Aliados do Irã no Oriente Médio falaram em bloquear outra rota importante para o comércio internacional.

Pouco mais de um mês após o cessar-fogo entre EUA e Irã entrar em vigor, o presidente da República Islâmica voltou a falar em uma "guerra em grande escala".
A declaração acontece em meio à retomada dos ataques entre os dois países e ao agravamento das tensões no Oriente Médio.
Ao longo das últimas semanas, o presidente americano Donald Trump afirmou que as negociações com Teerã se transformaram em uma "perda de tempo".
Segundo ele, o governo iraniano permaneceu inflexível em temas considerados essenciais, principalmente em relação às atividades militares e ao programa nuclear do regime.
Na segunda-feira (20), os Estados Unidos realizaram a nona noite consecutiva de bombardeios contra o Irã.
Entre os alvos estavam a região de Darkhovin, onde está sendo construída uma nova usina nuclear.
Instalações militares, sistemas de defesa aérea, centros de comando e infraestrutura utilizada pela Guarda Revolucionária também foram alvos.
Após os ataques, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país atravessa um momento de guerra total:
"A realidade é que, hoje, a República Islâmica do Irã está envolvida em uma guerra em grande escala. A guerra de hoje não é apenas uma guerra de mísseis; o inimigo concluiu que não pode forçar o povo iraniano a se render por meio de ataques militares. A economia e os meios de subsistência da população são a arena mais importante de confronto com o inimigo."
Nos últimos meses, Pezeshkian tem alertado que os efeitos econômicos do conflito representam um dos principais desafios para o regime.
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A escalada militar também vem sendo acompanhada por ações de aliados de Teerã no Oriente Médio.
Os rebeldes Houthis, grupo iemenita apoiado pela Guarda Revolucionária Iraniana, anunciaram um bloqueio marítimo contra embarcações ligadas à Arábia Saudita.
Em mensagens transmitidas para empresas de navegação, o grupo afirmou que navios que carregarem ou descarregarem cargas em portos sauditas poderão se tornar alvos "em qualquer local".
O foco das ameaças é o estreito de Bab el-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e conecta as rotas marítimas entre Europa e Ásia.
Aproximadamente 15% de todo o comércio marítimo no mundo precisa passar pela região para chegar em seu destino.
A importância estratégica da região aumentou ainda mais depois que o Estreito de Ormuz teve o fluxo de embarcações reduzido pelo conflito.
Com isso, o porto saudita de Yanbu passou a concentrar grande parte das exportações de petróleo do país através do Mar Vermelho.
Somente no mês passado, mais de quatro milhões de barris de petróleo deixaram Yanbu.
Entre os dias 15 e 19 de julho, foram registradas 209 passagens de embarcações por Bab el-Mandeb, segundo dados do grupo de inteligência marítima Kpler.
Entre 2023 e 2025, interrupções anteriores na navegação pelo estreito geraram prejuízos estimados em cerca de R$100 bilhões por ano ao comércio internacional.
Enquanto isso, o governo iraniano afirma que continua mantendo canais diplomáticos abertos por meio de mediadores como Catar, Omã e Paquistão.
Oriente Médio tem vivido dias de tensão, com trocas de mísseis e bombardeios entre o regime de Teerã e as forças ocidentais.
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