Enquanto Haddad apontou alta em crimes específicos, Tarcísio defendeu a gestão com queda em indicadores gerais e taxas abaixo da média nacional.

No palco do debate promovido pela Band, a segurança pública paulista se transformou em um dos principais temas da disputa política e estatística entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas.
A discussão colocou frente a frente duas leituras sobre a realidade do estado.
De um lado, Haddad cobrou respostas sobre o avanço do feminicídio, crimes raciais, infiltração do crime organizado e a política para a Cracolândia.
Do outro, Tarcísio apresentou dados de queda em homicídios, latrocínios, roubos e defendeu a estrutura de segurança e atendimento montada pelo governo estadual.
A frase que sintetizou o tom do confronto foi dita por Haddad:
“O país está funcionando, São Paulo não está”.
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Haddad usou a violência contra a mulher como um dos principais pontos de ataque.
Segundo ele, a morte de mulheres em São Paulo cresceu 10% no primeiro semestre, enquanto o país teria registrado queda de 2,5% no mesmo período.
“O feminicídio de São Paulo só no primeiro semestre desse ano cresceu 10% contra uma queda de 2,5% no país. Então o país tá funcionando, São Paulo não tá”.
O petista também citou crimes raciais e cobrou uma resposta mais clara do governo estadual para esses indicadores.
A estratégia de Haddad foi comparar a variação recente de crimes específicos em São Paulo com o movimento em nível nacional.
Tarcísio respondeu com outro recorte dos dados.
O governador afirmou que São Paulo aparece entre os estados com menores taxas de assassinatos contra mulheres e mortes violentas contra mulheres por 100 mil habitantes.
“Quando a gente pega feminicídio e morte violenta contra a mulher, a gente sempre tem se mantido ou na primeira ou na segunda colocação: 1,8, 1,9 contra 100 mil, contra 3,2 do Brasil. Ou seja, o nosso índice é muito menor que o índice brasileiro”.
Ele também citou a estrutura de atendimento às mulheres no estado, com Delegacias de Defesa da Mulher, salas DDM 24 horas, o protocolo Não Se Cale e os Espaços Lilás em batalhões da Polícia Militar.
A divergência estava menos no dado isolado e mais no recorte escolhido. Haddad comparava a evolução recente de alguns crimes em São Paulo. Tarcísio respondia com taxas por 100 mil habitantes e indicadores gerais abaixo da média nacional.
A discussão também avançou para o crime organizado. Haddad afirmou que facções estariam ganhando espaço no estado e citou suspeitas de infiltração em estruturas públicas.
Tarcísio rebateu mencionando operações integradas com o Ministério Público e a Polícia Federal, além de investimentos em inteligência e monitoramento.
Na Cracolândia, a divergência foi sobre o modelo de atuação.
Haddad defendeu o De Braços Abertos, programa criado em sua gestão na Prefeitura de São Paulo para atender dependentes químicos da Cracolândia.
A iniciativa oferecia moradia em hotéis, alimentação, acompanhamento de saúde, capacitação e uma frente de trabalho remunerada com R$15 por dia. A iniciativa foi apelidada por opositores de “Bolsa Crack”.
Para o petista, assistência aos usuários e combate ao tráfico devem ser tratados como problemas distintos.
“Um prefeito não vai conseguir combater o tráfico de droga. É a polícia que tem que combater”.
Tarcísio respondeu que a mudança na região só foi possível com integração entre governo estadual, prefeitura, polícia, Ministério Público, saúde, assistência social e habitação.
O debate mostrou que a disputa sobre segurança pública não está apenas nos fatos, mas também na escolha dos indicadores.
Haddad tentou deslocar o foco para as mortes de mulheres, crimes raciais, facções e vulnerabilidades institucionais.
Tarcísio concentrou sua defesa em homicídios, latrocínios, roubos e na comparação de São Paulo com a média nacional.
A frase “O país está funcionando, São Paulo não está” funcionou como síntese da crítica de Haddad.
A resposta de Tarcísio foi tentar mostrar que, nos indicadores gerais de criminalidade, São Paulo apresenta números melhores que os do Brasil.
No fim, o confronto deixou uma questão central para a campanha: quais dados explicam melhor a segurança pública paulista?
A discussão entre Tarcísio e Haddad mostra como a Cracolândia virou um dos símbolos da disputa sobre segurança pública no Brasil.
De um lado, programas sociais para dependentes químicos. Do outro, o combate ao tráfico, às facções e ao crime organizado que domina territórios inteiros.
Mas esse problema é maior do que uma rua, uma região ou uma eleição.
Em Entre Lobos 2026, a Brasil Paralelo investiga como o crime deixou de atuar apenas nas sombras e passou a disputar espaço na economia, na política, nas cidades e na rotina dos brasileiros.
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