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INSS investiga Banco Master por mais de 250 mil contratos irregulares

Relatório técnico aponta falta de documentos em contratos firmados com aposentados e pensionistas entre 2021 e 2025.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Banco Master
Fonte da imagem: Divulgação

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Um relatório da área técnica do INSS colocou sob suspeita a maior parte dos contratos de crédito consignado informados pelo Banco Master.

Segundo o documento, o banco deixou de apresentar comprovação documental em 251.718 contratos, o equivalente a 74,3% de um total de 338.608 operações registradas entre outubro de 2021 e setembro de 2025.

O relatório foi elaborado pela Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS, em conjunto com as coordenações responsáveis por pagamento e gestão de benefícios, e encaminhado à presidência do instituto.

O Banco Master ainda não se manifestou.

O que os técnicos encontraram?

De acordo com a análise, a ausência de documentação configura uma “falha grave e insanável”, capaz de lançar dúvidas sobre a existência jurídica dos contratos e sobre o consentimento dos beneficiários da Previdência Social.

O relatório afirma que o banco promoveu uma expansão acelerada da carteira de consignados, sem o devido lastro documental e sem observar requisitos mínimos de segurança.

Dados obtidos pelo Estadão via Lei de Acesso à Informação mostram que, até novembro de 2022, o Banco Master possuía apenas um contrato ativo com beneficiários do INSS.

Em dezembro do mesmo ano, o número saltou para mais de 100 mil operações.

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Problemas nos contratos apresentados

Além da ausência da maioria dos documentos, a equipe técnica do INSS analisou os contratos que estavam disponíveis no sistema e-Consignado.

De acordo com o relatório, os documentos apresentavam um padrão genérico e padronizado, sem informações consideradas essenciais, como:

  • limite de crédito aprovado;
  • taxa de juros aplicada;
  • número de parcelas;
  • forma de pagamento.

Para o INSS, essa prática viola princípios de transparência e o direito à informação, previstos no Código de Defesa do Consumidor e em uma Instrução Normativa do próprio instituto publicada em 2022. 

A falha comprometeria a capacidade do segurado de compreender a extensão da dívida contraída. O Banco Master mantinha um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS desde 2020, que permitia a concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas.

A última renovação ocorreu em 2022, assinada pelo então diretor de Benefícios do INSS, Edson Yamada.

Atualmente, Yamada é sócio do ex-ministro do Trabalho José Carlos Oliveira (PSD), que também foi diretor de Benefícios do INSS.

Oliveira é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura descontos indevidos bilionários aplicados sobre benefícios previdenciários.

Segundo a PF, Yamada e Oliveira firmaram dez acordos com associações investigadas, que juntas teriam faturado R$1,9 bilhão com descontos sobre aposentados.

A sociedade entre os dois em uma consultoria sediada em São Paulo é citada nos autos da investigação.

Por decisão do ministro André Mendonça, José Carlos Oliveira passou a ser monitorado com tornozeleira eletrônica.

Em depoimento à CPMI do INSS, o ex-ministro negou envolvimento nas fraudes. Procurados, Yamada e Oliveira não responderam à reportagem.

Parcerias suspensas

Em razão de irregularidades no crédito consignado, o INSS já rescindiu 19 acordos de cooperação técnica com instituições financeiras

Outros quatro estão suspensos, e quatro entidades pediram rescisão voluntária. Três acordos expiraram e não foram renovados.

Em outubro do ano passado, o INSS decidiu não renovar o ACT com o Banco Master. Com o fim da vigência em 18 de setembro, o banco deixou de estar credenciado para realizar novas operações de consignado nos sistemas do instituto.

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