Calma! A chance é de menos de 0,04%. Mas a Nasa calculou, com uma precisão inédita, justamente esse cenário.

O nome do asteroide é Bennu. Tem cerca de 500 metros de diâmetro e, há anos, entra e sai da órbita da Terra sob o olhar atento de cientistas.
A razão é disso é que ele é um dos poucos objetos espaciais capazes de causar um estrago real caso um dia colida com o planeta.
Segundo os cálculos mais recentes da Nasa, existe uma data com a maior probabilidade de esse encontro acontecer: 24 de setembro de 2182.
Mas antes de qualquer pânico, vale o contexto. Essa "maior probabilidade" ainda é de apenas 1 em 2.700, uma chance de 0,037%.
Somando todos os cenários possíveis até o ano de 2300, a probabilidade sobe muito pouco, para 0,057%. Na prática, isso significa mais de 99,9% de certeza de que nada vai acontecer.
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Esses números só existem hoje graças a uma missão específica da Nasa, a OSIRIS-REx.
A sonda foi lançada em 2016, chegou perto de Bennu em 2018 e passou mais de dois anos ali, medindo cada detalhe do asteroide: forma, massa, rotação, composição.
Em 2020, ela fez algo ainda mais ousado: coletou uma amostra da superfície do próprio asteroide e trouxe o material de volta à Terra em 2023. Os cientistas ainda estudam esse material hoje.
Todo esse trabalho tem um propósito além da curiosidade científica.
Um dos fatores que mais dificulta prever a trajetória de um asteroide é o chamado efeito Yarkovsky: o calor que o próprio corpo celeste absorve e depois libera de volta ao espaço gera uma força pequena, mas o suficiente para alterar sua rota ao longo de décadas.
Foi justamente esse efeito que a missão conseguiu medir com muito mais precisão, o que ajudou a refinar as previsões atuais.
Há ainda outro momento que os cientistas já têm marcado no calendário: 2135, ano em que Bennu vai passar bem perto da Terra.
Não existe risco de colisão nessa aproximação, mas a gravidade do planeta deve mexer, ainda que levemente, na órbita do asteroide, o que vai permitir calcular com ainda mais exatidão o que pode acontecer nos séculos seguintes.
A energia liberada equivaleria à explosão de 22 bombas atômicas de grande potência. O problema não seria só a destruição no ponto de impacto.
Pesquisadores apontam que a poeira lançada na atmosfera poderia bloquear parte da luz do sol, provocando o que chamam de "inverno de impacto": queda de até 4°C na temperatura média global, afetando lavouras e cadeias alimentares ao redor do mundo.
Mesmo assim, a mensagem dos cientistas alertam que não há motivo para alarme.
Em 2022, a missão DART já provou que a humanidade tem, sim, formas de agir diante desse tipo de ameaça, ao alterar deliberadamente a trajetória de um asteroide por meio de uma colisão controlada.
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