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Por que imprensa tradicional e governo trataram críticas ao caso Pix como fake news, sem olhar os fatos?

Entenda como e porque a grande mídia mentiu sobre o monitoramento de operações financeiras pelo governo.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Getty Imagens
Fonte da imagem: Reprodução redes sociais

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“Após onda de fake news, governo decide revogar ato de monitoramento do Pix”. Deste modo, a CNN Brasil noticiou que o governo federal havia voltado atrás. No dia 15 de janeiro, Haddad e o secretário da Receita Federal anunciaram a suspensão da norma que que intensificava a vigilância de operações financeiras acima de R$ 5 mil (PF) e R$ 15 mil (PJ).

Um dia depois, o Globo publicou uma reportagem denominada O poder da desinformação: quatro brasileiros contam por que passaram a evitar o uso do Pix”. Na matéria, tentavam comprovar como a onda de notícias falsas confundia e prejudicava as pessoas, principalmente, as que necessitavam utilizar o sistema. 

Segundo a reportagem,“entre as principais fake news difundidas constava a de que a medida significaria uma cobrança de imposto sobre as transações do sistema de transferências instantâneas do Banco Central(BC)”.  

Os exemplos acima indicam como a grande mídia tratou o tema. Ao longo de 15 dias, veículos tradicionais repetiram a tese governista de que exista uma onda de fake news sobre a cobrança de impostos do Pix. 

A Brasil Paralelo examinou mais de 100 reportagens e, em nenhuma delas, incluindo as duas mencionadas, encontrou informações sobre quem criou e compartilhou a notícia de que seria criado um novo imposto sobre o Pix. Ao final desta reportagem, há uma lista de matérias sobre o tema, que inclui veículos como G1, Uol, IG, Canal Rural, BBC Brasil, Jornal da TV Cultura e outros. Em nenhum deles é possível identificar de onde partiu a tese de que seria criado um imposto sobre o Pix ou quem atuou para viralizá-la.

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Governo e grande mídia insistiram em discurso de fake news contra a medida

A narrativa começou quando a medida entrou em vigor, em 1º de janeiro, e durou até que fosse revogada, no dia 15.

Várias reportagens, de veículos diferentes, repetiam a narrativa governista de que circulava a falsa notícia de que o Pix seria taxado. Também tentavam convencer a população de que o governo não tinha a intenção de aumentar a arrecadação, portanto, nada mudaria para o cidadão. 

Para o economista Leonardo Siqueira, a grande mídia ecoou a tese do Planalto. 

“E o governo tentou esconder justamente que iriam aumentar a base de arrecadação. Não iam taxar o Pix, mas iam taxar quem usa o Pix. E as pessoas diriam lá na frente "tá vendo, nós avisamos...".

O tributarista Marcelo Mendonça também acredita que a maior parte da imprensa tenha repetido a narrativa oficial: 

“Dizer que o monitoramento do Pix não iria resultar em aumento da arrecadação, em uma maior carga tributária, é uma mentira.” 

Segundo Mendonça,“por mais que fosse mentira que seria criado um novo imposto, o objetivo final era sim que o governo aumentasse a arrecadação”. 

Especialistas em liberdade de expressão, o advogado André Marsiglia acredita que parte da imprensa tenha se deixado guiar pelo discurso governista de que a nova regra “não faria o brasileiro pagar mais”, o “ discurso de que “nada mudaria”. 

“Se a regra não resultasse em nenhum impacto financeiro para as pessoas, como o governo afirma, ela não teria razão para existir. Se não teria impacto, por que fazer? Teria sido uma perda de tempo danada, todo o debate público para nada.” 

Para Marsiglia, o objetivo final da medida era alcançar mais contribuintes para pagar impostos. Só que o governo não quis assumir. 

“É óbvio que a medida teria impacto. Eles só não querem assumir claramente qual. Não dá para chegar para o pipoqueiro e falar: ´Olha, faça aí uma MEI.´ Não dá para você chegar para o pedreiro e falar: ´Olha, constitui uma empresa para trabalhar aqui comigo.´ 

O advogado também concorda que grande parte da mídia tradicional optou por repetir o discurso do governo:

“Hoje, infelizmente, a maior parte da mídia embarca em algum tipo de visão de que jornalismo profissional é publicar a versão oficial do governo e é o contrário. A versão oficial do governo é o ponto de partida para o jornalismo investigar”. 

Ele enfatiza que, em um país com os profundos problemas do Brasil, é fundamental que o jornalismo investigue os passos do governo, sem nunca se conformar com o discurso pronto:

“Jornalistas precisam se guiar pela desconfiança, ou então, eles viram porta-vozes do governo.  

Entre os especialistas, há quem acredite que o alinhamento ao discurso governista é motivado por questões financeiras. Segundo Siqueira, “alguns [veículos de imprensa replicam o discurso oficial] porque, de fato, recebem muita verba do governo. Outros por pura ideologia mesmo que coloca o papel de militante acima do jornalismo.” 

[LEADS] Brasil Evangélico
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