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Política•5 min de leitura

Estadão e Folha acusam TSE de censura contra grupos do Whatsapp

Medida proposta por Mendonça derrubava canais com mais de 200 mil seguidores 48 horas antes do segundo turno.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Logotipos dos jornais Folha de S.Paulo e Estadão
Fonte da imagem: —

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Na quarta-feira (21) circulou uma minuta do ministro André Mendonça para bloquear todos os canais do Whatsapp com mais de 200 mil usuários.

A medida começaria a ter validade 48 horas antes do segundo turno das eleições presidenciais e deixaria de valer 24 horas após o pleito.

O presidente do TSE, Kássio Nunes, negou a existência do documento, porém a Folha de São Paulo afirmou ter encontrado uma cópia:

"No período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição, aplica-se o disposto no § 11 deste artigo aos canais de transmissão de conteúdo de natureza político-eleitoral com mais de 200.000 (duzentos mil) seguidores", afirma um trecho divulgado pelo jornal.

Segundo a publicação, o plano inicial era impedir a criação de novos canais para barrar desinformação, porém passou a abranger todos os canais.

A Folha acusou a medida de “atingir em cheio” o grupo “Exército do Lula”, administrado por André Janones (Rede), com mais de 9 milhões de membros.

Em uma outra matéria, o jornal afimou que a medida seria ilegal e citou uma entrevista com a professora de direito Marilda Silveira, que acusou a medida de censura prévia:

"Não se pode proibir as pessoas de se organizarem, nem pressupor que essa organização seja para praticar um ilícito eleitoral, até que ele aconteça. Isso é censura prévia".

  • Acompanhe o segundo turno das eleições no canal da Brasil Paralelo. Clique aqui para não perder.

Estadão acusa Corte de promover censura

Outro jornal que se posicionou sobre o caso foi o Estado de São Paulo, que chegou a publicar um editorial sobre o tema.

No posicionamento, a publicação acusa a medida de expôr “o espírito censório que anima alguns ministros de uma corte encarregada de zelar pela integridade das eleições, não de decidir o que os cidadãos podem ou não discutir.”

Além disso, afirmou que a minuta abriria espaço para a prática de “censura prévia” da Corte através de pontos subjetivos:

“Uma publicação sobre segurança pública, Bolsa Família ou o próprio TSE seria considerada “política”? A resposta ficaria sob o crivo de quem aplica a regra. Não há nada de objetivo ou impessoal nisso. É censura em estado puro.”

O jornal também alegou que a medida parecia beneficiar a campanha de Flávio e mirar o canal de Janones.

A acusação é de que os dois ministros indicados por Bolsonaro estariam agindo em prol da campanha de Flávio:

“Este jornal já denunciou o ativismo explícito de alguns ministros do STF e do TSE em prol da campanha petista. O vício que ora apontamos é o mesmo, apenas em sentido contrário.”

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