Madri, na Espanha, em 2025, coincidiu com o avanço das investigações e gerava “inquietação institucional”.
Ele pediu que o STF avaliasse medidas de cooperação jurídica com a Espanha. Na ocasião, ainda não havia denúncia formal contra Lulinha no caso do INSS.
Quem é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha?
Fábio Luís nasceu em 1975, em São Bernardo do Campo (SP), é biólogo formado pela Universidade Paulista e trabalhou como monitor no Zoológico de São Paulo.
Nos anos 2000, migrou para o setor de mídia e tecnologia. Em 2004, fundou com amigos a Gamecorp, empresa de games e entretenimento que mais tarde operaria o canal PlayTV.
O salto do negócio veio em 2005, quando a Telemar/Oi investiu milhões na Gamecorp, adquirindo participação na empresa.
O aporte, vindo de uma companhia que tinha fundos de pensão estatais entre os sócios, levantou suspeitas de favorecimento político.
O Ministério Público investigou possível tráfico de influência, mas o caso acabou arquivado anos depois, sem denúncia.
Anos mais tarde, a Operação Lava Jato voltou a mirar o grupo empresarial ligado a Lulinha.
A fase “Mapa da Mina” investigou repasses estimados em R$132 milhões da Oi para empresas associadas à Gamecorp e seus sócios, sob suspeita de contratos fictícios e uso de recursos em negócios como o sítio de Atibaia.
Em 2019, o MPF chegou a denunciar Fábio Luís e outros investigados por corrupção e lavagem de dinheiro.
Em 2022, porém, a 10ª Vara Federal de São Paulo determinou o arquivamento do caso.
A Justiça considerou nulas as provas produzidas em fases da Lava Jato que foram posteriormente invalidadas pelo STF, em razão da suspeição do então juiz Sergio Moro.
Sem provas válidas, o Ministério Público pediu o encerramento da ação. A defesa de Lulinha afirmou que a decisão mostrou que ele “não cometeu qualquer delito”.
Perícias apontaram que a evolução patrimonial de Lulinha entre 2004 e 2014 era compatível com rendimentos declarados, sem irregularidades identificadas nas movimentações examinadas.
Fora das polêmicas, Lulinha nunca ocupou cargos públicos nem funções oficiais em governos petistas. Ele atua como empresário em mídia e tecnologia, mantém participações em empresas e vive em Madri, onde trabalha no setor privado.
Sua defesa afirma que ele não tem relação ilícita com o “Careca do INSS” e classifica as acusações como infundadas.
Roberta Luchsinger diz que Lulinha se reunia com ministros
Em outubro de 2026, novas declarações ampliaram a repercussão das investigações sobre o filho do presidente.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal, afirmou à CNN Brasil, no sábado (17), que Lulinha participava frequentemente de reuniões com ministros do governo federal.
Segundo ela, o filho do presidente também esteve na casa do ex-ministro da Educação Camilo Santana, no Ceará.
A assessoria de Camilo negou que ele tenha tratado de assuntos de governo ou negócios com Lulinha.
Roberta afirmou ainda que pretende fazer uma delação premiada e que não poupará Lula nem o filho.
A empresária é investigada ao lado de Lulinha em apurações sobre suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações com órgãos públicos.
Três inquéritos no STF investigam possíveis irregularidades envolvendo o filho do presidente. Entre os órgãos citados nas apurações estão o Ministério da Saúde e a Dataprev.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.
O Palácio do Planalto também contestou as declarações de Roberta. Em nota, Lula afirmou que nunca recebeu demandas da empresária e desconhece as negociações mencionadas por ela.
Lula defende o filho após cobranças de Flávio no debate
As investigações envolvendo Lulinha voltaram ao centro da discussão durante o debate da Band.
Flávio Bolsonaro relacionou as suspeitas sobre o filho do presidente ao escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias.
O senador também mencionou a mudança de Lulinha para a Espanha e questionou a origem dos recursos que sustentariam sua permanência no exterior.
Lula respondeu que o filho deve prestar esclarecimentos à Justiça, caso seja necessário.
“O meu filho abriu a sua conta bancária e abriu o seu telefone para ser investigado”, afirmou.
O presidente também citou o ministro André Mendonça, do STF, responsável por duas das investigações envolvendo Lulinha.
“Seja meu filho, seja meu irmão, qualquer um”, disse Lula ao afirmar que não pretende interferir nas apurações.
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