Queimadas no Amazonas aumentam em 2026 e fogo chega à disputa eleitoral
Hóspedes de um hotel precisaram usar máscaras e até aviões de combate ao fogo ficaram impedidos de voar. Área atingida pelas queimadas já supera o tamanho do Distrito Federal.

"Nunca vi nada igual! Tá caindo cinzas, de hora em hora tem que limpar a piscina."
O relato foi feito à Brasil Paralelo por um empresário do setor hoteleiro de Manaus. A fumaça ficou tão intensa que seus hóspedes precisaram usar máscaras para respirar.
Durante 14 dias seguidos, a capital do Amazonas amanheceu coberta pela fumaça das queimadas.
A situação só começou a melhorar com a chuva desta quinta-feira (22).
O pior momento foi no sábado (17). Às 8h, o índice que mede a qualidade do ar chegou a 693, nível considerado extremamente perigoso para a saúde.
A quantidade de partículas finas de fumaça atingiu 592 microgramas por metro cúbico em uma medição, quase 40 vezes o valor usado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como referência para um dia inteiro.
A fumaça ficou tão forte que até os aviões usados para apagar os incêndios precisaram parar de voar. Segundo o Ibama, os pilotos não conseguiam enxergar o suficiente para operar com segurança.
O fogo já atingiu uma área maior que o Distrito Federal
Entre 1º e 17 de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 1.830 pontos de calor no Amazonas, mais que o dobro do mesmo período de 2025.
Desde o início do ano, foram 8.084 registros, um aumento de 78%.
Segundo o Ibama, o fogo já atingiu 674 mil hectares, uma área maior que o Distrito Federal.
A falta de chuva piora a situação. Com a vegetação seca, as chamas se espalham mais rapidamente.
A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência investigam se parte dos incêndios foi provocada de forma organizada.
A suspeita lembra o chamado "dia do fogo", de 2019, quando grupos combinaram queimadas no Pará.
Segundo o governo federal, alguns suspeitos já foram identificados.
O que os governos fizeram para combater as queimadas?
No dia 10, o Amazonas declarou situação de emergência em 36 municípios. O governo federal reconheceu a medida no mesmo dia.
Mas houve uma discussão sobre a demora na chegada da ajuda.
O comandante dos Bombeiros do Amazonas afirmou que o governo federal havia negado apoio.
O ministro Waldez Góes respondeu que a ajuda foi liberada assim que o estado declarou emergência.
O governo federal anunciou o aumento de 11 para 16 aviões no combate ao fogo, incluindo uma segunda aeronave militar adaptada para lançar água.
Até o dia 17, as equipes haviam lançado cerca de 600 mil litros de água e apagado 317 incêndios durante a temporada.
O Ministério da Saúde também anunciou o envio de uma equipe especial para atender pessoas afetadas pela fumaça em Manaus.
Já o governo de São Paulo enviou 25 bombeiros, cinco agentes da Defesa Civil e 11 mil litros de produto usado para ajudar a conter as chamas.
O fogo chegou à disputa presidencial
Em 10 de outubro, Lula anunciou o envio de aproximadamente 290 profissionais para ajudar no combate ao fogo.
"O povo do Amazonas pode contar com o governo federal", escreveu.
Nove dias depois, Flávio Bolsonaro esteve em Manaus e criticou a resposta do presidente.
"O Lula, além de não preservar a Amazônia, está de costas para a Amazônia".
O senador também acusou o governo de não atender aos pedidos de ajuda dos bombeiros e prometeu ampliar o combate às queimadas caso seja eleito. Seu plano de governo prevê acabar com o desmatamento ilegal até 2029.
Já o plano de Lula estabelece a meta de desmatamento líquido zero até 2030, ou seja, compensar a perda de vegetação com a recuperação de áreas.
A chuva deu um alívio para Manaus, mas a fumaça continua em partes do interior do estado.
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